Christopher Edward Nolan, CBE ([ˈnoʊlən]; Londres, 30 de julho de 1970) é um diretor de cinema, roteirista e produtor britânico. Suas doze longas-metragens já arrecadaram o equivalente a mais de 6 bilhões de dólares em todo o mundo, fazendo do diretor um dos mais bem-sucedidos comercialmente da moderna Hollywood. O mesmo catálogo guarda 26 indicações da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Óscar), com sete conquistas, além de indicações e vitórias em premiações como as da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (Globo de Ouro) e Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão (BAFTA). Foi vencedor do Oscar 2024 de Melhor Direção com o filme Oppenheimer.
Nolan estreou em direção cinematográfica com Following (1998), mas passou a ganhar fama com seu segundo título, o thriller psicológico Memento (2000). A aclamação recebida por essas duas produções independentes deu ao profissional a oportunidade de realizar Insomnia (2002), seu primeiro projeto de grande orçamento, e o drama de mistério The Prestige (2006). O cineasta, contudo, alcançou o sucesso tanto comercial quanto de crítica com a trilogia protagonizada pelo personagem Batman, intitulada The Dark Knight (2005–2012), também com Inception (2010), Interstellar (2014), ambos com fortes influências de ficção científica, e seu épico da Segunda Guerra Mundial, Dunkirk (2017).
Christopher co-escreveu vários de seus filmes com o irmão Jonathan Nolan, e administra a produtora Syncopy Inc. com a esposa e parceira de trabalho, Emma Thomas. Entre outros notáveis que colaboraram em suas realizações, destacam-se o diretor de fotografia Wally Pfister, os roteiristas David S. Goyer e Jonathan Nolan, o editor Lee Smith, os compositores David Julyan e Hans Zimmer, o designer de produção Nathan Crowley, o diretor de elenco John Papsidera, o coordenador de efeitos especiais Chris Corbould, e os atores Anne Hathaway, Christian Bale, Cillian Murphy, Gary Oldman, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Leonardo DiCaprio, Liam Neeson, Marion Cotillard, Michael Caine, Morgan Freeman e Tom Hardy.
As obras de Nolan costumam carregar fortes influências filosóficas, sociológicas e éticas, a partir de conceitos que exploram temas como a moralidade humana, a construção do tempo e a natureza maleável da memória e da identidade pessoal. Seu trabalho é permeado por elementos metafictícios, deslocações temporais, perspectivas solipsistas, narrativa não-linear e relações análogas entre a linguagem visual e os elementos narrativos. Christopher é tido como um dos mais inovativos contadores de história e criadores de imagem em atividade na indústria cinematográfica contemporânea e é comumente elogiado pela crítica por integrar elementos do cinema de arte ao formato de blockbuster.
Christopher Nolan nasceu em Londres, em 30 de julho de 1970. Seu pai, o britânico Brendan James Nolan, foi um executivo publicitário, e sua mãe, a estadunidense Christina Nolan (nascida Christina Jensen), trabalhou como comissária de bordo e professora de língua inglesa. É o segundo de três filhos, mais novo que Matthew e mais velho que Jonathan. Durante a infância, viveu em constante mudança entre Londres e Chicago, portando dupla cidadania.
Nolan começou a criar em audiovisual aos sete, quando usava uma câmera Super-8 emprestada de seu pai e filmava curtas-metragens com action figures. Crescendo, o menino passou a admirar Star Wars e, com cerca de oito anos, produziu uma animação em quadro-a-quadro, chamada Space Wars, em homenagem à franquia. Seu tio, que trabalhava para a NASA construindo sistemas de orientação e navegação para os foguetes do programa Apollo, enviava-lhe gravações em vídeo de partidas nas plataformas de lançamento. "Eu as refilmava e editava [dentro das produções caseiras], pensando que ninguém iria notar", observou Christopher mais tarde. Aos onze, passou a aspirar carreira de cineasta profissional.
O rapaz estudou no Haileybury and Imperial Service College, uma escola independente em Hertford Heath, Hertfordshire, e depois cursou graduação em literatura inglesa na University College London (UCL). Ele escolheu a instituição especificamente em decorrência da qualidade de suas instalações para produção audiovisual, que incluíam uma suíte de edição Steenbeck e câmeras de filme 16 mm. Nolan foi presidente de cineclube na faculdade; com Emma Thomas — sua namorada; futura esposa e parceira de trabalho — organizava exibições de longas-metragens de 35 mm durante o período letivo e, usando o dinheiro arrecadado com as sessões, produzia filmes de 16 mm nas férias de verão.
