Neste Dia

Conflito no Curdistão sírio (2012–presente)

Conflito militar e político no norte da Síria

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A revolta curda na Síria ou conflito no Curdistão sírio é um conflito armado que está ocorrendo atualmente na Síria por parte da população curda desse país contra o governo de Bashar al-Assad e contra grupos jihadistas que atuam no seu território, no contexto da Guerra Civil Síria.

Durante a Guerra Civil Síria, os curdos têm, principalmente, permanecido em neutralidade, mas os militantes curdos se enfrentaram esporadicamente com as forças do governo sírio e com o Exército Livre Sírio sobre o controle no norte e nordeste da Síria.

Ao fim de 2013, facções extremistas começaram a combater tanto militantes da oposição, quanto soldados do governo sírio. O grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante lançou-se então em várias ofensivas e tomou enormes porções de territórios no Iraque e na Síria. Em meados de 2014, começaram a lançar ataques em larga escala contra o Curdistão iraquiano e sírio. Na Síria, os combates deixaram centenas de mortos e ondas de milhares de refugiados. Aviões dos Estados Unidos e de nações árabes lançaram ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico na região curda. A violência na região se intensificou e a situação humanitária se deteriorou.

Os curdos compõem nove por cento da população da Síria ou 2 milhões de pessoas. O governo considera o nordeste do país, onde vivem muitos curdos de importância estratégica, porque contém uma grande porcentagem de suprimentos de petróleo do país.

Desde 2004, várias rebeliões em áreas curdas da Síria levaram ao aumento da tensão. Em 2004, ocorreram tumultos contra o governo em uma cidade do nordeste do país, Al-Qamishli. Durante uma caótica partida de futebol, algumas pessoas agitavam bandeiras curdas, e o jogo se transformou em um conflito político. Na repressão que se seguiu por parte da polícia e confrontos entre curdos e grupos árabes, pelo menos 30 pessoas foram mortas com algumas reivindicações que indicam um número de vítimas de cerca de 100 pessoas. Confrontos ocasionais entre manifestantes curdos e as forças do governo têm ocorrido desde então.

O sentimento antigoverno está presente entre a população curda há muito tempo. O governo sírio não reconhece oficialmente a existência de curdos na Síria e vários curdos foram destituídos de sua cidadania e foram registrados como estrangeiros. A língua e cultura curdas também têm sido suprimidas. No entanto, o governo tentou resolver esses problemas em 2011, concedendo uma cidadania a todos os curdos, mas apenas uma estimativa de 6 000 a 150 000 curdos apátridas foram dadas nacionalidade e regulamentações mais discriminatórias, incluindo a proibição de ensino curdo, ainda estão nos livros.

Os curdos participaram nos estágios iniciais da revolta síria em menor número do que os seus homólogos sírios árabes. Isso é explicado como devido à aprovação turca à oposição e a representação curda no Conselho Nacional Sírio "O regime tentou neutralizar curdos", disse Hassan Saleh, líder curdo do Partido Yekiti. "Nas áreas curdas, as pessoas não estão sendo reprimidas como nas áreas árabes. Mas os ativistas estão sendo presos". De acordo com Ariel Zirulnick do Christian Science Monitor , o governo Assad "conseguiu convencer muitos dos curdos e os cristãos da Síria que, sem a mão de ferro de um líder simpático para as ameaças representadas as minorias, eles podem ter o mesmo destino" que as minorias no Líbano e no Iraque.

O Movimento Nacional dos Partidos Curdos na Síria, que consiste em doze partidos curdos da Síria, boicotaram uma cúpula da oposição síria em Antalya, Turquia, em 31 de maio de 2011, afirmando que "tal encontro realizado na Turquia só poderia ser prejudicial para os curdos da Síria, porque a Turquia é contra as aspirações dos curdos, e não apenas no que diz respeito ao norte do Curdistão, mas em todas as quatro partes do Curdistão, incluindo a região curda da Síria." O representante do partido esquerdista curdo, Saleh Kado, afirmou que "nós, os curdos na Síria, não confiamos na Turquia ou nas suas políticas, e foi por isso que decidimos boicotar a cúpula".

Durante a cúpula de agosto em Istambul, que levou à criação do Conselho Nacional Sírio, apenas dois dos partidos do Movimento Nacional dos Partidos Curdos da Síria, o Partido União Curda e o Partido Liberdade Curda, participaram do encontro. O líder curdo, Shelal Gado, indicou a razão pela qual não participou: foi a de que "a Turquia é contra os curdos... em todas as partes do mundo" e que "se a Turquia não dá direitos aos seus 25 milhões de curdos, como poderá defender os direitos do povo sírio e os curdos de lá?" Abdulbaqi Yusuf, representando o Partido Liberdade Curda, no entanto, afirmou que o seu partido não sentiu nenhuma pressão turca durante a reunião e participou para representar as demandas curdas.

