Colin Andrew Firth CBE (Grayshott, 10 de setembro de 1960) é um ator britânico.
Colin ganhou fama na série de televisão Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito), no papel de Mr. Darcy, em 1995. No cinema tornou-se conhecido no filme Bridget Jones's Diary (br: O Diário de Bridget Jones), de 2001, contracenando com Renée Zellweger e Hugh Grant, em 2008 participou da adaptação para o cinema do musical Mamma Mia!, sucesso de bilheteria. Em 2010, obteve sua primeira indicação ao Oscar na categoria de melhor ator pelo filme A Single Man, em que atuou ao lado de Julianne Moore. Em 2011, recebeu o Oscar de melhor ator pelo filme O Discurso do Rei.
Colin Firth nasceu na aldeia de Grayshott, Hampshire, filho de Shirley Jean e de David Norman Lewis Firth. Os seus pais eram académicos e professores. A sua mãe era professora de Religião Comparada na King's Alfred College (atualmente a Universidade de Winchester) e o seu pai era professor de História na mesma universidade e oficial de educação do governo da Nigéria. Colin é o mais velho de três filhos: a sua irmã Katie é atriz e técnica de voz e o seu irmão Jonathan também é ator. Os seus avós maternos eram ministros congregacionais e o seu avô paterno era um padre anglicano. Eles faziam trabalho missionário no estrangeiro e ambos os seus pais nasceram e passaram parte da infância na Índia.
Em criança, Colin viajava frequentemente devido ao trabalho dos pais e passou alguns anos na Nigéria. Ele também viveu em St. Louis no Missouri quando tinha 11 anos, uma experiência que descreveu como "difícil". Depois de regressar a Inglaterra, ingressou na Montgomery of Alamein Secondary School, que na altura era uma escola pública em Winchester. Nesta altura ainda se sentia excluído e foi alvo de bullying. Para se tentar integrar, Colin adotou um sotaque local e imitou a falta de interesse no trabalho escolar dos seus colegas.
Colin começou a frequentar cursos de teatro aos 10 anos e, aos 14, decidiu que queria ser ator. Nesta altura, ele não tinha aproveitamento escolar e disse mais tarde: "Não gostava da escola. Achava que era só aborrecida e medíocre e nada do que me ensinavam parecia ter qualquer interesse." Porém, quando ingressou noutra escola secundária ganhou uma paixão por literatura inglesa graças a uma professora, Penny Edwards e disse que os dois anos que lá passou foram dos mais felizes da sua vida.
Depois de terminar o ensino secundário, Colin mudou-se para Londres e juntou-se ao National Youth Theatre, onde conseguiu fazer vários contactos e foi contratado pelo departamento de figurinos do National Theatre. Mais tarde, estudou teatro no Drama Centre.
1983–1995: Primeiros trabalhos e revelação
Quando interpretou Hamlet na peça de fim de ano do Drama Centre, Colin foi descoberto pelo dramaturgo Julian Mitchel, que o escolheu para o papel de Guy Bennet na peça Another Country, apresentada no West End em 1983. No ano seguinte, a peça foi adaptada ao cinema e Colin não interpretou a personagem que tinha encarnado no palco. Em vez disso, interpretou Tommy Judd, o amigo marxista da sua personagem. O papel que tinha interpretado no teatro, do ambicioso aluno homossexual de uma escola privada, Guy Bennet, foi para Rupert Everett. Este foi o início de uma zanga pública entre Colin e Rupert que acabou por ser resolvida. Em 1986, Colin trabalhou com Sir Laurence Olivier em Lost Empires, uma adaptação para a televisão do romance homónimo de J. B. Priestley.
Em 1987, Colin e outros atores britânicos em ascensão, como Tim Roth, Bruce Payne e Paul McGann foram apelidados de "Brit Pack". Nesse ano, ele contracenou com Kenneth Branagh na adaptação ao cinema do romance A Month in the Country de J. L. Carr. Sheila Johnson notou um tema no início da carreira de Colin: ele interpretou várias personagens traumatizadas pela guerra. Em 1988, ele interpretou o papel do soldado britânico Robert Lawrence MC no telefilme da BBC, Tumbledown. O telefilme, baseado em factos reais, segue a história de um soldado que ficou gravemente ferido na Guerra das Malvinas e que se tenta ajustar à sua nova vida com uma deficiência enquanto enfrenta a indiferença do Estado e do público. O filme foi polémico na altura e criticado por forças políticas de esquerda e de direita. Apesar disso, o desempenho de Colin valeu-lhe o prémio de Melhor Ator da Royal TV Society e uma nomeação para na mesma categoria nos BAFTA Television Awards. No ano seguinte, o ator protagonizou a versão de Miloš Forman de Valmont, baseado em Les Liaisons dangereuses. Esta versão foi lançada apenas um ano depois do filme Dangerous Liasons e não teve tanto impacto. Nesse ano, Colin interpretou ainda um homem paranoico e com ansiedade social no thriller psicológico argentino Apartment Zero.
