O Castelo de Montségur localiza-se na comuna de Montségur, no Departamento do Ariège, na região de Midi-Pyrénées,sudoeste da França.
Situa-se no topo da montanha, a 1207 metros de altitude, em posição dominante sobre a vila. Atualmente é considerado como um dos castelos cátaros.
Com efeito, este castelo foi implantado no local arrasado da antiga aldeia fortificada que constituía, até ao cerco de 1244, o local de resistência dos cátaros. As cotas arquiteturais demonstram que o atual castelo foi construído com base na antiga medida da vara inglesa que apenas foi introduzida ulteriormente, o que demonstra que este foi parcialmente reconstruído pela família do novo senhor de seus domínios, o Marechal da Fé Guido II de Lévis, após a sujeição dos cátaros em 16 de março de 1244.
O sítio do atual castelo conheceu três grandes épocas construtivas, ao longo das quais a fortificação evoluiu.
Uma primitiva estrutura foi erigida no cume da montanha (denominado em língua francesa como "pog") da qual não se sabe muito a não ser que se encontrava em ruínas por volta de 1204, data na qual aquela vila foi fortificada sob a direção de Raimundo de Péreille. A esta vila fortificada, ou castro, os arqueólogos denominaram de Montségur II.
O dispositivo defensivo desta fortificação era diferente daquele que observamos atualmente. O castro, em si mesmo, compreendia a residência fortificada do senhor dos domínios, o castelo (que foi, sem dúvida, restaurado pela casa de Lévis obtendo a sua conformação atual) e a vila cátara da época, envolvidas por uma cintura fortificada. Do lado da atual via, sobressaem três muros de defesa, onde o primeiro se situa ao nível do local onde hoje se adquirem as entradas para as visitas pagas ao castelo. Em uma outra face do "pog", a cerca de oitocentos metros, se ergue uma torre de vigia, (sobre a rocha de "La Tour") dominando uma falésia de oitenta metros de altura. A entrada do castro sob esta torre é defendida por uma barbacã. No interior do recinto da fortificação se erguia uma vila da qual nada mais resta do que alguns terraços a Noroeste do atual castelo. Sobre estes últimos, encontram-se as fundações de muitas habitações, de escadas para comunicação entre os terraços, uma cisterna e um silo.
Montségur abrigou uma importante comunidade cátara. Em 1215, o Quarto Concílio de Latrão denunciou a fortificação como um reduto de heréticos. Em 1229, o papel de Montségur como um abrigo para a Igreja Cátara foi reafirmado pelo Tratado de Meaux-Paris de 1229. A partir de 1232 este papel não cessou de se reafirmar. Paralelamente, o castelo acolheu igualmente os cavaleiros faiditas, que haviam perdido as suas terras pelo Tratado de 1229. Entre estes últimos destacam-se os nomes de Pierre-Roger de Mirepoix, primo de Raimundo de Péreille, que veio a ser o comandante militar de Montségur.
Na primeira metade do século XIII, a fortificação de Montségur sofreu nada menos do que quatro assédios, dos quais apenas um logrou sucesso:
1212 - Guy de Montfort, irmão de Simón IV de Montfort tentou um primeiro assalto;
1213 - Simón IV de Montfort repetiu a tentativa;
Julho de 1241 - Raymond VII de Toulouse, sob as ordens de Luís IX de França começou um cerco que levantou sem mesmo tentar um assalto;
1243 – 1244 - Hugues d’Arcis, senescal de Carcassonne, conduziu o último cerco.
Este último foi desencadeado pelo massacre de alguns inquisidores em Avignonet (1242) por um grupo de cerca de sessenta homens procedentes da guarnição de Montségur. O senescal de Carcassonne e o arcebispo de Narbona (Pierre Amiel) foram incumbidos de assediar a fortificação, por ordens de Branca de Castela e Luís IX. Em maio de 1243, os cruzados, em número que ascendia a seis mil homens, cercaram Montségur.
O equilíbrio de forças durou até ao Natal de 1243, quando um punhado de "alpinistas" logrou, após uma audaciosa escalada noturna, assenhorear-se da torre de vigia. A partir deste momento, um "trébuchet" foi içado e ali instalado, passando a atirar, sem descanso, sobre a posição cercada, conforme o testemunham as inúmeras bolas de pedra cortada encontradas no sítio. Cerca de um mês mais tarde, talvez após uma traição local, a barbacã caiu nas mãos dos assaltantes. Um último assalto, lançado em fevereiro foi rechaçado, mas deixando os defensores extremamente enfraquecidos.
A 1 de março de 1244, Pierre-Roger de Mirepoix se viu forçado a negociar a rendição da praça-forte. Os termos foram os seguintes:
a vida dos soldados e dos leigos seria poupada;
os "perfeitos" que negassem a sua fé seriam salvos;
uma trégua de quinze dias foi acordada, para que os cátaros que desejassem se preparar e receber os últimos sacramentos.