Charles-Marie de La Condamine (Paris, 28 de janeiro de 1701 — Paris, 4 de fevereiro de 1774) foi um cientista e explorador francês que realizou diversas viagens de exploração no Norte de África, no Médio Oriente e na América do Sul. Foi o primeiro cientista a descer o curso do rio Amazonas, publicando na Europa um conjunto de descrições da geografia, fauna e flora da bacia amazónica que em muito contribuíram para despertar o interesse da comunidade científica pelo seu estudo. Também se lhe deve a primeira comunicação científica sobre a interligação entre os rios Orinoco e Amazonas através do canal do Cassiquiare. Poliglota fluente em várias línguas europeias, dedicou-se também à matemática, à astronomia, à geodesia e à física.
Charles-Marie de La Condamine nasceu em Paris a 27 de Janeiro de 1701, filho de Charles de La Condamine, recebedor de finanças em Moulins, e de Louise Marguerite de Chourses.
Depois de ter realizado os seus estudos preparatórios em humanidades e matemática no Lycée Louis-le-Grand, em Paris, Charles-Marie de La Condamine envereda por uma carreira militar, alistando-se no Exército. Participou na campanha contra a Espanha da Guerra da Quádrupla Aliança (1719), tendo estado presente no cerco a Roses.
A paixão pelas ciências e pelas viagens (1719-1735)
Após o seu regresso a Paris, estabeleceu relações de amizade com diversos membros da intelectualidade, entre os quais Voltaire, em especial com cientistas empenhados em estudos de Físico-Química e de História Natural.
Deixa o Exército em 1719 para completar a sua formação e para se consagrar inteiramente aos estudos científicos. A 12 de Dezembro de 1730 foi nomeado assistente de Química nos laboratórios da Academia das Ciências, passando a participar nos trabalhos da Académie des Sciences, da qual foi feito membro nesse ano.
Apaixonado pelas viagens, realiza algumas expedições científicas ao Norte de África que lhe permitem obter dados que depois utiliza em numerosas comunicações e artigos científicos. Em Maio de 1731 embarca num navio da Compagnie du Levant com destino a Istanbul, cidade onde permanece durante cinco meses. Após o seu regresso a Paris, apresenta na sessão da Académie des Sciences realizada a 12 de Novembro de 1732 uma comunicação intitulada Observations mathématiques et physiques faites dans un voyage du Levant en 1731 et 1732, a qual teve muito bom acolhimento.
A expedição ao Peru e à bacia amazónica (1735-1744)
Depois de ter estudado astronomia e geodesia, em Abril de 1735 Charles-Marie de La Condamine foi encarregado pela Académie des Sciences de realizar uma expedição ao Peru tendo como objectivo central proceder à determinação exacta do grau do arco de meridiano nas proximidades da linha do equador, para além de realizar diversos estudos de História Natural.
A expedição inseria-se no esforço então em curso de verificar a hipótese de Newton sobre o achatamento da Terra nas zonas polares, matéria que dividia a comunidade científica europeia da época. Ao mesmo tempo foi enviada outra expedição, integrando Pierre Louis Maupertuis, Alexis Claude Clairaut e Pierre Charles Le Monnier, a qual se dirigiu à Lapónia para na região circumpolar proceder às mesmas medições.
A expedição partiu do porto de La Rochelle a 16 de Maio de 1735, sob o comando de Louis Godin, levando Pierre Bouguer como encarregado das observações científicas. Para além de La Condamine integrava ainda o botânico Joseph de Jussieu.
Depois de escolas na Martinica, Santo Domingo e Cartagena das Índias, chegam ao Panamá a 29 de Dezembro de 1735. Depois de uma travessia do istmo por terra e de uma viagem marítima pela costa do Pacífico, chegam ao porto de Manta, na então província de Quito, a 10 de Março de 1736,e a 13 de Março chegam a Guayaquil.
À chegada à América espanhola a expedição integra Jorge Juan e Antonio de Ulloa, dois oficiais espanhóis encarregues da acompanhar os trabalhos em representação do governo espanhol.
A partir de Guayaquil, numa indicação do que será o futuro da expedição, La Condamine toma um caminho separado, seguindo uma rota pouco conhecida e que atravessava zonas desabitadas de vegetação inalterada. La Condamine apenas se encontrou em Quito com Godin e Bouguer a 4 de Julho de 1736.
O arco de meridiano que fora escolhido atravessava um alto vale perpendicular à linha do Equador, estendendo-se de Quito, ao norte, até Cuenca. no extremo sul da linha. Os académicos iniciaram os seus trabalhos na planície de Yaruqui, levando de 3 de Outubro a 3 de Novembro de 1736 para ali medir o segmento de base da triangulação. Cansados e desavindos, regressaram a Quito no início do mês de Dezembro.
Para complicar a situação, os fundos que tinham sido prometidos em Paris não chegam, colocando a expedição numa situação financeira muito difícil. La Condamine, que prudentemente trouxera letras de câmbio endossadas a um banco em Lima, oferece ajuda, tendo para tal partido para Lima a 28 de Fevereiro de 1737. Ali chegado, resolveu prolongar a sua viagem para poder observar a árvore da quina, a fonte do quinino, então ainda quase desconhecida dos europeus. Apenas regressa a Quito a 20 de Junho de 1737.
A expedição desenrola-se num clima de crescentes dificuldades de relacionamento entre os cientistas, com Godin a recusar-se a comunicar os resultados por si obtidos aos restantes colegas. La Condamine e Bouguer continuam a colaborar.
A medição de um arco de meridiano num ambiente montanhoso e hostil apenas termina em Agosto de 1739. A partir daí apenas restava fazer as observações astronómicas que confirmassem a posição dos pontos extremos do arco medido. Contudo as desavenças entre os membros da expedição crescem e as posições vão-se extremando, com Godin a manter-se isolado e guardar ciosamente os seus resultados.