Charles Gurumukh Sobhraj Hotchand Bhawnani (06 de abril de 1944; Saigon, Vietnã) é um assassino em série, fraudador e ladrão que atacava turistas ocidentais que viajavam na trilha hippie do sul da Ásia durante a década de 1970. Ficou conhecido como o "Bikini Killer" devido às roupas com as quais várias de suas vítimas foram encontradas, bem como "the Splitting Killer" e "a Serpente", devido a sua habilidade para fugir da polícia.
Acredita-se que Sobhraj tenha assassinado pelo menos 20 pessoas no sul da Ásia (admitiu e depois negou 12 assassinatos). Esteve preso na Índia de 1976 a 1997, de onde foi para Paris. Voltou ao Nepal em 2003, onde foi preso, julgado e condenado à prisão perpétua pela morte de duas pessoas. Em 21 de dezembro de 2022, no entanto, a Suprema Corte do Nepal ordenou sua libertação após o criminoso cumprir 19 dos 20 anos da sentença. A corte alegou que ele estava velho e doente e mandou deportá-lo imediatamente para a França após sua soltura. Ele chegou a Paris em 24 de dezembro de 2022.
Segundo a Isto É, "'ele odiava mochileiros, via-os como jovens, pobres e viciados em drogas', disse à AFP a jornalista australiana Julie Clarke, que entrevistou Sobhraj. 'Ele se considerava um herói do crime', acrescentou".
Nascido em Saigon, quando esta ainda pertencia à França, filho de pai indiano (um rico comerciante de tecidos, que tinha uma loja chamada Hatchand Bhawani Prasad Gurumukh) e mãe vietnamita (uma mulher chamada Tran Loang Phun, conhecida como Noi), seus pais nunca se casaram, já que o pai foi obrigado pela família a se casar com uma indiana de Pune durante uma viagem a seu país natal. Sobraj, no entanto, mantinha contato com o pai continuamente e posteriormente foi acolhido pelo novo marido de sua mãe, um tenente do exército francês servindo na Indochina francesa chamado Jacques Russel. Relegado a segundo plano em favor dos filhos legítimos de Russel, seus meio-irmãos mais novos, ele passou a ter comportamentos não compatíveis com uma "infância normal", tendo sua mãe o enviado para a França, para que fosse viver com a família do marido, para o que o The Print descreveu como tentativa de "salvar o que restava" da vida do menino. Sobjraj e sua família ficaram por anos vivendo entre a França e a Ásia, com Sobjraj culpando os pais por ter sido obrigado a deixar Saigon e, assim, viver afastado do pai biológico. Ele também odiava o padrasto, a quem era obrigado a chamar de "pai".
Negligenciado e sem conseguir se relacionar com sua nova família na França, na adolescência Sobhraj começou a cometer pequenos delitos recebendo sua primeira sentença de prisão por roubo em 1963, cumprindo sua pena na prisão de Poissy, perto de Paris. Enquanto estava preso, ele manipulou os funcionários da prisão para conceder-lhe favores especiais, como ser autorizado a manter livros em sua cela. Na mesma época, ele conheceu e tornou-se amante de Felix d'Escogne, um jovem rico e voluntário na prisão.
Depois de receber liberdade condicional, Sobhraj foi morar com d'Escogne e passou a conviver com a alta sociedade de Paris e o submundo do crime, acumulando riquezas por meio de uma série de roubos e golpes. Nessa época, conheceu e iniciou um relacionamento amoroso com Chantal Compagnon, uma jovem parisiense de família conservadora. Sobhraj propôs casamento a Compagnon, mas foi preso no mesmo dia por tentar fugir da polícia enquanto dirigia um veículo roubado. Ele foi condenado a oito meses de prisão, mas Chantal manteve seu apoio ao então noivo durante o cumprimento da sentença. Sobhraj e Compagnon se casaram após sua libertação.
Sobhraj, junto com uma Compagnon grávida, deixou a França em 1970 rumo à Ásia para escapar da prisão. Depois de viajar pela Europa Oriental com documentos falsos, roubando turistas que conheciam no caminho, o casal chegou a Mumbai, Índia, e onde nasceu sua filha, chamada Usha. Nesse ínterim, Sobhraj retomou sua vida criminosa, comandando uma operação de roubo e contrabando de carros, cujo lucro ia para financiar seu vício em jogos de azar.
