Carlo Maria Buonaparte Ajaccio, 29 de março de 1746 – Montpellier, 24 de fevereiro de 1785) foi um aristocrata e político corso, pai do imperador Napoleão e patriarca da dinastia Bonaparte, que reinou na França e boa parte da Europa durante o início do século XIX.
Carlo Maria Buonaparte nasceu em 27 de março de 1746 em Ajaccio, na Córsega, que na época fazia parte da República de Gênova. Era filho de Giuseppe Buonaparte e de Maria Saveria Paravicini. Tinha uma irmã chamada Maria Gertrude, nascida em 1741, e um irmão chamado Sebastiano, nascido em 1743. Uma irmã mais nova, Marianna, não sobreviveu. Sua mãe morreu poucos anos após o seu nascimento e, em 1750, seu pai voltou a casar-se com Maria Virginia Alata, nascida em 1725, com quem não teve filhos.
Os Buonaparte afirmavam descender da nobreza toscana, especialmente de Guglielmo Buonaparte, membro do conselho gibelino de Florença no século XIII, que fugiu para Sarzana quando a cidade passou para o controle dos guelfos. A partir dali, no século XVI, Francesco Buonaparte emigrou para a Córsega em busca de melhores oportunidades e fundou o ramo corsa da família Buonaparte, ao qual Carlo pertencia.
Carlo iniciou estudos de jurisprudência em Pisa. Em 1763 seu pai faleceu e, ao mesmo tempo, seu tio, o arquidiácono Luciano Buonaparte, propôs que ele se casasse com a jovem nobre Letizia Ramolino, de quatorze anos, também natural de Ajaccio e de origem italiana. A herança paterna somada ao dote de Letizia, que poderia render cerca de dez mil francos por ano, convenceu Carlo a abandonar os estudos e retornar a Ajaccio. Em 2 de junho de 1764 ele se casou com Letizia, que lhe daria treze filhos, dos quais oito sobreviveriam.
Logo após o casamento, Carlo tornou-se secretário do patriota republicano Pasquale Paoli, líder do principal movimento independentista da ilha. Em 1766 ele viajou a Roma como embaixador junto ao Papa Clemente XIII. Retornou apressadamente a Ajaccio em 1768, aparentemente por causa de um relacionamento adúltero com uma mulher casada que terminou de maneira desfavorável. Durante o período de seu retorno ocorreu a cessão da Córsega à França e a proscrição de Paoli. Em resposta, o líder reuniu seus seguidores nas montanhas de Corte e iniciou uma resistência obstinada, embora sem sucesso. Os Buonaparte, que naquele momento já tinham o recém-nascido José, terceiro filho do casal e o primeiro a sobreviver, estiveram entre os partidários de Paoli e o acompanharam, apesar de Letizia estar novamente grávida, desta vez do futuro Napoleão. Posteriormente, quando a guerrilha de Paoli foi definitivamente derrotada, a família conseguiu integrar-se à nova elite política francesa e estabeleceu amizade com o governador Charles René de Marbeuf. Essa relação mostrou-se proveitosa. Além de impulsionar a carreira política de Carlo, René também se encarregou de garantir bolsas de estudo para José e Napoleão no Collège des Oratoriens de Autun e, posteriormente, no caso de Napoleão, na prestigiosa Academia Militar de Brienne.
Quanto a Carlo, em 1769 ele obteve o reconhecimento de nobreza, confirmado em 13 de setembro de 1771, que o reconhecia como "Nobre Patrício da Toscana", além do doutorado em direito em 27 de novembro de 1769, apesar de nunca ter concluído formalmente seus estudos. Em 20 de setembro de 1769 foi eleito deputado da Córsega graças ao apoio de Charles René, o que deu início a uma sequência de cargos cada vez mais prestigiosos. Em abril de 1770 foi agraciado com a recém-criada Ordem Nobre Corsa. Em 11 de dezembro de 1769 tornou-se advogado do Conselho Superior da Córsega e, em outubro de 1770, foi nomeado Procurador Substituto do rei da França em Ajaccio. Em fevereiro de 1771 passou a exercer o cargo de assessor da Real Jurisdição de Ajaccio. Em 13 de setembro de 1771 tornou-se Deputado da Nobreza nos Estados Gerais da Córsega. Em maio de 1772 foi nomeado membro do Conselho dos Doze Nobres de Dila, na Córsega Ocidental. Em julho de 1777 tornou-se Deputado da Nobreza da Córsega junto à Corte Real da França e, finalmente, em 1778 foi nomeado representante da Córsega na corte de Luís XVI da França em Versalhes.
Apesar dessas conquistas, Buonaparte não se sentia satisfeito. Ele desperdiçou grande parte de suas finanças em tentativas de adquirir mais terras e rendas, enquanto o restante alimentava sua paixão pelo jogo de azar. Em uma anotação de seu diário escreveu que "em Paris recebi quatro mil francos do rei e uma compensação de mil coroas do governo, mas retornei sem um único centavo".
Enquanto isso, sua saúde se deteriorava. Em 1782 ele foi a Montpellier na tentativa de tratar o que aparentemente era um câncer no estômago. Nada pôde ser feito e Carlo Buonaparte morreu ali em 24 de fevereiro de 1785, aos 38 anos. Deixou sua esposa viúva aos 35 anos, com oito filhos, dos quais seis ainda dependiam dela. O mais novo tinha apenas três meses de idade. A família ficou quase sem recursos devido aos gastos excessivos que ele havia mantido durante os quinze anos anteriores.
Em 1951 seu corpo foi trasladado para a Capela Imperial de Ajaccio, onde foi colocado ao lado do de sua esposa Letizia, que havia morrido em 1836 e fora sepultada ali em 1851.
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