Em 7 de outubro de 2011, o proeminente ativista dos direitos curdos, Mashaal Tammo, foi assassinado quando homens armados e mascarados invadiram seu apartamento; com o governo sírio sendo responsabilizado por sua morte. Pelo menos 20 civis também foram mortos durante a repressão das manifestações em todo o país. Em 20 de setembro, o político curdo Mahmoud Wali foi assassinado por homens armados e mascarados na cidade de Ras al-Ayn.

O presidente do Partido da União Democrática, Salih Muslim Muhammad, afirmou que a falta de participação ocorreu devido a uma decisão tática, explicando que: "Não é uma trégua de facto entre os curdos e o governo. As forças de segurança estão sobrecarregadas ao longo das províncias árabes da Síria por enfrentar os manifestantes, e não podem permitir a abertura de uma segunda frente no Curdistão sírio. De nosso lado, precisamos que o exército fique longe. Nosso partido está ocupado estabelecendo organizações, comitês, capazes de assumir o lugar da administração do Ba'ath no momento do colapso do regime".

O líder sênior do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Cemil Bayik, declarou em novembro de 2011 que se a Turquia fosse intervir na região curda da Síria, o PKK lutaria do lado curdo. O ramo sírio do PKK alegou no mesmo mês que estava envolvido na orientação dos curdos participantes da revolta. Murat Karayilan, chefe militar comandante do PKK, ameaçou transformar todas as áreas curdas na Turquia em uma zona de guerra se forças turcas entrarem na área curda da Síria.

Até 10 de março de 2012, 40 das 10.553 vítimas durante a revolta síria (representando aproximadamente 0,38% das vítimas) ocorreram no principalmente curda do Distrito de Al Hasakah, embora o distrito abrigasse cerca de 7% da população da Síria. Em 10 de junho de 2012, o Conselho Nacional Sírio, um grande de grupo oposição, anunciou Abdulbaset Sieda, de etnia curda, como seu novo líder.

Os protestos contra o governo estavam em andamento nas áreas habitadas por curdos da Síria desde março de 2011, como uma parte mais ampla da revolta síria, mas os confrontos iniciaram depois que a oposição do Partido da União Democrática Curda (PYD) e do Conselho Nacional Curdo (KNC) assinaram um acordo de sete pontos em 11 de junho de 2012 em Arbil sob os auspícios do presidente do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani. Este acordo, no entanto, não conseguiu ser implementado e assim um novo acordo de cooperação entre ambas as partes foi assinado em 12 de julho, que viu a criação do Supremo Comitê Curdo como um corpo governante de todos os territórios controlados pelos curdos.

Cidades habitadas por curdos capturadas

As recém-criadas Unidades de Proteção Populares (YPG) invadiram a cidade de Ayn al-Arab (em curdo: Kobanê) em 19 de julho, seguido pela captura de Amuda (em curdo: Amûdê) e Afrîn (em curdo: Efrîn) em 20 de julho O KNC e o PYD posteriormente formaram um conselho de liderança conjunta para conduzir as cidades capturadas. As cidades caíram sem grandes confrontos, as forças de segurança sírias se retiraram sem maior resistência. O exército sírio retirou-se para lutar em outro lugar.

As forças da YPG continuaram com seu avanço e em 21 de julho capturaram Al-Malikiyah (em curdo: Dêrika Hemko), que está localizada a 10 quilômetros da fronteira com a Turquia. Os rebeldes, no momento também destinavam capturar Qamishli, a maior cidade da Síria com uma maioria curda. No mesmo dia, o governo sírio atacou uma patrulha de membros curdos do YPG e feriu um combatente No dia seguinte, foi relatado que forças curdas estavam ainda lutando por Al-Malikiyah (em curdo: Dêrika Hemko), onde um jovem ativista curdo foi morto depois que as forças de segurança do governo abriram fogo contra os manifestantes. O YPG também assumiu o controle sobre as cidades de Ra's al-'Ayn (em curdo: Serê Kaniyê) e Al-Darbasiyah (em curdo: Dirbêsî), após as unidades de segurança e de política retirarem-se dessas áreas, seguindo por um ultimato emitido pelos curdos. No mesmo dia, confrontos eclodiram em Qamishli entre o YPG e as forças do governo em que um combatente curdo foi morto e dois ficaram feridos, juntamente com um oficial do governo.

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