Catarina Parr (Londres, 1512 – Winchcombe, 5 de setembro de 1548) foi a sexta e última esposa do rei Henrique VIII e Rainha Consorte do Reino da Inglaterra e Reino da Irlanda de 1543 até 1548.
Tinha um bom relacionamento com os três filhos de Henrique VIII e contribuiu de perto para a educação de Isabel e Eduardo – ambos, mais tarde, acabaram tornando-se monarcas da Inglaterra. Teve, ainda, bastante influência sobre o marido na questão do Terceiro Ato de Sucessão, de 1543, que colocou as princesas Maria e Isabel de volta à linha de sucessão ao trono.
De julho a setembro de 1544, enquanto Henrique estava em uma campanha militar na França, Catarina foi nomeada regente. Em caso de morte do rei, ela permaneceria como regente até que o príncipe Eduardo atingisse a maioridade. Apesar disso, em seu testamento, Henrique não deixou nenhuma função no governo para a rainha. Por conta de sua simpatia por causas protestantes, Catarina despertou a inimizade de poderosas autoridades católicas, que, em 1546, numa tentativa de colocar o rei contra Catarina, chegaram a elaborar um mandado de prisão contra ela; no entanto, logo o rei e ela se reconciliaram. Catarina publicou um livro, Prayers or Meditations – tornando-se a primeira rainha inglesa a publicar uma obra usando o verdadeiro nome. Após a morte de Henrique, ela publicou The Lamentations of a Sinner e também assumiu o papel de guardiã de Isabel.
Seis meses depois da morte de Henrique VIII, Catarina casou-se, pela quarta e última vez, com Tomás Seymour, 1.º Barão Seymour de Sudeley. O casamento foi breve, uma vez que Catarina morreu em setembro de 1548, provavelmente devido a complicações resultantes do parto.
Catarina Parr pertencia a uma família proeminente da pequena nobreza do norte da Inglaterra. Assim como a família da segunda esposa de Henrique VIII, Ana Bolena, os Bolena, a família de Catarina ascendeu graças ao favor real e a casamentos vantajosos. Catarina era de origem mais nobre do que tanto Ana Bolena quanto Joana Seymour, esposas anteriores de Henrique VIII, e sua família estava mais solidamente estabelecida na corte. Ela era a filha mais velha sobrevivente de sir Tomás Parr, proprietário da mansão de Kendal, em Westmorland (atualmente Cumbria), descendente de Eduardo III; e de sua esposa, Maud Green (1492–1531), filha e herdeira de sir Tomás Green, lorde de Greens Norton, de Northamptonshire. Catarina tinha um irmão mais novo, Guilherme Parr, que viria a ser elevado ao título de marquês de Northampton, e uma irmã, Ana Herbert, condessa de Pembroke. Sir Tomás foi xerife de Northamptonshire, Master of the Wards e Comptroller na corte de Henrique VIII. Sir Tomás Parr era considerado um amigo próximo do rei. Assim como sir Tomás Bolena, 1.º Conde de Wiltshire e sir João Seymour, pais de duas das esposas anteriores do rei, ele participou da Batalha das Esporas, na França, em 1513. A mãe de Catarina, lady Parr, era amiga íntima e dama de companhia da rainha Catarina de Aragão, e estudiosos sugerem que Catarina teria sido batizada em homenagem à rainha, que também foi sua madrinha.
Catarina Parr nasceu em 1512. Pesquisas anteriores afirmavam que ela teria nascido no castelo da família em Kendal, Westmorland, na Inglaterra. No entanto, na época de seu nascimento, o Castelo de Kendal já se encontrava em estado precário e foi oficialmente abandonado em 1572. Durante a gravidez de Maud Parr, ela residia na corte, como integrante da comitiva da rainha, e a família provavelmente vivia então em sua residência em Blackfriars, Londres. Hoje, os historiadores consideram altamente improvável que sir Tomás Parr tenha ordenado à esposa que realizasse uma desgastante viagem de mais de duas semanas por estradas perigosas para dar à luz em um castelo deteriorado no qual nenhum deles parece ter residido de fato. O pai de Catarina faleceu quando ela ainda era jovem, e ela foi criada muito próxima de sua mãe.
