Carlos Villagrán Eslava (Cidade do México, 12 de janeiro de 1944) é um ator e humorista mexicano, mundialmente conhecido por interpretar o personagem Quico/Kiko no seriado Chaves. Seu estilo gestual e a interpretação de personagens infantis lhe renderam notoriedade ao longo de várias décadas, incluindo aparições na televisão e no cinema, além de turnês artísticas internacionais e incursões na mídia e em atividades públicas em vários países.
Nascido em 12 de janeiro de 1944, Carlos Villagrán foi o segundo de quatro filhos. Sua família tinha poucos recursos, mas mesmo assim conseguiu se manter. Como a família era bastante pobre, desde pequeno Villagrán tentava ajudar seu pai, um fotógrafo de jornal, no trabalho – e conciliando isso com os estudos na escola. O sonho de Carlos era ser comediante ou jogador de futebol. Começou sua carreira aos 23 anos, trabalhando como fotógrafo de um jornal mexicano chamado Heraldo. No jornal, Villagrán se dedicava principalmente aos esportes. Em 1968, cobriu os Jogos Olímpicos, realizados na Cidade do México. Dois anos depois, também cobriu a Copa do Mundo de 1970, sediada no México. Pouco depois de ter iniciado a carreira de fotógrafo, Carlos também começou a fazer teatro. Atuou como um menino de bochechas grandes em uma peça chamada Loquibambia, que foi assistida por Roberto Gómez Bolaños. No início, Carlos conciliava a profissão de ator com a de fotógrafo. Graças ao seu trabalho como fotógrafo do jornal, foi fazendo contatos com o mundo da televisão. Ele mesmo pedia trabalho aos produtores cômicos da época, como Capulina; e eles deram-lhe trabalho como figurante em seus programas, sempre atuando, mas nunca falando.
Em 1968, muitos atores do México migraram para a TV TIM (Canal 8) e Carlos estava naquele grupo. Nesse mesmo ano, ele conseguiu entrar no programa El Club de los Millonarios, onde interpretou um boneco de ventríloquo chamado Pirolo. Villagrán fez muito sucesso como o boneco Pirolo na época. Por causa desse personagem, Carlos também ficou conhecido no México pelo nome Pirolo, que foi seu primeiro personagem de destaque. Pouco depois, também esteve no programa El club del Chori, em que interpretava uma velhinha chamada Lola Mento, que tinha características parecidas com as do Quico - como o choro e as bochechas grandes. Nesses programas, também trabalhou o ator Rubén Aguirre (Professor Girafales) e assim ele e Carlos se conheceram. Rubén ficou encantado com o talento de Carlos. Algum tempo depois, no início dos anos 70, Rubén realizou uma festa em sua casa. Carlos Villagrán e Roberto Gómez Bolaños foram a essa festa como convidados. Durante a festa, Aguirre e Villagrán tiveram uma ideia para entreter os presentes: Rubén colocou Carlos no colo e os dois encenaram uma cena de um boneco de ventríloquo; e isso deixou Bolaños impressionado. Roberto já tinha assistido Carlos no teatro e, após tê-lo visto nessa cena e o conhecido com a ajuda de Rubén, decidiu convidá-lo para entrar em seus programas. Assim, Carlos Villagrán deixou a fotografia e entrou para o elenco dos programas de Bolaños.
Já nessa época, Villagrán também se destacou por sua técnica de inflar as bochechas. Ele começou a fazer essa técnica ainda pequeno, quando imitava seu tio Chapera. Carlos usou essa técnica para fazer vários de seus personagens, como o menino na peça Loquibambia , o Pirolo em El Club de los Millonarios, a Lola Mento em El club del Chori, o Monsieur Cachetón em El Circo de Monsieur Cachetón e o Quico em El Chavo del Ocho.
