Christian Vieri (Bolonha, 12 de julho de 1973) é um ex-futebolista italiano que atuava como centroavante.
Ao lado de Paolo Rossi e Roberto Baggio, é o maior artilheiro da Itália na Copa do Mundo FIFA — cada um com nove gols.[carece de fontes?] Em seu auge, notabilizou-se como um artilheiro implacável; embora não fosse considerado um jogador refinado, era reconhecido pelo ótimo posicionamento, oportunismo e poder de finalização, seja de cabeça ou com a perna esquerda, sendo capaz de decidir jogos com uma única oportunidade. Considera-se que está entre os 30 maiores jogadores da Serie A.
Bobo Vieri também teve uma carreira marcada por contínuas trocas de clubes, sem que isso impedisse ser uma figura destacada em quase todos eles; em sua única temporada no Atlético de Madrid, foi artilheiro da La Liga (Campeonato Espanhol), marcando 24 gols em 24 jogos, o suficiente para ele ser considerado o segundo italiano de maior importância em La Liga (é o único de seu país a ser artilheiro desse campeonato), abaixo apenas do longevo Amedeo Carboni. Na terra natal, além de estar no grupo seleto dos onze jogadores que atuaram pelos três principais clubes do país, que são Juventus, Internazionale e Milan (na ordem que ele defendeu), Vieri é um dos dois únicos que jogaram pelos dois clubes de Milão (Inter e Milan) e pelos dois de Turim – Juventus e Torino, onde se profissionalizou.
Embora o Torino tenha sido o clube onde iniciou a carreira e a Internazionale seja o time que por mais tempo atuou, estando entre os dez maiores artilheiros interistas, Vieri curiosamente é torcedor da Juventus, a grande rival dos outros outros dois, no clássico da cidade de Turim com o Toro e no Derby D'Italia com a Inter. Foi exatamente na Juve, um dos clubes em que esteve por uma única temporada e onde seu pai chegou a atuar, que o atacante conquistou pela única vez o Campeonato Italiano. Além de Atlético, Juventus e Inter, Vieri é considerado uma figura de destaque também por Atalanta e Lazio.
Filho do ex-jogador Roberto Vieri, Christian cresceu na Austrália a partir dos quatro anos de idade, acompanhando o pai, que prosseguiu carreira naquele país. O irmão mais novo, Max Vieri, nasceria lá e defenderia brevemente a Seleção Australiana no início da década de 2000.[carece de fontes?] Na infância, o esporte favorito de Christian era o críquete, considerado a modalidade mais difundida em toda a Austrália — popular em todas as regiões do país, enquanto o futebol australiano é forte apenas em uma parte e os códigos de rúgbi (league, especialmente, e union), em outra. Vieri declararia que nessa época saía-se melhor no críquete do que no futebol, sonhando em ser "o próximo Allan Border", seu ídolo. Foi somente aos 14 anos que iniciou carreira juvenil, no Marconi Stallions, time da numerosa comunidade ítalo-australiana em Sydney e onde o pai jogava. Inicialmente, atuava como lateral-esquerdo. Paulatinamente, foi sendo deslocado para posições mais ofensivas até definir-se como atacante.
Ainda como juvenil, Vieri regressou à Itália, acertado com o time Santa Lucia da cidade de Prato, local de nascimento do seu pai.[carece de fontes?] Pouco tempo depois, mudou-se para outo clube da mesma cidade, o AC Prato, onde o pai havia sido ídolo. Aos 17 anos, foi contratado pelo Torino. Nos grenás, foi bicampeão da categoria juvenil primavera e ocasionalmente aproveitado no time principal a partir da temporada 1991–92. Era o último ciclo de alto desempenho do clube, terceiro colocado na Serie A e vice-campeão da Copa da UEFA daquela temporada. No campeonato, Vieri foi usado seis vezes e marcou um gol. Foi o terceiro na goleada por 4–0 sobre o Genoa, em 10 de maio de 1992.[carece de fontes?] O Genoa na época também vivia seu último grande momento, semifinalista da mesma Copa da UEFA.
No Toro, Vieri ainda fez mais uma partida na Serie A na temporada 1992–93, na qual o clube venceria a Copa da Itália, seu último troféu de alto nível, conseguindo na campanha eliminar a própria rival Juventus. Na época, as figuras principais nas posições ofensivas estavam em Walter Casagrande, Carlos Alberto Aguilera, Rafael Martín Vázquez, Enzo Scifo e Gianluigi Lentini. Vieri pôde estrear em outubro de 1992 pela Seleção Italiana Sub-21, mas, sem espaço no clube, começou a rodar por equipes da Serie B.
Ainda em novembro de 1992 foi negociado com o Pisa, onde não deixou saudades: marcou apenas dois gols ao longo de dezoito partidas. Para a temporada 1993–94, já estava no Ravenna.[carece de fontes?] Embora ainda jovem, foi titular e pôde destacar-se com doze gols. Não impediu o rebaixamento do time à Serie C1, mas conseguiu transferir-se para o Venezia. Com onze gols em 29 partidas pelos vênetos, convenceu a Atalanta para voltar a jogar na primeira divisão, para a temporada 1995–96.
