Roberto Claudio Milar Decuadra, mais conhecido como Claudio Milar (Chuy, 6 de abril de 1974 — Canguçu, 15 de janeiro de 2009), foi um futebolista uruguaio que atuava como atacante.
Começou a carreira em um dos grandes times uruguaios, o Nacional. Na época, chegou a defender a Seleção Uruguaia sub-20, mas não vingou muito na terra natal. Após transferir-se para o pequeno clube argentino do Godoy Cruz, jamais voltaria ao futebol do Uruguai. Do Godoy Cruz rumou para o Juventude, iniciando sua trajetória peregrina por times rivais do interior do Rio Grande do Sul: pouco depois, passaria a defender o outro time de Caxias do Sul, o Caxias.
Milar, todavia, desenvolveria maior identidade com o Brasil de Pelotas. Porém, até chegar ao clube, passaria rapidamente pela Portuguesa Santista, por dois rivais de Recife, Santa Cruz e Náutico, pela Matonense, Botafogo, e até pelo arquirrival Pelotas, além de times do exterior.
Se tornou um dos grandes ídolos do Brasil de Pelotas, marcando mais de 110 gols em mais de 200 partidas pelo clube Xavante. Ele morreu em 15 de janeiro de 2009, após o ônibus do clube sair da pista e cair num barranco a mais de 30 metros.
Início e carreira em clubes brasileiros
Milar nasceu em 6 de abril de 1974, na cidade de Chuy, no Uruguai. Começou a jogar futebol no Nacional, se profissionalizando em 1993. Em 1996, foi para o Godoy Cruz, depois passando em times brasileiros como o Juventude, Caxias, Portuguesa Santista, Santa Cruz e Náutico.
No início dos anos 2000, Milar se transferiu ao ŁKS Łódź, onde marcou 2 gols em 12 partidas. Também teve passagem pelo Club Africain da Tunísia.
Em 2001, o atacante foi para o Botafogo, junto com o meio-campista peruano Cirulizza e o volante sérvio Vlad Petković. Apesar de ser contratado como um goleador para a equipe, teve pouquíssimas chances como titular e nos poucos jogos em que atuou, entrou vindo do banco de reservas. Além disso, entrou em atrito com o técnico Abel Braga e daí em diante passou a não ser mais utilizado na equipe. Saiu do Botafogo com 5 partidas e zero gols.
Milar passou ainda no Pelotas, no Hapoel Kfar Saba, e no Pogoń Szczecin.
Milar chegou ao Brasil de Pelotas por volta de 2003, e, na temporada de 2004, conquistou o Campeonato Gaúcho A2 daquele ano, onde também se tornou o maior artilheiro da história da competição, com 33 gols.
Milar marcou seu centésimo gol pelo clube em 23 de janeiro de 2008, em cobrança de falta que inagurou o placar de 4-1 sobre o São José pelo Campeonato Gaúcho. Após o gol histórico diante de seus torcedores, o ídolo de Pelotas festejou com o elenco e ganhou da direção do clube uma camisa comemorativa, que tinha os seu nome nas costas e o número 100.
Renovou seu contrato com a equipe Xavante no final de dezembro, o que faria disputar a Série C e o Campeonato Gaúcho daquela temporada.
Antes de começar o Campeonato Gaúcho de 2009, o Brasil de Pelotas foi jogar um amistoso contra o Santa Cruz na cidade de Vale do Sol. Milar marcou seu último gol naquela partida, em cobrança de pênalti; o jogo terminou em vitória do Brasil por 2-1. Antes da viagem de volta, Millar falava da expectativa de disputar mais um Gauchão e valorizava a presença de Danrlei, ex-goleiro do Grêmio, que era um reforço que dava experiência e qualidade ao grupo de jogadores.
Por volta das 23h daquela noite, a equipe voltava para Pelotas depois do amistoso. O ônibus, que levava 31 pessoas, capotou no km 150 da BR-392, caindo em um barranco de cerca de 30 metros de altura, perto do município de Canguçu. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, por volta das 23h30, no viaduto que dá acesso à BR-392, o condutor perdeu o controle em uma curva fechada. Milar morreu junto com o zagueiro Régis e o preparador de goleiros Giovani Guimarães.
Ele deixou sua esposa Carolina e seu filho de três anos, Agustín.
Milar foi velado no Estádio Bento Freitas em 16 de janeiro, acompanhado por duas mil pessoas. Ele foi sepultado na manhã do dia 17 de janeiro no Cemitério Municipal do Chuy. Cerca de 300 pessoas participaram do sepultamento. Sobre seu caixão, a camisa sete do time Xavante estava autografada pelos jogadores de sua equipe, do qual tinha a pretensão de ser presidente, quando parasse de jogar, no ano do Centenário em 2011.
Em 19 de fevereiro de 2009, na partida contra o Ulbra, pelo Campeonato Gaúcho, o Brasil de Pelotas sofreu um gol aos 45 minutos do segundo tempo por Rogério Pereira. Na comemoração, Pereira provocou a torcida ao imitar a lustre comemoração de Milar, que deixou os jogadores do Brasil furiosos e deu início a uma grande confusão em campo. A partida terminou no placar de 5-2, com seis expulsões.
Quinze anos depois, em outubro de 2024, o filho de Milar, Agustín, marcou um gol pelo Brasil de Pelotas e comemorou com a flechada que seu pai fazia.==Referências==