Carlos Alberto Gamarra Pavón (Ypacaraí, 17 de fevereiro de 1971) é um ex-futebolista paraguaio que atuava como zagueiro, considerado um dos melhores da sua posição no futebol sul-americano, e ídolo nos diversos clubes que passou. Recebeu seu nome em homenagem ao capitão da Seleção Brasileira de 1970, Carlos Alberto Torres.
Carlos Gamarra iniciou sua carreira no Cerro Porteño em 1991 e, em seguida, passou pelo Independiente, da Argentina, antes de retornar ao Cerro. O defensor representou a Seleção Paraguaia nas Olimpíadas de 1992.
No Internacional, onde teve 89 partidas disputadas e quatro gols marcados, o zagueiro conquistou o Torneio Mercosul de 1996 e o Campeonato Gaúcho de 1997. Também foi premiado com a Bola de Prata nos Campeonatos Brasileiros de 1995 e 1996.
Em 1997, veio a primeira tentativa no futebol europeu, quando Gamarra transferiu-se para o Benfica, de Portugal. Embora bastante rentável financeiramente, a passagem pelos Encarnados acabou não lhe abrindo as portas para os grande clubes europeus e, com isso, o paraguaio decidiu se voltar ao Brasil, desta vez para defender o Corinthians.
Na passagem pelo clube paulista, então comandado por Vanderlei Luxemburgo, Gamarra conquistou o Campeonato Brasileiro de 1998 e passou a ser idolatrado pela torcida alvinegra. Seu futebol combativo, mas sem muitas faltas, foi enaltecido pela crítica esportiva, que incluiu seu nome no hall de craques estrangeiros que brilharam no Brasil, a exemplo de nomes como Elías Figueroa, Pedro Rocha, Rodolfo Rodríguez e Ramos Delgado.
Contudo, a consagração definitiva de sua carreira aconteceu na Copa do Mundo FIFA de 1998, quando Gamarra foi eleito o melhor defensor do Mundial. O zagueiro mostrou toda sua capacidade técnica nos quatro jogos disputados pelo Paraguai, e encantou o mundo ao terminar a competição sem ter cometido uma única falta sequer, mesmo tendo enfrentado adversários como Hristo Stoichkov, Raúl, Nwankwo Kanu, Thierry Henry e David Trezeguet. Nas oitavas-de-final, em que seu time fora derrotado pela anfitriã e futura campeã França, Gamarra jogou a partida com o ombro deslocado.
Após a Copa do Mundo, Gamarra ainda disputou quatro partidas sem cometer nenhuma falta, totalizando 765 minutos sem qualquer tipo de infração. A falta aconteceria num jogo contra o Grêmio, no Pacaembu, válido pelo Campeonato Brasileiro de 1998, num lance duvidoso aos 40 minutos do primeiro tempo.
Em 1999, o Corinthians conquistou o Campeonato Paulista em cima do rival Palmeiras. Logo após o título, Gamarra transferiu-se para o Atlético de Madrid em busca de novos objetivos. Porém, as coisas não deram muito certo na Espanha e, no final daquela temporada, os Colchoneros acabaram sendo rebaixado para a segunda divisão.
Depois de mais uma passagem frustrada pelo futebol europeu, Gamarra foi contratado pelo Flamengo. Em duas temporadas no rubro negro, o paraguaio oscilou altos e baixos. Entretanto, voltou a ser prestigiado após a conquista da Copa dos Campeões e a subsequente classificação para a Libertadores de 2002.
Contudo, o sonho recorrente de vencer no futebol da Europa, aliado aos salários atrasados no Flamengo, foram decisivos na sua transferência para a Grécia. Jogando pelo AEK Atenas, Gamarra sagrou-se campeão da Copa da Grécia e, enfim, alcançou seu maior objetivo em 2002, quando foi contratado pela Internazionale, um dos clubes mais importantes da Itália.
Gamarra defendeu a Inter de 2002 a 2005, tendo conquistado a Copa da Itália na temporada 2004–05. No entanto, em sua última temporada pelo clube italiano, deixou de ser aproveitado e passou a frequentar o banco de reservas. Descontente, o paraguaio mais uma vez retornou ao Brasil e assinou com o Palmeiras.
Em 2006, durante a Copa do Mundo da Alemanha, Gamarra anunciou sua aposentadoria da Seleção Paraguaia. Além disso, o atleta conquistou um recorde pouco louvável durante a competição, marcando o gol contra mais rápido das Copas — aos 3 minutos do primeiro tempo, na derrota por 1–0 para a Inglaterra.
Finalmente decidido a encerrar sua carreira no Paraguai, Gamarra assinou com o Olimpia em 2007. No ano seguinte anunciou sua aposentadoria do futebol.
Gamarra visita com frequência o santuário da Virgem de Caacupé.
Bola de Prata da revista Placar: 1995, 1996, 1998 e 2005
Equipe Ideal da América do Sul: 1995, 1996, 1998, 2000 e 2005
Futebolista Paraguaio do Ano: 1997 e 1998
Seleção do Campeonato Paulista: 1998