Claudio Ranieri Grande Oficial OMRI (Roma, 20 de outubro de 1951) é um ex-treinador e ex-futebolista italiano que atuava como lateral-direito.
Inicialmente Helenio Herrera o descobriu em uma equipe amadora da cidade de Roma: o Dodicesimo Giallorosso. Ranieri jogava como um ponta, até que o treinador Antonio Trebiciani o transformou em lateral nas categorias de base da Roma.
Como jogador, Ranieri podia atuar nas duas laterais e começou a carreira na própria Roma no ano de 1973, sendo que em duas temporadas ele jogou apenas seis vezes pelo clube; inclusive foi emprestado por um mês ao modesto Siracusa. Passou maior parte de sua carreira atuando no Catanzaro (1974–1982), Catania (1982–1984) e Palermo (1984–1986), onde se aposentou em 1986.
Esteve envolvido em quatro acessos às séries superiores do futebol italiano (duas com o Catanzaro, uma com o Catania e uma com o Palermo). Ranieri marcou apenas nove gols em sua carreira como atleta, sendo oito pelo Catanzaro e um pelo Catania. Entre os anos de 1976 e 1982, disputou 128 partidas pelo Catanzaro na Serie A.
Iniciou a carreira como técnico em 1986, no Vigor Lamezia, e em seguida comandou o modesto Campania Puteolana.
Em 1988, assumiu o Cagliari e conseguiu um feito raro no futebol italiano: levou o time da terceira à primeira divisão em apenas duas temporadas. No caminho, ainda conquistou a Copa da Série C Italiana.
Assumiu o Napoli em 1991, num período em que o clube passava por dificuldades financeiras. Apesar de terminar em quarto lugar na Serie A e conquistar uma vaga para a Copa da UEFA, não ganhou nenhuma honraria no clube. Em sua segunda temporada, foi demitido pelo dono do clube na época, Corrado Ferlaino, seguidamente da eliminação na segunda fase da Copa da UEFA; apesar da notável vitória fora de casa por 5–1 contra o Valencia na primeira fase.
Ranieri chegou na Fiorentina em 1993. Logo na primeira temporada, conseguiu o acesso à Serie A após conquistar o título da Serie B. Ganhou ainda a Copa da Itália e a Supercopa da Itália de 1996 com um elenco recheado de craques, entre eles Gabriel Batistuta, Rui Costa e Francesco Toldo. O time conseguiu permanecer invicto por 15 partidas na temporada 1995–96, permanecendo por alguns meses em segundo lugar atrás do Milan. No entanto, a Fiorentina perdeu cinco dos seus últimos nove jogos e acabou na quarta colocação. Já na temporada seguinte, terminou com um decepcionante nono lugar.
Chegou ao Valencia em 1997 e comandou a equipe por dois anos. Na sua segunda temporada, terminou em 4ª lugar na La Liga e classificou o time para a Liga dos Campeões. Acabou vencendo uma Copa do Rei em 1999 e a Copa Intertoto da UEFA de 1998. Seu time era reconhecido pela solidez defensiva, eficiência com sua formação tática baseada no 4-4-2 e forte pressão na saída de bola adversária para recuperar a posse de bola se valendo de contra-ataques. No entanto, o esquema defensivo de Ranieri não agradou a todos os jogadores; o atacante Romário tornou-se desafeto do treinador, passando a frequentar o banco de reservas em diversas partidas.
Com o fim do contrato com os Los Che, Ranieri comandou brevemente o Atlético de Madrid. Durante a passagem do italiano, o clube passou por agruras financeiras e conturbações em campo. Beirando o rebaixamento, o treinador pediu dispensa antes que Jesús Gil, bem conhecido pela fama de demitir treinadores, o fizesse. O time acabou rebaixado no fim da temporada.
Foi técnico do Chelsea do dia 18 setembro de 2000 até o dia 30 de maio de 2004, trabalhando arduamente para superar as barreiras do idioma. Quando chegou ao time inglês, seu vocabulário era limitado; felizmente, o clube tinha jogadores que podiam falar italiano ou espanhol e com isso, ajudavam-no na tradução quando estavam em treinamento. Na sua primeira temporada, o time apresentou resultados inconsistentes, com um 6º lugar na Premier League e vaga para a próxima Copa da UEFA. Ranieri foi instruído a reduzir a média de idade de seu plantel e trabalhou para reconstruir o time londrino no verão de 2001, montando um novo meio campo com as contratações de Frank Lampard, do West Ham, Emmanuel Petit e Boudewijn Zenden, do Barcelona, Jesper Grønkjær, do Ajax, além do versátil zagueiro William Gallas, do Olympique de Marseille, gastando em torno de 30 milhões de libras.
