Carnaval do Rio de Janeiro é uma festa popular de cunho religioso e histórico-social realizada durante cinco dias consecutivos no mês de fevereiro desde 1893 com a criação do primeiro rancho carnavalesco, o "Rei de Ouros", pelo baiano, filho de escravos libertos, Hilário Jovino Ferreira. Esse festival é considerado o maior carnaval do mundo pelo Livro dos Recordes. Trata-se de uma celebração mundialmente famosa, constituída por diferentes tipos de manifestações culturais, como desfiles de escola de samba, bailes de máscaras, festas móveis dos blocos de embalo seguidos por seus foliões fantasiados, e ainda bandas de rua e blocos de enredo ("escolas de samba" de pequeno porte), chamados de cordões. Também se caracteriza pela irreverência e banalidade, pelos nomes de duplo sentido (especialmente dos blocos) e pela diversidade cultural, musical e sexual.
O desfile competitivo das escolas de samba foi idealizado pelo jornalista Mário Filho (irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues), que organizou através do seu periódico Mundo Esportivo o primeiro certame oficial, no ano de 1932. Outro recifense, Pedro Ernesto, também atuou de forma decisiva para o sucesso do evento: quando prefeito do então Distrito Federal, tornou-se o primeiro político a dar apoio financeiro ao carnaval, dentro de um projeto que visava transformar o Rio de Janeiro numa potência do turismo, e em 1935 reconheceu e oficializou os desfiles.
Após um período de decadência dos festejos de rua nas décadas de 80 e 90, quando o carnaval da cidade resumia-se quase que unicamente aos desfiles das escolas de samba, o carnaval dos blocos e bandas de rua voltou a crescer, entrando oficialmente para o Guinness Book. Atualmente, o carnaval de rua da cidade é cerca de cinco vezes maior que os festejos realizados pelas escolas de samba e apresenta-se como um evento multifacetado, possuindo: blocos dos mais variados ritmos, como samba, marchinhas, ritmos nordestinos, entre outros; e blocos temáticos que tocam de Mamonas Assassinas a Beatles.
O carnaval carioca pode ser considerado um evento cultural de alto prestígio, já tendo sido eleito, pelos internautas do site estrangeiro Fun Party, como a melhor festa do mundo. É citado, constantemente, como o carnaval mais famoso que existe.
A origem do carnaval no Rio de Janeiro, começa a partir da introdução do entrudo na cidade, uma manifestação cultural de origem portuguesa, em que se brinca o carnaval. No Rio de Janeiro, o entrudo é mencionado no início do século XVII. Por volta de 1600, registros indicam que a população local já praticava o entrudo. A festa da aclamação de D. João, em 1641, promovida pelo governador Martim Correia de Sá, no Rio de Janeiro, também é considerada uma precursora do carnaval brasileiro. No Rio de Janeiro, tanto as pessoas escravizadas quanto as famílias de origem europeia participavam do entrudo. Os "limões de cheiro", bolas de cera que levavam em seu interior água e, em alguns casos, urina, eram arremessadas das janelas nos passantes. A partir de 1846, o carnaval no Rio de Janeiro começa a se transformar: surgem os primeiros bailes de máscaras e, posteriormente, os primeiros blocos carnavalescos organizados, que posteriormente viria influenciar todo o carnaval do Brasil.
A consolidação do carnaval carioca como festa organizada e urbana remonta do período da Independência do Brasil, quando a elite carioca decidiu se afastar do passado lusitano e incrementar a aproximação com as novas potências capitalistas. A cidade e a cultura parisienses passariam, portanto, a ser os parâmetros a guiar as modas e modos a serem importados.[carece de fontes?]
Paralelamente ao movimento de implantação de uma festa civilizada, outras diversões rapidamente tomavam forma na cidade: o entrudo, com sua alegria desorganizada e espontânea, os grupos negros de Congadas (ou Congos) e Cucumbis, que aproveitavam-se da relativa liberalidade reinante para conseguir autorização policial para se apresentarem e, além disso, outros grupos reunindo a população carente de negros libertos e pequenos comerciantes portugueses (mais tarde conhecidos como Zé Pereiras), que sentiram-se incentivados a passear pelas ruas.[carece de fontes?]