A educação inicial de Catarina seguiu os padrões da época para uma jovem da nobreza: etiqueta, heráldica e habilidades sociais, além das competências domésticas que eram consideradas essenciais para meninas. No entanto, ela desenvolveu uma paixão pelo aprendizado, que manteve por toda a vida. Falava fluentemente francês, latim e italiano, e, já como rainha, escolheu estudar espanhol. A segunda esposa de Henrique, Ana Bolena, é frequentemente mencionada como uma mulher notavelmente culta para seu tempo, devido à sua estadia na corte francesa e na companhia de Margarida de Navarra. Contudo, segundo o historiador David Starkey, Catarina provavelmente recebeu uma educação ainda mais sofisticada. Quando criança, Catarina não gostava de bordado e teria ironicamente dito à mãe: "Minhas mãos foram feitas para tocar coroas e cetros, não fusos e agulhas".
Durante muito tempo, historiadores acreditaram que Catarina teria se casado, aos dezessete anos, com o mais velho Eduardo Burgh, 2.º Barão Burgh, por volta de 1529. No entanto, com a publicação de The Wives of Henry VIII de Antonia Fraser em 1994, e a obra de David Starkey sobre as seis esposas do rei em 2004, foi possível identificar corretamente o primeiro marido de Catarina como Sir Eduardo Borough. O equívoco originou-se com a historiadora do século XIX Agnes Strickland e sua obra sobre as esposas de Henrique VIII.
Após a morte de Tomás Parr, em 1517, coube a sua esposa, Maud, garantir o futuro dela e de seus filhos. Ela tentou negociar um casamento entre Catarina e o lorde Scrope de Bolton. Contudo, ao conseguir noivar seu filho com Ana Bourchier, única filha e herdeira do conde de Essex, Maud não pôde oferecer a Catarina um dote à altura, e o plano fracassou. Ao examinarem documentos como o testamento de Maud Parr, as historiadoras Susan James e Linda Porter confirmaram que Catarina se casou com o neto do segundo barão, também chamado Eduardo. Sir Eduardo Borough era o filho mais velho do primogênito do segundo barão, Tomás Burgh, 1.º Barão Burgh. No testamento de maio de 1529, Maud Parr agradece a sir Tomás Borough, cavaleiro, pelo casamento da filha. À época do casamento de seu filho, Tomás tinha 35 anos, o que indica que sir Eduardo Borough, marido de Catarina, era de idade semelhante à dela. Eduardo tinha cerca de vinte anos e, possivelmente, saúde frágil. Atuou como assistente jurídico de Thomas Kiddell e como juiz de paz. Seu pai, sir Tomás, que era camarista de Ana Bolena, garantiu para si e seus herdeiros uma carta de privilégio para administrar a mansão em Soke, Kirton in Lindsey. Sir Eduardo Borough faleceu na primavera de 1533, antes de herdar o título de lorde (Barão) Borough.
As fontes indicam que Catarina passou o ano de 1533 com Catarina Neville, viúva de seu primo sir Valter Strickland, na residência deste, o Castelo de Sizergh, em Westmorland (atualmente Cumbria). Catarina não era apenas parente da família Neville por ancestrais comuns, mas também por casamento. Sua parente Inês Parr casou-se com sir Tomás Strickland, filho de sir Valter e Dulce Crofte. Lady Strickland também era aparentada com o futuro marido de Catarina, João Neville, lorde Latimer.
No verão de 1534, Catarina Parr casou-se novamente, desta vez com João Neville, lorde Latimer, senhor da mansão de Snape em North Yorkshire. Lorde Latimer tinha 40 anos, o dobro da idade de Catarina. Era primo em segundo grau do pai de Catarina e descendente de Jorge Neville, 1.º Barão Latimer, tio de Warwick, o "Fazedor de Reis". Latimer já era viúvo duas vezes e, de seu primeiro casamento com Doroteia de Vere, irmã de João de Vere, 16.º conde de Oxford, tinha dois filhos: João e Margarida. João Neville era um dos quinze filhos que Ricardo Neville, 2.º Barão Latimer, teve com Ana Stafford, filha de sir Hunfredo Stafford. O ramo de Latimer da família Neville era o principal pretendente ao título de conde de Warwick, o que gerou conflitos familiares e rivalidade entre irmãos. Quando se casou com Catarina, seus irmãos mais novos o processaram. Assim, o casamento ocorreu em um momento de dificuldades financeiras para Latimer.