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Charly García

Cantor, compositor e músico argentino

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Carlos Alberto García Moreno (Buenos Aires, 23 de outubro de 1951), mais conhecido como Charly García, é um músico, cantautor, multi-instrumentista, compositor e produtor musical argentino, considerado a figura mais importante e vanguardista da música popular argentina e latino-americana. Nomeado "o pai do rock argentino", García é aclamado por sua obra, tanto em seus múltiplos

agrupamentos e como solista, pela complexidade compositiva de sua música, abordando múltiplos gêneros, desde o folk rock, rock progressivo, rock sinfónico, jazz, new wave, pop rock, funk rock e synth-pop, por seu lírico transgressivo e crítica para a sociedade moderna argentina, em especial durante a era da ditadura militar, e por sua personalidade rebelde e extravagante, que tem acarretado atenção notória nos meios ao longo dos anos.

Sendo um adolescente, García fundou a banda de rock Sui Generis junto a seu colega de turma Nito Mestre a fins dos anos 1960. Juntos, publicaram três álbuns de estúdio, cujas canções se converteram em hinos para gerações de argentinos, e se separaram em 1975 com um concerto no Luna Park. García passou a fazer parte do supergrupo PorSuiGieco e fundou outro supergrupo, La Máquina de Hacer Pájaros, com quem publicou álbuns para instaurar o rock progressivo na cena musical latino-americana. Depois de separar-se de ambos projetos, García embarcou ao Brasil, voltando a Argentina pouco depois para fundar o supergrupo Serú Girán no fim dos 1970, convertido numa das bandas mais importantes da história da música argentina por sua qualidade musical e letras, tanto de modo que têm sido proclamados como "Os Beatles Argentinos", suas canções também tinham um impacto público já que estas incluíam desafiantes canções para a ditadura militar que dominava ao país nessa época. O grupo dissolveu-se em 1982, depois da publicação de quatro álbuns de estudo e um último concerto no estádio Obras Sanitarias.

Depois de compor a trilha sonora do filme Pubis Angelical, e ao mesmo tempo seu próprio disco, Yendo de la cama al living (1982), que foi um sucesso em críticas, García iniciou uma prolífica carreira solo, compondo várias canções da música latina e expandindo as barreiras da música pop. Sua trilogia de sucesso completou-se com os discos de new wave Clics Modernos (1983) e Piano Bar (1984), catalogados entre os melhores álbuns da história do rock argentino pela revista Rolling Stone. Nos anos posteriores, García trabalhou nos projetos Tango e Tango 4 junto a Pedro Aznar e publicou uma segunda trilogia de sucesso com Parte de la religión (1987), Cómo conseguir chicas (1989) e Filosofía barata y zapatos de goma (1990). Ao mesmo tempo, começou a protagonizar vários escândalos mediáticos por sua atitude exorbitante e extravagente, e sofreu seus primeiros acidentes de saúde por causa de sua drogadição crescente durante a década de 1990. Ao fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, García entrou em seu controverso e caótica era Say no More, na que seus discos foram pobremente recebidos pela crítica e as vendas, mas seus concertos eram um sucesso absoluto. A partir do lançamento de Rock and Roll YO (2003), entrou em um longo hiato, com aparecimentos esporádicos para reabilitar de seus problemas de vício. Regressou à cena pública com seu último álbum ao vivo El concierto subacuático (2010), e publicou os álbuns Kill gil (2010), Random (2017) e La lógica del escorpión (2024).

Sua canção de Sui Generis "Rasguña as pedras" foi considerada em 2002 como a terceira melhor canção de todos os tempos do rock argentino, e a 53ª do rock hispano-americano. Outras canções de sua autoria também têm sido consideradas entre as 100 melhores do rock argentino como "Seminare", "Canción para mi muerte", "Demoliendo hoteles", "Los dinosaurios", "Yo no quiero volverme tan loco", "No llores por mi, Argentina", "Chipi chipi" e "Cerca de la revolución".

Em 2009 recebeu o prêmio Grammy por Excelência Musical. Em 1985 obteve o Prêmio Konex de Platina, como melhor instrumentista de rock de Argentina na década de 1975-1984. Ganhou três vezes o Prêmio Gardel de Ouro (2002, 2003 e 2018), o mais importante prêmio musical argentino. Em 2010 foi declarado Cidadão Ilustre da Cidade Autônoma de Buenos Aires pela Legislatura da Cidade de Buenos Aires, e em 2013 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional de General San Martín.