Em 1973, Sobhraj foi detido e encarcerado após uma tentativa malsucedida de assalto à mão armada em uma joalheria no Hotel Ashoka. Ele conseguiu escapar com a ajuda de Compagnon, fingindo estar doente, mas foi recapturado logo em seguida. Sobhraj pediu dinheiro emprestado a seu pai para pagar a fiança e logo depois fugiu para Cabul, Afeganistão. Lá, o casal começou a assaltar turistas na trilha hippie e ele foi preso novamente. Sobhraj escapou da mesma forma que na Índia, fingindo estar doente e depois drogando o guarda que o acompanhava no hospital, fugindo para o Irã, deixando sua família para trás. Compagnon, embora ainda leal a Sobhraj, voltou para a França, decidida a deixar a vida do crime e o marido para trás.
Sobhraj passou os dois anos seguintes fugindo, usando até diversos passaportes roubados. Passou por vários países do Leste Europeu e Oriente Médio, quando seu meio-irmão mais novo, André, se juntou a ele em Istambul, Turquia. Sobhraj e André tornaram-se parceiros no crime, participando de várias atividades criminosas na Turquia e na Grécia, mas a dupla acabou sendo presa em Atenas. Depois que uma fraude de troca de identidade deu errado, Sobhraj conseguiu escapar, mas seu meio-irmão ficou para trás. André foi entregue à polícia turca pelas autoridades gregas e cumpriu uma pena de 18 anos.
Em fuga, Sobhraj começou a se passar por vendedor de pedras preciosas e de drogas para impressionar e fazer amizade com turistas, a quem ele enganava. Na Índia, conheceu Marie-Andrée Leclerc,de Lévis, de Quebec, que tornou-se sua namorada e apoiadora, enquanto ele, usando de trapaças, angariava outros apoiadores, incluimdo dois ex-policiais franceses, Yannick e Jacques, a quem ajudou a recuperar passaportes perdidos que ele próprio havia roubado. Em outro golpe, Sobhraj forneceu abrigo a um francês, Dominique Renelleau, que estava doente e a quem, na verdade, Sobhraj havia envenenando. Também na Índia ele conseguiu o apoio de um jovem Ajay Chowdhury, que se tornou o segundo no comando em seu esquema criminoso.
Sobhraj e Chowdhury cometeram seus primeiros assassinatos em 1975. A maioria das vítimas passou algum tempo com a dupla antes de suas mortes e haviam sido, segundo os investigadores, recrutadas por Sobhraj e Chowdhury para se juntarem a seu esquema crimonoso. Sobhraj afirmou que a maioria de seus assassinatos foram overdoses acidentais de drogas, mas os investigadores afirmam que as vítimas ameaçaram expor Sobhraj, o que levou a seus assassinato. A primeira vítima foi uma jovem de Seattle, Teresa Knowlton (chamada Jennie Bollivar no livro Serpentine), encontrada afogada em uma poça na areia no Golfo da Tailândia, vestindo um biquíni florido. Foi meses depois que a autópsia de Knowlton, bem como evidências forenses, provaram que seu afogamento, originalmente considerado um acidente de natação, tinha sido um assassinato.
A próxima vítima foi um jovem judeu turco nômade, Vitali Hakim, cujo corpo queimado foi encontrado na estrada para o resort de Pattaya, onde Sobhraj e seu grupo estavam hospedados. Os estudantes holandeses Henk Bintanja, 29, e sua noiva Cocky Hemker, 25, foram convidados para viajar para a Tailândia após conhecerem Sobhraj em Hong Kong. Eles, como muitos outros, foram envenenados por Sobhraj, que cuidou deles até recuperá-los para obter sua obediência. Enquanto se recuperavam, Sobhraj foi visitado pela namorada francesa de sua vítima anterior, Hakim, Charmayne Carrou, que veio investigar o desaparecimento de seu namorado. Temendo a exposição, Sobhraj e Chowdhury rapidamente expulsaram Bintanja e Hemker. Seus corpos foram encontrados estrangulados e queimados em 16 de dezembro de 1975. Logo depois, Carrou foi encontrada afogada e vestindo um biquíni parecido com o de Teresa Knowlton. Embora os assassinatos das duas mulheres não tenham sido conectados pelos investigadores na época, eles mais tarde renderiam a Sobhraj o apelido de "O Assassino do Biquíni".
Em 18 de dezembro, dia em que os corpos de Bintanja e Hemker foram identificados, Sobhraj e Leclerc entraram no Nepal usando os passaportes do casal falecido. No Nepal, entre 21 e 22 de dezembro, assassinaram o canadense Laurent Carrière, 26, e a americana Connie Jo Bronzich, 29, vítimas que depois foram identificadas incorretamente por algumas fontes como Laddie DuParr e Annabella Tremont. Sobhraj e Leclerc voltaram para a Tailândia usando os passaportes de suas últimas vítimas antes que seus corpos pudessem ser identificados. Ao retojá que tinham encontrado documentos pertencentes às vítimas. Os franceses então fugiram para Paris, após notificar as autoridades locais.