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Casimiro de Abreu

Poeta fluminense

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Casimiro José Marques de Abreu (Casimiro de Abreu, 4 de janeiro de 1839 – Casimiro de Abreu, 18 de outubro de 1860) foi um poeta, dramaturgo, romancista e ensaísta brasileiro, identificado com a segunda geração do romantismo no Brasil. Foi um dos poetas mais populares no Brasil durante o século XIX, conhecido pelo seu lirismo ingênuo, pueril e musical. É o patrono da cadeira número seis da Academia Brasileira de Letras, fundada por Teixeira de Melo.

Casimiro nasceu no dia 4 de janeiro de 1839, na cidade que hoje leva o seu nome. Filho do fazendeiro português José Joaquim Marques de Abreu e de Luísa Joaquina das Neves, que não eram oficialmente casados, passou a infância na fazenda da mãe e fez os estudos primários em Nova Friburgo. Em 1852, foi para o Rio de Janeiro com o pai para trabalhar no comércio, e, no ano seguinte, viajou com ele para Portugal.

Em Lisboa, deu início à sua vida literária, publicando ensaios, peças dramáticas e romances em folhetim, com destaque para a peça Camões e o Jau, representada em 1856 com grande sucesso. Em 1857, retornou ao Rio de Janeiro, onde passou a frequentar as rodas literárias da cidade e colaborou com diversos periódicos.

Em 1859, publicou As Primaveras, reunindo toda a sua produção lírica. O livro alcançou grande fama pelo país, não só pelo prestígio do poeta nos círculos literários cariocas, mas também pela atividade de caixeiros-viajantes, que difundiram seus poemas "para fora da Corte, nas províncias mais distantes, inclusive em edições portuguesas não-autorizadas", como conta Vagner Camillo. No ano seguinte, morreu na cidade natal, vítima de tuberculose.

Segundo a Academia Brasileira de Letras, a obra de Casimiro tem como temas principais "a nostalgia da infância, a saudade da terra natal, o gosto da natureza, a religiosidade ingênua, o pressentimento da morte, a exaltação da juventude, a devoção pela pátria e a idealização da mulher amada", sendo "condicionada estreitamente pelo universo do burguês brasileiro da época imperial, das chácaras e jardins (...) onde se caça passarinho quando criança, onde se arma a rede para o devaneio ou se vai namorar quando rapaz", enquadrando-se, assim, na segunda geração do romantismo brasileiro. Segundo Fausto Cunha, "Casimiro de Abreu vinha propor uma linguagem perfeitamente de acordo com o pathos da época (...) de grande maleabilidade, poder de infiltração e virtualidades mnemônicas".

O seu poema mais famoso é Meus oito anos, que, segundo Jean Pierre Chauvin, "está gravado em nossa memória coletiva". Segundo Manuel Bandeira, "ninguém tampouco exprimiu melhor as saudades da infância do que o fez o poeta fluminense nas oitavas dos Meus oito anos".

Outro poema bastante celebrado de Casimiro é A valsa, onde, segundo Jean Pierre Chauvin, "a musicalidade dos salões é exemplarmente retratada".

Apesar de todo o seu prestígio, a obra de Casimiro é bastante criticada por conta do seu lirismo simples e pueril. Segundo Bandeira, "formou-se em torno de Casimiro de Abreu um juízo de todo injusto, a que infelizmente deu força a opinião de nomes prestigiosos". O professor Massaud Moisés, por exemplo, utilizou o poeta como exemplo da má qualidade geral da poesia lírica, classificando-o como "poeta sem problema, ou de problema visível e equacionável", que "somente atinge as camadas líricas mais imediatas, centrado numa egolatria ou num transe moral próprio da adolescência". Ainda assim, a maioria dos críticos concorda com o alto valor da sua obra, sendo que Massaud Moisés reconhece que "o poeta brasileiro escreveu poemas de maior ressonância lírica", a exemplo de Amor e Medo, provavelmente o seu poema mais celebrado entre críticos.

Camões e o Jau, teatro (1856).

Casimiro de Abreu (município do Rio de Janeiro)

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