Chade, também chamado de Tchade (em árabe: تشاد, lit. 'Tshād'; em francês: Tchad), oficialmente República do Chade (em árabe: جمهوريّة تشاد; romaniz.: Jumhūriyyat Tshād; em francês: République du Tchad) é um país sem acesso ao mar, localizado no centro-norte da África. Faz fronteira com a Líbia a norte, com o Sudão a leste, com a República Centro-Africana a sul, com Camarões e Nigéria a sudoeste e com o Níger a oeste. Encontra-se dividido em três grandes regiões geográficas: a zona desértica no norte, o cinturão árido do Sael no centro e a savana sudanesa fértil no sul. O Lago Chade, do qual o país obteve o seu nome, é o segundo maior corpo de água da África e o maior do país. O ponto mais alto do Chade é o Emi Koussi no Deserto do Saara. Sua capital e cidade mais populosa é Jamena. O país abriga mais de duzentas etnias. Os idiomas oficiais são o árabe e o francês, enquanto as religiões oficiais são o islã e o cristianismo.
O território chadiano começou a ser ocupado de forma numerosa há nove mil anos, com vários estados e impérios desaparecendo na zona central do país por volta de três mil anos atrás - todos eles dedicados a controlar as rotas do comércio transaariano que cruzavam a região. No século XIX, com a Conferência de Berlim, a França conquistou e colonizou este território e o incorporou à África Equatorial Francesa. Em 11 de agosto de 1960, a independência foi proclamada, pela liderança de François Tombalbaye. Em 1965, revoltas contra a política do país fizeram com que os muçulmanos da região norte entrassem em uma guerra civil. Assim, em 1979, rebeldes tomaram a capital do país e puseram fim à hegemonia dos cristãos da região sul. Entretanto, comandantes rebeldes permaneceram em conflito constante até Hissène Habré se impor ante seus rivais, mas em 1990 Idriss Déby derrotou-o. Recentemente, o conflito de Darfur no Sudão atravessou a fronteira e gerou o conflito entre Chade e Sudão, com centenas e milhares de refugiados vivendo em acampamentos no leste do país.
Enquanto existem vários partidos políticos ativos no país, o poder recai firmemente nas mãos do presidente Déby e seu partido, o Movimento Patriótico de Salvação. Em abril de 2021 o presidente Idriss Déby foi morto durante uma operação militar contra rebeldes no norte do país, sendo o poder assumido por uma junta militar, na qual o seu filho, o general Mahamat Idriss Déby, ficou com o cargo de chefia. No Chade ainda ocorre violência política e frequentes golpes de estado. Atualmente, o Chade é um dos países mais pobres e com maior índice de corrupção no mundo. A maioria de sua população vive abaixo da linha de pobreza. Desde 2009, o petróleo passou a ser a maior fonte de exportações no país, ultrapassando a tradicional indústria de algodão.
A etimologia de "Chade", que também pode ser escrito como "Tchade" ou "Tchad", deriva de um dos principais corpos de água do país, o Lago Chade. A palavra "Chade" em algumas línguas locais significa "lago" ou "grande corpo de água".
A partir do sétimo milênio antes de Cristo, as condições ecológicas em parte do território chadiano favoreceram os assentamentos humanos e a região apresentou um alto crescimento demográfico. Alguns dos sítios arqueológicos mais importantes se encontram no Chade, entre eles destaca-se a região de Borcu-Enedi-Tibesti. Por mais de dois mil anos, o Chade estava sendo povoado por grupos agrícolas sedentários e várias civilizações viveram na região. A primeira delas foi a civilização saô, conhecido por seus simples artefatos e tradições orais. Os saôs caíram ante o Império de Canem, o primeiro mais duradouro dos impérios que se assentaram na região que corresponde atualmente ao Sael chadiano durante o primeiro milênio. O poderio do Império de Canem e de seus sucessores foi baseado no controle de rotas do comércio transaariano que cruzava a região. Esses estados nunca estenderam seu domínio até os vales férteis do sul, exceto ao comércio de escravos.