Durante seus anos de faculdade, Christopher criou dois curtas. O primeiro foi o surreal de 8 mm Tarantella (1989), que veio a ser exibido na Image Union, uma mostra de vídeos e filmes independentes do Public Broadcasting Service. O segundo, Larceny (1995), foi filmado em preto e branco num fim de semana, com elenco, equipe e equipamentos limitados. Financiado pelo próprio Nolan e realizado com o aparato do cineclube, essa produção veio a figurar no Cambridge Film Festival de 1996, além de ter sido considerada um dos melhores curtas de alunos da UCL.
Após a formatura, Nolan passou a dirigir vídeos corporativos comerciais. Nesse período, fez um terceiro curta, Doodlebug (1997), acerca de um homem que segura um sapato e persegue um inseto apenas para descobrir, quando o mata, que este era uma miniatura de si mesmo.[carece de fontes?] Esse foi um tempo em que Christopher teve pouco ou nenhum sucesso na materialização de seus projetos; o cineasta mais tarde recordou da "pilha de cartas em rejeição [às suas propostas]" que recebia com frequência nas primeiras incursões de produção cinematográfica, acrescentando que "há um espaço muito limitado para financiamento [de projetos] no Reino Unido. Para ser honesto, este é um território bem excludente... Nunca tive qualquer tipo de suporte da indústria cinematográfica britânica".
Em 1998, Nolan dirigiu seu primeiro longa, financiado pelo próprio e filmado com amigos dos tempos de faculdade. Following conta a história de um jovem escritor desempregado — interpretado por Jeremy Theobald — que segue estranhos pelas ruas de Londres, na esperança de encontrar inspiração para seu primeiro romance, mas que se vê envolvido no submundo do crime quando não consegue se manter distante das pessoas que acossa. O enredo do filme foi influenciado pela experiência do cineasta em viver na capital britânica e ter seu apartamento assaltado e as cenas são mostradas fora da ordem cronológica. "Há uma conexão interessante entre um estranho a perambular pela sua casa e o conceito de seguir pessoas ao acaso numa multidão. Ambas [as situações] te levam para além dos limites das relações sociais normais". Following foi criado com um orçamento de £ 3 000, gravado em fins de semana ao longo de um ano. Para conservar o material de filme, cada cena foi extensivamente ensaiada para assegurar que as primeiras ou segundas tomadas fossem usadas na edição final. Com a coprodução de Emma Thomas e Jeremy Theobald, Christopher foi responsável pelo roteiro, fotografia e edição. Tal longa ganhou prêmios de exibição em diversos festivais, sendo bem recebido pela crítica. Segundo o The New Yorker, a película "ecoou clássicos de Hitchcock", embora fosse mais "enxuta". Em 11 de dezembro de 2012, Following foi lançado em DVD e Blu-ray, como parte da Criterion Collection.
Como resultado do sucesso do primeiro longa, foi oferecida a Nolan a oportunidade para criar Memento (2000), que veio a se tornar uma de suas mais bem-sucedidas obras. Durante uma viagem de carro de Chicago a Los Angeles, seu irmão Jonathan teve a ideia para "Memento Mori", sobre um homem com amnésia anterógrada que usa anotações e tatuagens para caçar o assassino de sua esposa. Christopher, com esse partido, desenvolveu um roteiro de história em sentido inverso; Aaron Ryder, executivo da Newmarket Films, confessou ter achado esse "talvez o roteiro mais inovador que já vi". O projeto foi comprado e, para sua concretização, foi dado um limite de orçamento de US$ 4,5 milhões. Memento, estrelado por Guy Pearce e Carrie-Anne Moss, estreou em setembro de 2000 no Festival Internacional de Veneza, onde recebeu aclamação da crítica. Joe Morgenstern, do The Wall Street Journal, comentou sobre o longa: "Eu não consigo me lembrar quando [antes] um filme conseguiu parecer tão inteligente, estranhamente comovente e maliciosamente engraçado ao mesmo tempo". Basil Smith, no livro The Philosophy of Neo-Noir, compara-o com Ensaio acerca do Entendimento Humano, de John Locke, o qual argumenta que memórias conscientes constituem nossas identidades, sendo este um tema que Nolan explora no filme. O título foi um sucesso de bilheteria e recebeu vários prêmios, incluindo indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo seu roteiro, ao Independent Spirit Award na categoria de "Melhor Diretor" e "Melhor Roteiro" e outra ao Directors Guild of America (DGA). Memento foi considerado por muitos críticos um dos melhores filmes da década de 2000.