Depois de vários anos com papéis secundários ou principais em filmes e produções para a televisão pouco conhecidos, Colin teve finalmente o seu papel revelação em 1995, quando interpretou o emblemático Mr. Darcy na série da BBC, Pride and Prejudice. Colin foi a primeira escolha da produtora Sue Birtwistle para o papel e ele acabou por aceitá-lo apesar de não estar familiarizado com a obra de Jane Austen e de não ter grande interesse pela personagem. Colin e a atriz principal da série, Jennifer Ehle iniciaram uma relação durante as filmagens que só atraiu a atenção da imprensa após a sua separação. Sheila Johnson escreveu que a abordagem de Colin ao papel: "deu a Darcy sombras de complexidade de frieza e até de indelicadeza nos primeiros episódios." A série foi um sucesso internacional e tornou Colin Firth famoso, em parte devido a uma cena que não se encontra no livro onde ele sai de um lago com a camisa molhada depois de ir nadar. Apesar de ele não se importar de ser conhecido como "um ídolo romântico como Darcy" num papel que "o transformou oficialmente num galã", Colin afirmou que não gostava de ser associado a Pride and Prejudice para sempre. Por isso, ele hesitou em aceitar papéis semelhantes nos anos seguintes.
1996–2008: Comédias românticas e papéis secundários
Durante algum tempo, parecia mesmo que o papel de Mr. Darcy iria ofuscar o resto da carreira de Colin e há várias alusões cómicas a este papel nos filmes seguintes em que participou. A mais notável foi ele ter sido escolhido para interpretar o papel de Mark Darcy na adaptação ao cinema do romance O Diário de Bridget Jones que se trata de uma adaptação moderna de Pride and Prejudice. Colin aceitou o papel porque o viu como uma oportunidade para satirizar o seu Mr. Darcy. O filme, que conta ainda com Renée Zellweger e Hugh Grant, foi um grande sucesso de bilheteira e deu origem a duas sequelas onde Colin também participa: Bridget Jones: The Edge of Reason em 2004 e Bridget Jones's Baby em 2016. No entanto, nenhuma delas conseguiu igualar o sucesso do filme original.
Antes de protagonizar O Diário de Bridget Jones, Colin teve papéis secundários em alguns dos filmes mais elogiados da década de 1990. Em 1996, atuou no filme com várias indicações ao Óscar, The English Patient, ao lado de Kristin Scott Thomas e Ralph Fiennes. Dois anos depois, teve um papel secundário em Shakespeare in Love, o vencedor do Óscar de Melhor Filme em 1999.
Participou ainda em vários filmes e séries de época, incluindo Nostromo (1996), Donovan Quick (1999), Relative Values (2000), The Importance of Being Earnest (2002). Em 2001, participou no telefilme Conspiracy, transmitido pela HBO. O filme é uma dramatização da Conferência de Wannsee e usa a transcrição original da mesma como guião. O filme e o elenco foram bastante elogiados pela crítica e Colin foi nomeado para o Emmy de Melhor Ator Secundário numa Minissérie ou Filme pelo seu papel.
Em 2003, Firth participou do filme da Universal, Love Actually, escrito e dirigido por Richard Curtis. Ele atuou no filme juntamente com um extraordinário grupo de atores que incluíam Hugh Grant, Emma Thompson, Liam Neeson, Laura Linney e Keira Knightley. Na época desse lançamento, Love Actually quebrou o recorde de maior bilheteria de abertura de uma comédia romântica britânica em todos os tempos na Grã-Bretanha e na Irlanda, e foi a maior abertura da história da Working Title Films. Ainda nesse ano, interpretou o pai aristocrático da personagem de Amanda Bynes na comédia romântica What a Girl Wants. Apesar das críticas fracas, o filme teve algum sucesso na bilheteira.