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Conchal

Município brasileiro do estado de São Paulo

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Conchal é um município brasileiro do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2024 pelo IBGE era de 29.034 habitantes. O município é formado pela sede e pelo distrito de Tujuguaba, e faz parte da Região Metropolitana de Piracicaba.

De acordo com pesquisas arqueológicas desenvolvidas em Mogi Mirim, município vizinho a Conchal, os primeiros vestígios da presença humana na bacia do rio Moji Guaçu datam de mais de 8.000 anos Antes do Presente. Encontrados no sítio Bela Vista 2, trata-se de remanescentes materiais de antigos grupos caçadores-coletores, produtores de diversos artefatos em pedra lascada. Antepassados de populações indígenas atuais, esses primeiros grupos se deslocavam com regularidade pela região, escolhendo topos de morros e terraços fluviais para construção de seus acampamentos e aldeias.

Por volta do primeiro século da Era Comum, grupos indígenas mais numerosos, detentores de técnicas agrícolas e de produção de cerâmica, teriam começado a se instalar por todo o nordeste paulista. Em geral, a dieta alimentar desses grupos era composta por plantas ricas em carboidratos (como o milho e a mandioca), frutos, raízes e nozes silvestres, além da proteína obtida através de pesca e caça. Também teriam plantado várias espécies não alimentícias, como cabaças, tabaco, algodão e urucum. Em geral, essas populações ameríndias são associadas às tradições ceramistas Tupiguarani e Aratu-Sapucaí, frequentemente identificadas em sítios arqueológicos ao longo dos vales dos rios Pardo e Mojiguaçu.

Durante o período colonial português, iniciado no século XVI, expedições em busca de indígenas e metais preciosos frequentemente atravessavam o atual nordeste paulista, embora existam poucos relatos acerca das filiações étnicas dos grupos ameríndios que habitavam esse trecho do rio Mojiguaçu. De acordo com o Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes, produzido pelo antropólogo teuto-brasileiro Curt Nimuendajú, a região era habitada por povos Tupi e Tamoio ainda nos primeiros dois séculos de dominação lusitana.

O principal caminho utilizado pelos portugueses na região era o chamado “Caminho do Anhanguera”, Estrada dos Goyases ou simplesmente Caminho de Goiás, através do qual se alcançavam as minas de ouro no atual estado de Goiás, descobertas na primeira metade do século XVIII. Em suas margens foram paulatinamente criadas fazendas, pousos, cavalgaduras, e povoados, dando origem a municípios como Mogi Mirim e Mogi Guaçu. De maneira geral, os núcleos de povoamento fundados ao longo do Caminho serviam principalmente como pontos de paragem de tropas e viajantes em direção às minas de Goiás, sendo também comum o cultivo de mandioca, cana, feijões, algodão e milho nos arredores desses locais.

Até o início do século XX, a região de Conchal permaneceu habitada de forma bastante esparsa, sendo que a maior parte do território era formado pelas fazendas Nova Zelândia, Ferraz e Leme. Além dessas três, ao menos um documento de início do século XX menciona uma outra fazenda na região, batizada com o nome de Conchal. Em 28 de março de 1911, essas terras foram divididas em dois núcleos coloniais pelo Decreto n° 2020, os quais foram batizados de “Visconde de Indaiatuba” e “Conde de Parnaíba”. Parte da política estadual de povoamento de áreas consideradas produtivas do interior paulista, esses núcleos coloniais eram formados por lotes de dez e vinte alqueires, sendo geralmente voltados para imigrantes recém-chegados da Europa.

Nos anos seguintes, a inauguração da Estrada de Ferro Funilense e de uma estação ferroviária, além de obras de saneamento custeadas pelo Estado para evitar a disseminação da malária, fizeram com que os dois núcleos coloniais atraíssem novos moradores para a região.

Conchal desenvolveu-se a partir da estação ferroviária do município. A Cia. Carril Funilense foi inaugurada em 18 de setembro de 1899 pela Cia. Agrícola Funilense, de Funil (hoje Cosmópolis), com bitola de 60 cm, saindo do centro de Campinas e chegando até a atual Cosmópolis, na época chamada de Barão Geraldo de Resende.

Em 1904, por parte de um empréstimo não honrado, o Governo do Estado ficou com a ferrovia. Em 1906, a bitola foi ampliada para a métrica; em 1913, a ferrovia já chegava ao seu ponto máximo, em Pádua Salles, margem do rio Mogi Guaçu. Em 01 de setembro de 1921, a Sorocabana incorporou a linha, que em 1924 passou a sair da nova estação da EFS em Campinas, e com o nome de Ramal de Pádua Salles, com 93 quilômetros.

A linha foi fechada no início de 1960, tendo os trilhos arrancados pouco tempo depois. Hoje são bem poucos os resquícios da velha Funilense.

A estação de Conchal foi inaugurada em 1913 pela Funilense, para atender o núcleo colonial Visconde de Parnaíba, estabelecido pelo Governo do Estado dois anos antes, em terras da fazenda Conchal, então pertencente ao município de Mogi Mirim.

O município formou-se a partir do núcleo colonial e a estação tomou o nome da fazenda, pois foi o dono desta fazenda, Alfredo Eduardo de Oliveira, que fez o acordo de terras com a ferrovia. Em 1921, passou a fazer parte da malha da Sorocabana, que passou a administrar a linha, incorporando-a sob o nome de ramal de Pádua Salles.

A estação foi desativada em 1960, com a linha, mas ainda existe: restaurada, não tem mais a cobertura da plataforma. Está ali, no fim da cidade, parcialmente conservada e servindo às escolas, com um pátio enorme à sua volta.

Assim, em 1919, os núcleos de Visconde de Indaiatuba e Conde de Paranaíba foram alçados à condição de distrito de paz do município de Mogi Mirim. O crescimento demográfico e a nova categoria administrativa local também se refletiam na infraestrutura do agora distrito de Engenheiro Coelho: se antes a maior parte das residências era feita em madeira, na década de 1920 já predominavam as construções em alvenaria, algumas destas já conectadas à recém-instalada rede elétrica.

Formado a partir de uma política estatal de colonização agrícola, o distrito de Engenheiro Coelho manteve uma economia voltada ao cultivo de café, cana de açúcar, algodão, mandioca e outros gêneros em suas primeiras décadas de existência, com escoamento da produção garantido pela ferrovia. Além da agricultura, o distrito também já contava com algumas serrarias e olarias nesse período.

Na década de 1940, parte dos moradores do distrito requisitava a transferência de jurisdição de Mogi Mirim para o município de Araras.

Contudo, nem todos os habitantes do distrito concordavam com a reivindicação, o que acabou por inviabilizá-la politicamente. Em 1944, ficou decidida a permanência do distrito de Engenheiro Coelho junto ao município de Mogi Mirim.

Cerca de quatro anos depois, em 1948, o movimento pró-emancipação realizou um plebiscito com eleitores previamente cadastrados no Cine Paratodos, antigo cinema de Conchal. Com 627 votos a favor e somente 27 contra, ficou confirmado o desejo da população local em emancipar o distrito de Mogi Mirim.

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