Charles Oliveira da Silva, mais conhecido como Charles do Bronxs (Guarujá, 17 de outubro de 1989), é um lutador brasileiro de artes marciais mistas (MMA) e faixa preta de 4º grau de jiu-jitsu brasileiro. Oliveira atualmente compete na divisão peso-leve do Ultimate Fighting Championship (UFC), onde é ex-Campeão Peso Leve do UFC e atual detentor do simbólico Cinturão "BMF" do UFC. Em 27 de janeiro de 2026, ocupava a 3ª posição no ranking dos leves do UFC e em 16 de junho de 2026, a 14ª posição no ranking peso por peso masculino do UFC.
Em 16 de maio de 2021, nocauteou o americano Michael Chandler para se tornar Campeão Peso Leve do UFC, o segundo brasileiro a conquistar o cinturão nessa categoria e o 18° no UFC. Oliveira começou a treinar jiu-jitsu ainda jovem, conquistando vários títulos antes de fazer a transição para o MMA em 2007. Ativo no UFC há mais de 15 anos, detém diversos recordes na organização, incluindo o maior número de vitórias por finalização na história, com 17, o maior número de vitórias por via rápida, com 21, o maior número de bônus recebidos, com 21 e a segunda maior quantidade de vitórias entre todos os lutadores, com 24.
Charles Oliveira nasceu em uma família pobre no distrito de Vicente de Carvalho, no município de Guarujá, São Paulo, Brasil. Charles começou a jogar futebol com o sonho de se tornar um jogador profissional, mas aos sete anos começou a se sentir mal, tinha dores regulares no corpo e problemas para andar e em alguns casos não conseguia mexer as pernas. Foi diagnosticado com febre reumática e sopro no coração, que afetou gravemente seu tornozelo, o médico disse à sua família que ele poderia ficar paraplégico. Apesar de todos os desafios, Oliveira foi apresentado ao jiu-jitsu por um vizinho chamado "Paulo", enquanto sua família tinha renda muito baixa, o treinador da academia de Jiu-Jitsu, Roger Coelho, oferecia aulas gratuitas em um programa social. Sua família ajudou a financiar seu treinamento vendendo lanches de rua e papelão descartado. "Paulo", o homem que apresentou Charles ao jiu-jitsu, morreria mais tarde no meio do fogo cruzado de um tiroteio no Vicente de Carvalho, quando Charles tinha 14 anos.
Charles Oliveira começou a treinar jiu-jitsu brasileiro aos 12 anos, ganhando seu primeiro título importante na faixa-branca em 2003. Ele é um faixa preta de jiu-jitsu brasileiro sob Ericson Cardoso e Jorge "Macaco" Patino, ganhando a faixa em 2010.
Segundo ele, seu apelido de "Charles do Bronx" vem de: “Bronx é porque é favela, né? Periferia, de onde eu venho. Bronx surgiu praticamente quando eu fui lutar um torneio [amador]. Cheguei lá e só tinha cara monstro, experiente, e eu magrelo. E eles falavam para eu colocar um apelido, era só Charles Oliveira. Quando a gente ia lutar uns campeonatos de jiu-jítsu, sempre falavam 'olha os caras do Bronx aí, da favela’. Aí coloquei Bronx”.
Carreira no jiu-jitsu brasileiro
Em 2004, Oliveira venceu o Campeonato de São Paulo pela segunda vez, conquistou a Copa Nação Jiu-Jitsu em 2005 e, em 2006, ganhou um total de 16 medalhas. Em 2007, ainda faixa azul, tornou-se bicampeão mundial da CBJJE, conquistando a medalha de prata no ano seguinte como faixa roxa, além de ser campeão sul-americano da CBJJE em 2008. Oliveira recebeu todas as suas graduações até a faixa marrom diretamente de Coelho.
Em 2007, Oliveira decidiu abandonar sua carreira focada exclusivamente no jiu-jitsu para dedicar-se integralmente às artes marciais mistas (MMA), buscando ampliar suas oportunidades como lutador profissional e desenvolver um estilo de luta mais completo.
Em janeiro de 2020, Oliveira participou de uma luta de grappling no evento de MMA SFT 20 contra Lucas Barros, do Demian Maia Jiu-Jitsu. A luta foi disputada com quimono (gi) em uma gaiola, sob regras da IBJJF, e Oliveira venceu por decisão.
Revelado como uma promessa ainda jovem no jiu-jitsu, Oliveira rapidamente começou a se destacar com títulos estaduais, incluindo o campeonato paulista da modalidade. O desempenho o levou, ao lado do irmão, a treinar com Jorge Patino Macaco, um veterano do MMA brasileiro, onde teve seu primeiro contato com o mundo das artes marciais mistas.
Oliveira fez sua estreia no MMA amador no Circuito Nacional de Vale-Tudo Amador, enfrentando Rui Machado. Ele venceu a luta rapidamente, aplicando uma chave de braço em apenas 15 segundos do primeiro round.
Mesmo enfrentando resistência da família, especialmente da mãe, que não gostava de vê-lo lutando MMA, Oliveira seguiu no esporte. Em março de 2008, iniciou sua carreira no MMA profissional ao ser chamado de última hora para disputar o GP da categoria meio-médio no Predador FC 9, um torneio eliminatório realizado em uma única noite, semelhante aos "Grand Prix" do Pride FC, em que os competidores precisavam vencer três lutas na mesma noite para serem coroados campeões. No primeiro combate, Oliveira derrotou Jackson Pontes por finalização (mata-leão), avançando para a semifinal. Em seguida, enfrentou Viscardi Andrade e venceu por nocaute técnico (socos) no segundo round. Na final, derrotou Diego Braga, também por nocaute técnico ainda no primeiro round, sagrando-se campeão do torneio. O prêmio em dinheiro foi usado para ajudar sua família e comprar seu primeiro videogame.
Oliveira estreou na categoria peso-leve ao derrotar o futuro lutador do UFC Medhi Bagda em Dezembro de 2008, Em seguida Oliveira entrou para outro torneio, onde ele derrotou Daniel Fernandes e Eliene Silva por Nocaute Técnico e Nocaute respectivamente.
Em março de 2009, Charles Oliveira fez sua estreia no principal evento nacional de MMA, o Jungle Fight. No card da 12ª edição da organização, realizada no Rio de Janeiro, enfrentou Carlos Soares e venceu por finalização com um triângulo invertido com chave de braço ainda no primeiro round.
Em abril de 2009, Oliveira competiu pela primeira vez fora do Brasil, no evento Ring of Combat 24, realizado nos Estados Unidos. Na ocasião, enfrentou Dom Stanco e venceu por finalização com um mata-leão aos 3 minutos do primeiro round, conquistando o cinturão peso-leve da organização. O sucesso no exterior representou um marco importante na carreira do lutador, que contou com o apoio de vizinhos e amigos para custear a viagem e demais despesas, demonstrando o reconhecimento de seu talento ainda nas etapas iniciais da carreira.
Na sequência, Oliveira lutou duas vezes no mesmo mês: primeiro finalizou o veterano do Bellator, Alexandre Bezerra, com um estrangulamento anaconda, em seguida, venceu Eduardo Pachu por decisão dividida.
Oliveira mais uma vez competiu duas vezes na mesma noite, em Fevereiro de 2010, derrotando Rosenildo Rocha por finalização (mata-leão) no primeiro round e Diego Bataglia por nocaute (bate-estaca).
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