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Ceife Adaulá

Ali ibne Abu Alhaija Abedalá ibne Hamadane ibne Alharite Ataglibi (em árabe: علي بن أبو الهيجاء عبد الله بن حمدان بن الح

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Ali ibne Abu Alhaija Abedalá ibne Hamadane ibne Alharite Ataglibi (em árabe: علي بن أبو الهيجاء عبد الله بن حمدان بن الحارث التغليبي‎‎; romaniz.: ʿAlī ibn Abū al-Hayjāʾ ʿAbd Allāh ibn Ḥamdān ibn al-Ḥārith at-Taghlibī), mais conhecido por seu lacabe (epíteto honorífico) Ceife Adaulá (سيفُ الدولة, Sayf al-Dawla; "espada da dinastia"), foi o fundador do Emirado de Alepo, que compreendeu boa parte do norte da Síria e porções do oeste da Jazira, e o irmão de Haçane ibne Abedalá ibne Hamadane (melhor conhecido como Nácer Adaulá).

O membro mais proeminente da dinastia, Ceife Adaulá originalmente serviu sob seu irmão mais velho nas tentativas do último de estabelecer seu controle sobre o fraco governo abássida em Bagdá durante o começo da década de 940. Após falhar nesses empreendimentos, o ambicioso Ceife Adaulá virou-se à Síria, onde confrontou as ambições dos iquíxidas do Egito para controlar a província. Após duas guerras com eles, sua autoridade sobre o norte da Síria, centrada em Alepo, e no oeste da Jazira, centrada em Maiafarquim, foi reconhecida pelos iquíxidas e o califa. Uma série de rebeliões tribais atormentaram seu reino até 955, mas foi bem-sucedido em suprimi-las e manter a aliança das mais importantes tribos árabes. A corte de Ceife Adaulá em Alepo tornou-se centro de uma vida cultural vibrante, e o círculo literário que reuniu em torno de si, incluindo o grande Almotanabi, ajudou-lhe a assegurar sua fama pela posteridade.

Ceife Adaulá foi amplamente celebrado por seu papel nas Guerras bizantino-árabes, enfrentando um Império Bizantino ressurgente que no começo do século X havia começado a reconquistar territórios muçulmanos. Nessa luta contra um inimigo muito superior, lançou raides fundo em território bizantino e conseguiu alguns poucos sucessos, e no geral manteve a vantagem até 955. Depois disso, o novo comandante bizantino, Nicéforo Focas, e seus tenentes lideraram uma ofensiva que quebrou o poder hamadânida. Os bizantinos anexaram a Cilícia e ocuparam Alepo brevemente em 962. Os anos finais de Ceife Adaulá foram marcados por derrotas militares, sua incapacidade crescente como resultado de uma enfermidade, e um declínio em sua autoridade que levou a revoltas de alguns de seus tenentes mais íntimos. Ele morreu no começo de 967, deixando um reino muito enfraquecido, que cerca de 969 perdeu Antioquia e o litoral sírio para os bizantinos e tornou-se tributário imperial.

Ceife Adaulá nasceu em 9 de fevereiro de 916 e se chamava Ali ibne Abedalá. Era o segundo filho Abedalá Abu Alhaija ibne Hamadane (m. 929), filho de Hamadane ibne Hamadune, que deu seu nome a dinastia hamadânida. Os hamadânidas foram um ramo dos taglibitas, uma tribo árabe residente na área da Jazira (Mesopotâmia Superior) desde tempos pré-islâmicos. Os taglibitas tradicionalmente controlaram Moçul e sua região até o final do século IX, quando o governo abássida tentou impor um controle mais firme sobre a província. Hamadane ibne Hamadune foi um dos mais determinados líderes taglibitas a opor-se a este movimento. Notadamente, em seu esforço para afastar os abássidas, assegurou uma aliança dos curdos residentes nas montanhas ao norte de Moçul, um fato que seria de considerável importância na fortuna posterior de sua família. Os membros da família casaram com curdos, que foram também proeminentes no exército hamadânida.

Hamadane foi derrotado em 895 e preso com seus parentes, mas seu filho Huceine ibne Hamadane conseguiu assegurar a fortuna da família. Ele reuniu tropas para o califa entre os taglibitas em troca de remissões tributárias, e estabeleceu um comando influente na Jazira ao atuar como mediator entre as autoridades abássidas e a população árabo-curda. Foi essa forte base local que permitiu a família sobreviver sua relação frequentemente tensa com o governo central abássida em Bagdá durante o começo do século X. Huceine foi um general bem-sucedido, distinguindo-se contra os carijitas e tulúnidas, mas foi desonrado após apoiar uma usurpação falha de Abedalá ibne Almutaz em 908. Seu irmão mais jovem Ibraim foi governador de Diar Rebia (a província em torno de Nísibis) em 919 e após sua morte no ano seguinte foi sucedido por outro irmão, Daúde. O pai de Ceife Adaulá, Abedalá, serviu como emir (governador) de Moçul em 905/6-913/4, foi repetidamente desonrado e reabilitado, até reassumir controle de Moçul em 925/6. Gozando de firmes relações com o poderoso Munis Almuzafar, mais tarde desempenhou um papel relevante na usurpação de curta duração de Alcair contra Almoctadir (r. 908–932) em 929, e foi morto durante sua supressão.

