Claudia Jones, nascida Claudia Vera Cumberbatch (Port of Spain, 21 de fevereiro de 1915 – Londres, 24 de dezembro de 1964), foi uma jornalista e ativista nascida em Trindade e Tobago.
Ainda criança, migrou com a família para os Estados Unidos, onde se tornou uma ativista política e nacionalista negra através da atuação comunista, usando o nome falso Jones como "desinformação de auto-proteção". Como resultado de suas atividades políticas, foi deportada em 1955 e, posteriormente, residiu no Reino Unido. Fundou o primeiro grande jornal negro da Grã-Bretanha, The West Indian Gazette, em 1958.
Claudia nasceu em Belmonte, Port of Spain, Trinidad, em 1915. Quando tinha nove anos, sua família emigrou para Nova Iorque após a crise do preço do cacau, em Trinidad. Sua mãe morreu cinco anos mais tarde. Jones ganhou o Prêmio Theodore Roosevelt de Boa Cidadania em sua escola de ensino médio. Em 1932, devido às más condições de vida, ela teve tuberculose, uma condição que irremediavelmente afetou seus pulmões pelo resto de sua vida. Ela se formou no ensino médio, mas a sua família era tão pobre que não teve como pagar para assistir à cerimônia de formatura.
Apesar de ser academicamente brilhante, classificada como uma imigrante mulher ela sofreu severas limitações em suas escolhas de carreira e, em vez de ir para a faculdade Jones começou a trabalhar em uma lavanderia e, posteriormente, encontrou um emprego no comércio, no Harlem. Durante esse tempo, ela se juntou a um grupo de teatro e começou a escrever uma coluna chamada "Claudia Comments" para um jornal do Harlem.
Em 1936, tentando encontrar organizações que apoiassem os Scottsboro Boys, ela se juntou à Young Communist League USA, uma organização comunista. Em 1937, ela se juntou à equipe editorial do Daily Worker, tornando-se em 1938 editorado caderno semanal Weekly Review. Depois de a Liga tornar-se American Youth for Democracy na II Guerra Mundial, Jones tornou-se editora do jornal mensal Spotlight. Após a guerra, Jones tornou-se secretária-executiva da Comissão Nacional das Mulheres, vinculada ao Partido Comunista dos Estados Unidos (CPUSA) e, em 1952, assumiu a mesma posição no Conselho Nacional da Paz. Em 1953, ela assumiu a direção da política associada a assuntos afro-estadunidenses.
"Um fim para a negligência com os problemas da mulher negra!"
O texto mais conhecido de Jones, "An End to the Neglect of the Problems of the Negro Woman!", apareceu em 1949 na revista Political Affairs. Apresenta o desenvolvimento por parte de Jones ao que mais tarde ficou conhecido como análise "interseccional" dentro de um escopo marxista. Nele, escreveu:
Membro eleito do Comitê Nacional do Partido Comunista dos Estados Unidos (CPUSA), Jones também organizou e falou em eventos. Como resultado de sua participação no CPUSA e de várias actividades associadas, em 1948, ela foi presa e condenada, para o primeiro de quatro períodos de prisão. Detida na Ellis Island, ela foi ameaçada de deportação para Trinidad.
Após uma audiência no Serviço de Imigração e Naturalização, ela foi considerada em violação do McCarran Act por ser um estrangeira (não-cidadã dos EUA) que entrara para o Partido Comunista. Várias testemunhas certificaram sua atuação em atividades de partidos e ela identificou-se como um membro do partido desde 1936. Ela foi condenada a ser deportada, em 21 de dezembro de 1950.
Em 1951, com apenas 36 anos e na prisão, ela sofreu seu primeiro ataque cardíaco. Nesse mesmo ano, ela foi julgada e condenada com 11 outras pessoas, incluindo sua amiga Elizabeth Gurley Flynn, por "atividades anti-americanas", com base no Smith Act, especificamente, atividades contra o governo dos Estados Unidos. A Suprema Corte recusou-se a ouvir seu apelo. Em 1955, Jones começou sua sentença de um ano e um dia no reformatório para mulheres de Alderson, West Virginia. Ela foi solta em 23 de outubro de 1955.
Foi-lhe negada a entrada em Trinidad e Tobago, em parte, porque o governador colonial britânico, o general de brigada Sir Hubert Rance, considerou que "ela poderia criar problemas". Foi-lhe eventualmente oferecida residência no Reino Unido por razões humanitárias; autoridades federais concordaram em permitir a mudança, desde que ela cessasse de contestar sua deportação. Em 7 de dezembro de 1955, no Harlem 350 pessoas reuniram-se para vê-la ir embora.
Jones chegou em Londres duas semanas mais tarde, na época da construção da comunidade Empire Windrush e da vasta ampliação da comunidade afro-caribenha. No entanto, ao envolver-se com política em seu novo país de residência, ficou desapontada ao descobrir que muitos comunistas ingleses eram hostis a uma mulher negra.
Ao desembarcar na Inglaterra, em um momento em que muitos estabelecimentos, lojas e até mesmo edifícios governamentais expunham cartazes como "Proibido a irlandes, negros e cães", Jones encontrou uma comunidade que precisava de organização ativa. Ela começou a se envolver com a comunidade afro-caribenha para organizar o acesso a serviços básicos e o movimento pela igualdade de direitos.
Apoiada por seus amigos Trevor Carter, Nadia Cattouse, Amy Ashwood Garvey, Beryl McBurnie, Pearl Prescod e seu mentor Paul Robeson, Jones fez uma campanha contra o racismo na educação, habitação e emprego. Ela falou em marchas pela paz e no Congresso de sindicatos, além de visitar o Japão, a Rússia e a China, onde ela se reuniu com Mao Tsé-Tung.
No início da década de 1960, apesar de estar com a saúde abalada, Jones ajudou a organizar campanhas contra a Lei de Imigração 1876, o que tornaria mais difícil para os não-brancos de imigrarem para a Grã-Bretanha. Ela também participou da campanha para a libertação de Nelson Mandela e denunciou o racismo no local de trabalho.
West Indian Gazette e Afro-Asian Caribbean News, 1958
A partir de suas experiências nos Estados Unidos, Jones sabia que o "povo sem voz era como cordeiros indo ao matadouro." Portanto, em 1958 no andar de cima de um barbeiro, em Brixton, ela fundou e, posteriormente, editou o jornal anti-imperialista e antiracista West Indian Gazette e Afro-Asian Caribbean News. O jornal tornou-se um fator-chave para a ascensão política na comunidade negra britânica.
Jones escreveu em seu último ensaio publicado, "A Comunidade do Caribe na Grã-Bretanha", em Freedomways (verão de 1964):