Chéquia ou Tchéquia (em checo, Česko, pronunciado: [ˈtʃɛsko]), oficialmente República Checa ou República Tcheca (em tcheco/checo: Česká republika, pronunciado: [ˈt͡ʃɛskaː ˈrɛpuˌblɪka] ()) é um país da Europa Central, limitado ao norte pela Polónia e pela Alemanha; a leste, pela Eslováquia; ao sul, pela Áustria; a oeste, pela Alemanha. A capital do país é Praga, que também é sua maior e mais populosa cidade. A Boémia, na parte ocidental do país, é cercada por morros baixos e forma uma bacia drenada pelo Labe (Elba) e Moldava (Vltava). Morávia, a parte oriental também é montanhosa e é banhada pelo rio Morava. Silésia, a parte do norte da Morávia, entre a Morávia e a Polônia.
Depois da Batalha de Mohács em 1526, o Reino da Boêmia foi gradualmente integrado na Monarquia de Habsburgo como uma de suas três partes principais, ao lado do Arquiducado da Áustria e o Reino da Hungria. A Revolta Boêmia (1618–1620), contra os Habsburgos católicos, levou à Guerra dos Trinta Anos, após a qual a monarquia consolidou sua regra, reimposta ao catolicismo, e adotou uma política de gradual germanização. Com a dissolução do Sacro Império Romano em 1806, o reino da Boêmia tornou-se parte do Império Austríaco. No século XIX, as terras checas tornaram-se a potência industrial da monarquia e do núcleo da República da Checoslováquia (Tchecoslováquia), que foi formada em 1918, após o colapso do Império Austro-Húngaro após a Primeira Guerra Mundial. Depois de 1933, a Checoslováquia permaneceu como a única democracia na Europa Central.
Na sequência do Acordo de Munique e da anexação polonesa de Zaolzie, a Checoslováquia caiu sob ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1945, uma grande parte do país foi libertado pelo Exército Vermelho, e a gratidão subsequente para os soviéticos, combinada com a desilusão com o Ocidente por não intervir, levou o Partido Comunista da Tchecoslováquia a alcançar a vitória nas eleições de 1946. Após o golpe de Estado em 1948, a Checoslováquia tornou-se um Estado comunista de partido único sob a influência soviética. Em 1968, aumentando a insatisfação com o regime, culminou com um movimento de reforma conhecido como a Primavera de Praga, que terminou com uma invasão dos exércitos dos países do Pacto de Varsóvia (com exceção da Roménia). A Checoslováquia permaneceu ocupada até 1989 quando, através da Revolução de Veludo, o regime comunista caiu e uma república parlamentar multipartidária foi formada. Em 1 de janeiro de 1993, a Checoslováquia pacificamente dissolveu-se em seus estados constituintes: a República Checa e a República Eslovaca.
A Chéquia é um país desenvolvido com economia avançada e com padrões de vida elevados. A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica o país como o 14.º no desenvolvimento humano ajustado à desigualdade. A Chéquia também classifica-se como o quinto país mais pacífico na Europa, ao conseguir o melhor desempenho em governança democrática e mortalidade infantil na região. É uma democracia representativa parlamentar pluralista com a adesão na União Europeia em maio de 2004, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e do Conselho da Europa.
O nome tradicional "Boêmia" deriva do latim Boiohaemum, que significa "casa do Boii". O nome atual em português vem do exônimo francês République tchèque, que por sua vez vem da palavra checa Čech. O nome vem da tribo eslava (checos, em tcheco/checo: Čechové) e, segundo a lenda, o seu líder Čech, que os trouxe para Boêmia, para se assentar na montanha Říp. A etimologia da palavra Čech pode ser rastreada até a raiz protoeslava *čel-, que significa "membro do povo; parente", tornando-se assim cognato à palavra checa člověk (uma pessoa).
Depois do colapso da Monarquia dos Habsburgo, que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, os checos e os seus vizinhos eslovacos juntaram-se e formaram a república independente da Checoslováquia em 1918. O primeiro presidente da Checoslováquia foi Tomás Masaryk.