No entanto, as críticas sobre ele foram fortes. A torcida do Chelsea queria mais e a pressão aumentou quando o time terminou, de novo, em sexto lugar na Premier League, além de ter perdido a final da Copa da Inglaterra para o Arsenal. A crítica aumentou por Ranieri ter vendido um dos ídolos do clube, Dennis Wise, já veterano na época. A imprensa inglesa o acusava de rodar demais o elenco (por isso era conhecido como The Tinkerman). Apesar disso, o italiano foi mantido.
Foi na temporada 2002–03 que ele conseguiu seu maior feito. Com o clube em uma situação financeira complicada e sem poder fazer contratações importantes, ele finalmente conseguiu levar o time à Liga dos Campeões da UEFA. No elenco, alguns jogadores que posteriormente ficariam conhecidos: John Terry, então um jovem, Carlton Cole e Robert Huth, que voltou a encontrar o técnico no Leicester, 13 anos depois.
Quando o clube foi comprado pelo bilionário russo Roman Abramovich em 2003, o italiano recebeu um grande orçamento para transferências, porém, via seu trabalho ameaçado ao mesmo tempo. Ranieri gastou 120 milhões de libras no verão daquele ano e as contratações incluíam o ponta irlandês Damien Duff, por 17 milhões de libras (um recorde até então para o clube), os jovens ingleses Wayne Bridge, Joe Cole e Glen Johnson; a dupla argentina Juan Sebastián Verón e Hernán Crespo; o francês Claude Makélélé e a estrela romena Adrian Mutu. O pesado investimento trouxe ao clube a melhor posição na liga em 49 anos, sendo vice-campeões para o Arsenal. O clube alcançou inclusive as semifinais da Liga dos Campeões, batendo os Gunners nas quartas-de-final. Só que a estabilidade do italiano começou a ser questionada a partir das semifinais contra o Monaco, devido as substituições estranhas feitas e as mudanças táticas repentinas.
Aquela temporada ficou marcada para o clube devido aos poucos gols sofridos e o maior número de pontos obtidos.
O antigo futebolista e agora jornalista David Platt frisou uma observação sobre o italiano: Construir um time que pode conquistar um título é diferente de apenas conduzir um time ao título. Com o fim das especulações no comando, no dia 31 de maio, o cargo de treinador passou a ser de José Mourinho, o qual levou o time do Porto a vários triunfos pela Europa. Os dois títulos obtidos pelo português nas temporadas seguintes tiveram a influência do italiano, que trouxe vários dos jogadores que compuseram o elenco vitorioso. Em seus últimos meses no clube, Ranieri comunicou à diretoria dois grandes jogadores que o Chelsea deveria contratar: Didier Drogba e Arjen Robben.
Ranieri retornou ao Valencia na temporada 2004–05, substituindo Rafa Benitez (o treinador que havia levado o time para a Copa UEFA e a dois títulos da La Liga, agora contratado pelo Liverpool). O treinador italiano fez uma série de contratações e teve um começo brilhante, conquistando 14 dos 18 pontos disputados na La Liga e vencendo o Porto na Supercopa da UEFA. Só que, a partir de outubro, lentamente iniciou uma crise no clube; o Valencia conseguiu apenas uma vitória em sete partidas e foi eliminado da Liga dos Campeões (muito por causa de uma derrota por 5–1 contra a Internazionale, na qual o meio-campista Miguel Ángel Angulo foi expulso por cuspir em um adversário).
Em uma breve sobrevida, o Valencia passou outros seis jogos sem vencer a partir de janeiro. Apesar da impopularidade causada pela contratação de quatro jogadores italianos, Ranieri foi criticado por não colocar o argentino Pablo Aimar nas partidas e por mudar constantemente a formação tática da equipe (lembrando muito o que fizera nos seus tempos de Chelsea).