Em 1972, começou a viver o personagem que marcaria sua carreira: o Quico no seriado El Chavo del Ocho. Também atuou em El Chapulin Colorado, onde interpretou vários personagens, como o bandido Quase Nada. Aos poucos, Carlos foi se destacando cada vez mais com o personagem Quico e ganhou um grande número de fãs. Ele logo também passou a fazer comerciais e a gravar discos com o personagem. O Quico, graças a atuação de Villagrán, tornou-se um dos personagens favoritos dos fãs da série, geralmente só perdendo para o Seu Madruga, vivido por Ramón Valdés. Com o elenco de Bolaños, Carlos também participou do filme El Chanfle, onde interpretou Valentino Milton, um jogador de futebol. No entanto, também houve alguns problemas nos bastidores. Em 1976, Carlos assinou um contrato de exclusividade com uma gravadora para fazer discos solos do Quico. Isso não agradou Bolaños porque Carlos assinou o contrato sem avisá-lo antes e isso impossibilitou que o Quico estivesse no disco da turma do Chaves que o elenco lançou na época.
Relação com Florinda Meza e conflitos nos bastidores
Durante os primeiros anos das gravações de El Chavo del Ocho, Carlos Villagrán teve um breve relacionamento com a atriz Florinda Meza, segundo ele próprio revelou em entrevistas. Florinda, por sua vez, nega que o relacionamento tenha ocorrido. Anos depois, Meza iniciou um relacionamento com Roberto Gómez Bolaños, criador e protagonista da série.
Com o tempo, surgiram tensões nos bastidores, especialmente após Meza assumir um papel mais ativo na produção. De acordo com Villagrán e outros membros do elenco, o clima entre os atores deteriorou-se, resultando em desentendimentos frequentes. Essas divergências teriam contribuído para a saída de Villagrán do elenco em meados da década de 1970.
No início do ano de 1979, Carlos Villagrán deixou o elenco dos seriados. Foram dadas versões diferentes para a saída dele - com isso, muitos fãs ainda tem dúvidas sobre qual teria sido o motivo da saída. Na época, Carlos disse que saiu porque queria tentar carreira solo, mas anos depois ele mudou essa versão. Segundo o próprio Carlos, o sucesso que ele estava obtendo com o Quico teria despertado inveja nos outros atores, que então teriam tentado diminuir o personagem e depois o tiraram do programa. Ou seja, Carlos disse ter sido tirado do elenco por inveja de Bolaños e dos demais. Já o criador da série, Roberto Gómez Bolaños, disse que Carlos saiu por vontade própria, porque queria seguir carreira solo com o Quico. Alguns outros atores das séries também relataram que, antes de sair, Carlos teria se deixado levar pela popularidade do Quico e passado a agir com indisciplina nas gravações, o que teria causado muito incômodo ao elenco e feito com que quase todos ficassem brigados com ele. Logo depois de sua saída, Carlos pretendia fazer um programa solo na Televisa onde faria o Quico novamente, mas não aceitou incluir o nome de Roberto Bolaños como criador do personagem nos créditos. Carlos alegou para isso que ele seria o criador do Quico e não Bolaños. Devido a isso, Roberto Bolaños não autorizou Villagrán a fazer o programa. Logo depois, segundo Bolaños, Villagrán o processou pelos direitos autorais do Quico. Porém, Roberto possuía um documento assinado pelo próprio Carlos em que este reconhecia que Bolaños era o criador do Quico, com isso Villagrán perdeu rapidamente a disputa na Justiça. O Presidente da Televisa, Emilio Azcárraga Milmo, estava acompanhando tudo e decidiu intervir. Azcárraga chamou Carlos em seu escritório e lhe fez uma proposta: ele poderia fazer um programa solo na Televisa, mas o projeto teria que ter a supervisão de Bolaños. Villagrán não aceitou. Emilio Azcárraga Milmo ordenou então um veto à Villagrán, proibindo várias emissoras de televisão de contratá-lo, já que ele dizia ser o criador do Quico. Vetado pela Televisa e sem autorização para usar o Quico, Carlos ficou proibido de continuar fazendo o personagem no México e em alguns outros países. No segundo semestre de 1979, ele chegou a tentar realizar shows como Quico na Argentina, mas assim que desembarcou no país, os organizadores receberam um telegrama do México proibindo os shows. Revoltado com isso, Villagrán chegou a declarar na época que gostaria de colocar uma recompensa pela cabeça de Roberto Bolaños. Carlos ficou sem poder se apresentar como Quico por um tempo, até que, em 1980, ele recebeu o convite de uma emissora venezuelana, a Rádio Caracas Televisión (também conhecida como RCTV), para realizar seu próprio programa - esta emissora era independente da Televisa e não foi vetada de contratar o ator.