Com a Segunda Guerra Mundial e a rendição das tropas alemãs, a país foi liberado e depois transformado em um Estado comunista após o Partido Comunista da Tchecoslováquia, liderado por Klement Gottwald, ascender ao poder em 1948.
Em novembro de 1989, a Checoslováquia voltou a ser uma democracia liberal através da pacífica "Revolução de Veludo". No entanto, as aspirações nacionais eslovacas foram reforçadas e, em 1 de janeiro de 1993, o país pacificamente dividiu-se nas independentes Chéquia e Eslováquia. Ambos os países passaram por reformas econômicas e privatizações, com a intenção de criar uma economia de mercado. Este processo foi geralmente bem-sucedido; em 2006, a Chéquia foi reconhecida pelo Banco Mundial como um "país desenvolvido" e, em 2009, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) classificou a nação na categoria "Desenvolvimento Humano Muito Alto".
A Chéquia tem um clima temperado-continental, com verões moderados e invernos frios, nublados e com neve. A diferença de temperatura entre o verão e o inverno é relativamente elevada, devido à posição geográfica do país, que não tem litoral.
A temperatura mais baixa já medida foi em Litvínovice perto de České Budějovice, em 1929, a -42,2 °C e as mais quentes medidos chegaram a 40,4 °C em Dobřichovice em 2012.
O índice pluviométrico é maior durante o verão. Chuvas esporádicas são relativamente constantes ao longo do ano (em Praga, o número médio de dias por mês com ao menos 0,1 mm de chuva varia de 12 em setembro e outubro para 16 em novembro), mas chuvas intensas (dias com mais de 10 mm por dia) são mais frequentes nos meses de maio a agosto (média em torno de dois desses dias por mês).
Em 2021, a população do país era estimada em 10,5 milhões de pessoas. De acordo com o censo de 2011, a maioria dos habitantes da Chéquia são os checos (57,3%), seguido pelos moravianos (3,4%), eslovacos (0,9%), poloneses (0,3%), russos (0,2%), alemães (0,1%) e silesianos (0,1%). Como a "nacionalidade" era um item opcional, um número substancial de pessoas deixaram o campo em branco (26,0%). De acordo com algumas estimativas, existem cerca de 250 mil ciganos no país.
Havia 1 113 698 estrangeiros residentes no país em setembro de 2022, de acordo com o Serviço de Estatística Checo, sendo que os maiores grupos eram os ucranianos (635 857), eslovacos (117 265), vietnamitas (66 297), russos (43 298), poloneses (17 884), alemães (14 032), búlgaros (17 673), estadunidenses (9 745), romenos (19 724), moldavos (7 157), chineses (7 916), britânicos (7 928), mongóis (11 959), cazaques (9 145) e bielorrussos (7 863).
O catolicismo foi a principal religião da Chéquia (96,5% em 1910). Porém, começou a declinar após a I Guerra Mundial e a dissolução do Império Áustro-Húngaro, devido a um movimento popular antiaustríaco e anticlerical. Durante o regime comunista sob a Tchecoslováquia, as propriedades da Igreja foram confiscadas e a atuação religiosa supervisionada. Com o fim do comunismo, em 1991, 39% dos checos ainda eram católicos, mas a porcentagem vem declinando ininterruptamente, chegando a apenas 10% de católicos em 2011 (praticamente a mesma porcentagem de católicos da Inglaterra, um país de maioria protestante).
As leis que estabelecem a liberdade religiosa foram criadas pouco após a revolução de 1989, revogando as leis que a cerceavam, promovidas pelo regime comunista. Apesar disso, a Chéquia tem uma das populações menos religiosas do mundo, sendo o país com a terceira população mais ateia do mundo, atrás apenas da China e do Japão. Historicamente, o povo checo tem sido caracterizado como "tolerante e até mesmo indiferente à religião". Segundo o censo de 2021, 47,8% da população declarou que não tinha religião, 9,3% era católica romana, 0,5% era protestante e 9% seguidora de outras formas de religião. 30,1% da população não respondeu à pergunta sobre religião.
A promoção de ideias comunistas foi proibida na Chéquia desde 2025 e é punível com até cinco anos de prisão.