Carlos Alberto García nasceu na cidade de Buenos Aires, em 23 de outubro de 1951, em uma família de classe média alta, sendo primogênito de Carmen Moreno e Carlos Jaime García Lange, empresário dono da primeira fábrica de fórmica da Argentina. A família também incluía três irmãos: Enrique, Daniel e Josi. A mãe se dedicou ao cuidado e à educação dos filhos, com ajuda de babás profissionais. A casa da família era um amplo apartamento localizado no quinto andar da rua José María Moreno, 63, no coração do bairro Caballito e a dez quadras do Parque Centenário, onde costumava desenhar dinossauros no Museu Argentino de Ciências Naturais. Dinossauros, planetas e mitos gregos foram os três temas que entusiasmaram Charly quando ele era menino. A família também tinha uma casa de fim de semana, com piscina, na cidade de Paso del Rey.

Em 1958 iniciou os estudos primários na escola pública nº 3, “Primeira Junta”, localizada a duas quadras de sua casa, em frente ao Parque Rivadavia. Em 1959, a situação económica da família entrou em crise, com o encerramento da fábrica, o que levou à posterior perda da maior parte das propriedades da família, incluindo a casa da rua José María Moreno e a casa de campo de Paso del Rey. Os García tiveram então que se mudar para um apartamento alugado, localizado na rua Darregueyra e Paraguai, no então bairro de Palermo Viejo.

Seu pai passou então a trabalhar como professor de física e matemática, e sua mãe passou a trabalhar como produtora de programas de rádio e depois de televisão dedicados ao tango e ao folk argentino, que vivia o que se chamava de "boom do folk". Devido ao seu trabalho, tornou-se comum que sua mãe convidasse músicos de destaque do folk para a casa, onde "Carlitos" tocava piano. A situação económica da família melhorou e mudaram-se para um apartamento situado na Vidt 1955 9.º “B”, entre Charcas e Güemes, em Palermo, onde o músico morou até 1972, quando foi morar com María Rosa Yorio em uma pensão próxima. As fotos incluídas no álbum Vida são tiradas nas proximidades. Como ambos os pais tinham que sair para trabalhar, Carlitos foi encaminhado para terminar o ensino fundamental na escola Aeronáutica Argentina, na rua Quilmes 400, no bairro Pompeya, porque tinha escolaridade dupla.

A música começou muito cedo na vida de García: aos dois anos aprendeu a tocar uma citarina de ouvido e depois continuou com um pequeno piano de brinquedo que sua avó materna lhe deu. Quando os pais de García viajaram para a Europa, as crianças foram colocadas sob a tutela de babás e de uma avó. O estresse causado pela ausência dos pais causou a Charly um colapso nervoso, distúrbio que causou seu vitiligo característico. Quando seus pais voltaram da viagem, sua mãe percebeu que Charly havia aprendido a tocar de ouvido. "Torna a Surriento", uma famosa melodia napolitana que veio em uma caixa musical familiar. Charly disse acreditar que o solo de "Seminare" deriva dessa melodia.Quando o ouvi tocar aquela música, levei-o para o apartamento de um vizinho que morava no andar de cima e tinha um piano grande e ele imediatamente começou a tocar como se nada tivesse acontecido. No dia seguinte fui e comprei um para ele.

– Carmen Moreno, mãe de CharlyFoi a primeira coisa que toquei no piano quando fui testado. Fui ao piano e foi a primeira coisa que toquei. Aqui é chamado de "Giacomo Capelettini" (em homenagem a um anúncio de televisão que usava a mesma melodia)

– Charly GarcíaAlertados sobre as condições inatas e o tom absoluto de "Carlitos", seus pais o matricularam em 1956 no Conservatório Thibaud Piazzini, embora sua mãe tenha providenciado para que ele tivesse aulas de piano e música em casa. Sua professora foi Julieta Sandoval. Charly a descreve como uma professora muito rígida, "super católica", que tinha uma concepção sadomasoquista pela qual era preciso sofrer e sentir dor para ser um bom concertista clássico:Eles me incutiram a ideia cristã de que através da dor se chegava à sublimação... eu me autoflagelava, me cortava, batia nos braços... Eu acreditava na dor como droga.

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