Na Atalanta, Vieri foi treinado por Emiliano Mondonico, que já havia sido seu técnico no Torino. Marcou sete gols em dezenove jogos na Serie A.[carece de fontes?] Era reserva no time de Bérgamo, mas ainda assim fez mais gols que os atacantes titulares. Fez o mesmo número de gols de Roberto Baggio, do campeão Milan, enquanto a Atalanta terminou salva a sete pontos do rebaixamento. Paralelamente ao Campeonato Italiano, sua equipe chegou à final da Copa da Itália, campanha em que Bobo marcou os dois gols do 2–0 sobre o Bologna que classificou sua equipe à decisão, perdida para a Fiorentina de Gabriel Batistuta. Vieri e o colega Paolo Montero terminaram contratados pela Juventus, que havia acabado de vencer a Liga dos Campeões da UEFA. O centroavante teria ainda outras duas passagens pela Atalanta, sem o o mesmo desempenho da primeira, mas ainda assim é considerado um dos vinte maiores jogadores da história da Dea.
No clube do coração, Vieri conquistou ainda em 1996 a Supercopa da UEFA e a Copa Intercontinental, mas individualmente não rendeu de imediato o retorno esperado à Juventus. Concorrendo com Alessandro Del Piero, Nicola Amoruso e Alen Bokšić, começou a destacar-se a partir do fim da temporada. Fez oito gols na Serie A, sete deles nas dez rodadas finais; dois deles foram em vitória de 3–0 sobre a Roma, outros dois em 6–1 sobre o Milan dentro de Milão e o que abriu o placar no empate em 2–2 com a Lazio na rodada final, quando o time de Turim garantiu o título.[carece de fontes?] Os oito gols foram suficiente para que ele se tornasse o artilheiro do elenco campeão. Foi em meio a essa boa fase que Vieri estreou na Seleção Italiana, ainda em março.
Ao todo, foram 14 gols na temporada, em que a Juve também chegou a nova final na Liga dos Campeões da UEFA. Marcou quatro gols nessa campanha, incluindo em cada partida semifinal contra o Ajax, em vitórias por 2–1 e 4–1.[carece de fontes?] Para a decisão contra o Borussia Dortmund, foi titular. A diretoria juventina pretendia mantê-lo, mas a abundância de bons jogadores e uma proposta de 34 bilhões de liras do Atlético de Madrid o levaram ao futebol espanhol.
No Atleti, Vieri teve problemas físicos, que não impediram um desempenho de sucesso. Foram 24 gols em 24 jogos na La Liga. Em uma partida, apesar da derrota de 5–4 para o Salamanca, fez os quatro gols rojiblancos. Embora auxiliado por Juninho Paulista e Kiko Narváez, a falta de um time mais consistente foi justamente um entrave para uma temporada coletiva melhor; o clube terminou o campeonato em quinto, foi eliminado precocemente nas oitavas de final da Copa do Rei para o Zaragoza — clube que depois perderia de 5–1 com três gols do italiano, pela liga — focando-se na Copa da UEFA. Nessa competição, Vieri teve seu momento mais lembrado como colchonero: foi no dia em que marcou três vezes sobre o PAOK, incluindo o gol mais famoso de sua passagem pela Espanha, em que aproveitou-se de falha do goleiro para dominar em cima da linha de fundo e bater com curva para dentro da baliza, com tamanha falta de ângulo que o lance foi chamado de "o gol impossível".
No torneio europeu, o time chegou até as semifinais, eliminado pela Lazio. No Campeonato Espanhol, Vieri, que chegou a marcar oito gols em espaço de seis partidas, homenageando em uma delas o colega Juninho após a violenta lesão que tirou este da Copa do Mundo de 1998, terminou na artilharia — com seis gols a mais que o vice artilheiro, Rivaldo. Somando todas as competições, Vieri reuniu 29 gols em 32 jogos, média altíssima, em especial naquele contexto. Com um vigor que impressionava ao reunir potência, velocidade e força para desconforto total dos marcadores, permitia ao Atlético muita confiança em sair jogando de trás através de uma ligação direta: o italiano conseguia dominar todas as bolas. A grande temporada o garantiu na Copa do Mundo, mas terminou amarga: Vieri teve desentendimentos com o treinador Radomir Antić e escancarou a insatisfação ao ser substituído aos dez minutos do segundo tempo ao ser substituído em derrota de 2–1 para o Mallorca, quando os madrilenhos lutavam para classificar-se à Liga dos Campeões. O centroavante recusou-se a cumprimentar o técnico. Anos mais tarde, em sua autobiografia, Vieri se declararia arrependido de ter ido ao clube, admitindo que aceitou a oferta apenas pelo dinheiro.