Apesar do fracasso do golpe e sua morte, Abedalá foi capaz de consolidar seu controle sobre Moçul, tornando-se o fundador virtual de um emirado hamadânida lá. Durante sua longa ausência em Bagdá em seus anos finais, Abedalá relegou a autoridade sobre Moçul para seu filho mais velho, Haçane, o futuro Nácer Adaulá. Após a morte de Abedalá, a posição de Haçane em Moçul foi ameaçada por seus tios, e não foi até 935 que ele foi capaz de assegurar a confirmação por Bagdá de seu controle sobre Moçul e a Jazira inteira até a fronteira bizantina.

Início da carreira sob Haçane Nácer Adaulá

Ali ibne Abedalá começou sua carreira sob seu irmão. Em 936, Haçane convidou-o para seu serviço, prometendo-lhe o governo de Diar Baquir (a região em torno de Amida) em troca de sua ajuda contra Ali ibne Jafar, o governador rebelde de Maiafarquim. Ali ibne Abedalá foi bem-sucedido em evitar que ibne Jafar recebesse a assistência de seus aliados armênios, e também assegurou controle sobre as porções setentrionais da província vizinha de Diar Modar após subjugar as tribos cais da região em torno de Saruje. Dessa posição, também lançou expedições para ajudar os emirados muçulmanos da zona fronteiriça bizantina (o tugur) contra os avanços bizantinos, e interveio na Armênia para reverter a influência bizantina crescente.

No meio tempo, Haçane envolveu-se nas intrigas da corte abássida. Desde o assassinato do califa Almoctadir em 932, o governo abássida tinha tudo mas colapsou, e em 936 o poderoso governador de Uacite, Maomé ibne Raique, assumiu o título de emir de emires ("comandante de comandantes") e com ele de facto controlou o governo. O califa Arradi (r. 934–940) foi reduzido a um papel figurativo, enquanto a extensiva e velha burocracia civil foi drasticamente reduzido em tamanho e poder. A posição de ibne Raique era nada além de seguro, contudo, logo uma complicada luta pelo controle do ofício de emir de emires, e o califado com ele, eclodiu entre os vários governantes locais e os chefes militares turcos, que terminou em 946 com a vitória dos buídas.

Haçane inicialmente apoiou ibne Raique, mas em 942 assassinou-o e assegurou para si o posto de emir de emires, recebendo o lacabe honorífico de Nácer Adaulá ("defensor da dinastia"). Os albáridas, a família local de Baçorá, que também desejava controlar o califa, continuou a resistir, e Nácer Adaulá agora enviou Ali contra eles. Depois de conseguir uma vitória sobre Abu Huceine Albaridi em Almadaim, Ali foi nomeado governador de Uacite e recompensado com o lacabe de Ceife Adaulá ("espada da dinastia") pelo qual se tornou famoso. Essa dupla recompensa aos irmãos hamadânidas marcou a primeira vez que um lacabe incorporando o prestigioso elemento Adaulá foi conferido a alguém diferente do vizir, o ministro chefe califal.

O sucesso dos hamadânidas foi de curta duração, contudo. Eles estavam politicamente isolados, e encontraram pouco apoio entre os mais poderosos vassalos do califado, os samânidas da Transoxiana e Maomé ibne Tugueje do Egito. Consequentemente, quando em 943 um motim sobre problemas de pagamento eclodiu entre suas tropas (sobretudo composta de turcos, dailamitas, cármatas e apenas alguns poucos árabes), sob a liderança do turco Tuzum, eles foram forçados a fugir de Bagdá. O califa Almutaqui (r. 940–944) nomeou Tuzum como emir de emires, mas logo brigou com ele e fugiu ao norte para procurar a proteção hamadânida. Tuzum, contudo, derrotou Nácer Adaulá e Ceife Adaulá no campo, e em 944 um acordo foi concluído que permitiu os hamadânidas manter a Jazira e mesmo ganhar a autoridade nominal sobre o norte da Síria (que à época não estava sobre controle da família), em troca de um grande tributo. Dai em diante, Nácer Adaulá seria tributário de Bagdá. Contudo, suas tentativas contínuas para controlar Bagdá levaram a um conflito com os buídas. Posteriormente, em 958/9, Nácer Adaulá seria forçado a procurar refúgio na corte de seu irmão, antes de Ceife Adaulá poder negociar seu retorno para Moçul com o emir buída Muize Adaulá.

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