A partir de 1900, o Império Colonial Francês deu passo à criação do Território Militar do País e Protetorado do Chade (em francês: Territoire Militaire des Pays et Protectorats du Tchad). Em 1920, a França havia assegurado o controle absoluto da colônia e incorporou o território do Chade à África Equatorial Francesa. O domínio francês no Chade foi caracterizado pela ausência de políticas para unificar o território e retardar a modernização. Os franceses viam a colônia como uma importante fonte de mão de obra barata e algodão, onde em 1929 a França introduziu a produção em grande escala desta matéria prima. Durante a administração colonial do Chade, os governadores se apoiavam em elementos do serviço militar francês. Apenas a parte sul do país era governada de maneira efetiva, já que no norte e no leste do país a presença francesa era escassa, o que levou a um sistema educacional deficiente. Após a Segunda Guerra Mundial, o Chade passou a ser um departamento ultramarino francês, para que seus habitantes tivessem o direito de eleger os representantes na Assembleia Nacional Francesa e a criação de uma assembleia chadiana. O maior partido político da época era o Partido Progressista Chadiano, com bases localizadas na parte sul do país. O Chade obteve sua independência em 11 de agosto de 1960, com o líder do partido, François Tombalbaye, que se tornou o primeiro presidente.
Dois anos depois, Tombalbaye dissolveu os partidos de oposição e estabeleceu o unipartidarismo. O governo autocrático e Tombalbaye e sua má administração geraram tensões entre as distintas etnias do país e em 1965 os muçulmanos iniciaram uma guerra civil. Tombalbaye foi assassinado em 1975, mas o conflito continuou. Em 1979 as facções rebeldes tomaram a capital e todas as autoridades civis sofreram um colapso e o poder do país passou aos rebeldes armados, a maioria provenientes do norte do país. A desintegração do Chade provocou o colapso da presença francesa no país. A Líbia tentou tomar o controle do país e se envolveu na guerra civil. Em 1987, a aventura líbia terminou em desastre, quando o presidente Hissène Habré, apoiado pela França, invocou que os chadianos se unissem em apenas um grupo como nunca havia se visto antes, e assim obrigar o exército líbio a se retirar.
Habré consolidou sua ditadura através de um sistema de corrupção e violência. Ao redor de quatrocentas mil pessoas foram assassinadas durante seu mandato. O presidente favoreceu sua tribo de origem, a daza, e discriminou os membros de sua tribo inimiga, os zagauas. Em 1990, o general Idriss Déby o derrubou.
Déby tentou reconciliar os rebeldes e reintroduziu o unipartidarismo. Por meio de um referendo os chadianos aprovaram uma nova constituição e, em 1996, Déby ganhou as eleições presidenciais. Em 2001, começou no país a exploração do petróleo, que trouxe consigo esperanças que o Chade iria alcançar a paz e a prosperidade. Entretanto, conflitos internos voltaram e se instalou uma nova guerra civil (2005-2010). Unilateralmente, Déby modificou a constituição para manter o máximo de dois períodos para cada presidente, o que ocasionou controvérsia entre civis e partidos de oposição. Desta forma, em 2006 Déby ganhou pela terceira vez as eleições presidenciais. Em 2006 e 2008, os rebeldes tentaram tomar novamente a capital do país, mas sem êxito. No leste do Chade, a violência étnica tem aumentado. Os membros do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados advertem que um genocídio, similar ao que ocorre em Darfur, pode estar ocorrendo no Chade.
O Chade é atualmente um dos principais parceiros de uma coalizão na África Ocidental na luta contra a influência do Boko Haram. Em 2017, o país foi incluído na Proclamação Presidencial 9645, a versão ampliada da Ordem Executiva 13 780 do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que restringe a entrada de cidadãos de oito países, incluindo o Chade, em território norte-americano. Esta iniciativa gerou protestos do governo chadiano.
Com 1,284 milhões de quilômetros quadrados, o Chade é o vigésimo primeiro maior país do mundo, sendo um pouco menor que o Peru e a África do Sul. O Chade está localizado no norte da África Central, entre os paralelos 8º e 24º norte e os meridianos 14º e 24º leste. Limita-se a norte com a Líbia, a leste com o Sudão, a oeste com Níger, Nigéria e Camarões e ao sul com a República Centro-Africana. A capital do país está a 1 060 quilômetros do ponto mais próximo (Duala em Camarões). Devido à distância ao mar e ao clima predominantemente desértico no país, o Chade é muitas vezes referido como o "coração morto da África".