A mistura desses diferentes grupos acabaria por forçar uma espécie de diálogo entre eles. Em pouco tempo as influências mútuas se fazem notar através da adoção pelo carnaval popular, das fantasias e da organização características da folia burguesa. As sociedades carnavalescas por sua vez, passaram a incorporar boa parte dos ritmos e sonoridades típicos das brincadeiras populares.[carece de fontes?]
O resultado de tudo isso é que as ruas do Rio de Janeiro veriam surgir toda uma variedade de grupos, representando todos os tipos de interinfluências possíveis. É essa multiplicidade de formas carnavalescas, essa liberdade organizacional dos grupos que faria surgir uma identidade própria ao carnaval carioca. Uma identidade forjada nas ruas, entre diálogos e tensões.
O carnaval da capital francesa foi um dos elementos de influência, fazendo com que a folia do Rio de Janeiro rapidamente apresente bailes mascarados aos moldes parisienses. Inicialmente promovidos ou incentivados pelas Sociedades Dançantes que existiam na cidade (como a Constante Polka, por exemplo) esses bailes acabariam por ser suplantados pelos bailes públicos, como o famoso baile público do Teatro São Januário promovido por Clara Delmastro.
O grande sucesso dos bailes acabaria por incentivar outras formas de diversão, como os passeios ou promenades aos moldes do então já quase extinto carnaval romano. A ideia de se deslocar para os bailes em carruagens abertas seduzia a burguesia, que via, aí, uma oportunidade de exibir suas ricas fantasias ao povo e "civilizar" o carnaval de feição 'entruda'.
O povo carioca assistia deslumbrado a esses cortejos sem, entretanto, se furtar a saudar com seus limões de cheiro os elegantes mascarados. A tensão decorrente desse embate carnavalesco faria com que a elite procurasse organizar cada vez mais seus passeios através da reunião de um grande número de carruagens e da presença ostensiva de policiamento incorporado aos desfiles.
Aos poucos essas promenades acabariam por adquirir uma certa independência em relação aos bailes até que, em 1855, um grupo de cidadãos notáveis organizaria aquele que ficou conhecido como o primeiro passeio de uma sociedade carnavalesca por uma cidade brasileira: o desfile do Congresso das Sumidades Carnavalescas. O sucesso desse evento abriria as portas para o surgimento de dezenas de sociedades carnavalescas que, em poucos anos, já disputariam entre si o exíguo espaço do centro da cidade durante os dias de carnaval.
Blocos e Cordões do carnaval de rua
O Rio de Janeiro é a cidade que, podemos dizer, tem mais tradição quando o assunto é blocos de rua. Desde meados do século XIX, as pessoas saiam às ruas na cidade maravilhosa para se divertir e pular o carnaval em qualquer tipo de organização (ou desorganização).
Nos anos 30, o prefeito Pedro Ernesto oficializou o Carnaval carioca. E a partir daí, a cidade passou a brincar também em grupos de categorias separadas, como blocos, ranchos, cordões, Zé Pereiras, corso e sociedades. Grupos mais organizados e com muitos participantes.
O carnaval de rua sempre começa antes da data oficial, entre os dias 15 e 22 de janeiro; a partir desse período os blocos começam a sair às sextas-feiras e fins de semana e no dia de São Sebastião. Os primeiros blocos a sair são sempre: Aconteceu..., Bloco da Preta, Céu na Terra, Em Cima da Hora, Ih! É Carnaval, Me Enterra na Quarta; entre outros. Atualmente, o carnaval popular da cidade tem nos blocos Afroreggae, Banda de Ipanema, Bagunça Meu Coreto, Bangalafumenga, Boêmios de Irajá, Cordão da Bola Preta, Carmelitas, Empolga às 9, Escravos da Mauá, Herdeiros da Vila, Me Beija Que Eu Sou Cineasta, Monobloco, Orquestra Voadora, Quizomba, Sargento Pimenta, Vaga lume o Verde, Vai Barrar? Nunca!, Volta Alice entre outros.
Foram uma manifestação comum entre a década de 1930 e a década de 1990, quando se encerrou o desfile competitivo. Desfilaram pela última vez em 2017 os clubes Flôr do Estácio, Frevo Comunidade da Raia, Frevo Santa Teresa e Alegria do Rio.