A Congregação Cristã no Brasil é uma igreja cristã de matriz pentecostal. A denominação foi estabelecida por meio da pregação de Louis Francescon, missionário ítalo-americano, co-fundador, dentre outras, das Assembleias Cristãs na Argentina, Congregações Cristãs Pentecostais na Itália e da Assembleia de Deus na Itália. As primeiras casas de oração foram fundadas no Paraná em Santo Antônio da Platina e em São Paulo no Bairro do Brás. Em 2026, segundo o próprio relatório anual oficial da comunidade religiosa, estima-se que a denominação esteja presente em 85 países. A Congregação Cristã no Brasil figura entre as maiores denominações evangélicas no país, com 2 289 634 membros. Em 2019, as estatísticas da denominação indicavam a existência de mais de 20 000 templos espalhados pelas cinco regiões brasileiras. Em 2010, a Congregação era a terceira maior denominação protestante no Brasil por número de membros.
A Congregação Cristã no Brasil inicialmente aderiu aos resultados da Convenção realizada em 1927, na cidade de Niagara Falls, nos Estados Unidos, durante Convenção da Igreja Cristã Italiana da América do Norte, na qual foram definidos e adotados os 12 Artigos de Fé. Em 2003, foi realizada a Convenção Internacional das Congregações Cristãs, que estabeleceu princípios comuns de gestão eclesiástica, embora sem a prevalência de uma organização nacional sobre as demais.
Resultante de uma síntese entre elementos doutrinários de base protestante histórica, como os presbiterianos-valdenses e os metodistas livres, e o denominado Avivamento Pentecostal de Chicago (1907), a Congregação Cristã se apresenta inicialmente como um segmento adenominacional e categoricamente avesso ao institucionalismo eclesiástico. Seu estabelecimento no Brasil ocorreu em 1910, em dois distintos núcleos: Santo Antônio da Platina (PR) e a cidade de São Paulo, capital.
Em fins do século XIX, segundo relato de próprio punho, Luigi/Louis Francescon, ancião da Primeira Igreja Presbiteriana de Chicago (Prima Chiesa Presbiteriana Italiana di Chicago) adere ao batismo adulto por imersão (em oposição ao batismo por aspersão).
Submetendo-se ao referido batismo, a ele ministrado por um correligionário que uma semana antes tinha sido batizado pelos Irmãos de Plymouth, Francescon e alguns aderentes deliberam sair do sistema denominacional, rompendo com a anterior filiação presbiteriana, dando, assim, origem a uma comunidade livre que mais tarde seria chamada Assemblea Cristiana Italiana di Chicago.
Posteriormente, em 1907, vem a inteirar-se acerca de um movimento em voga em Chicago: a Missão Pentecostal sob a liderança de William Durham - 943 West North Avenue. Essa missão local consistia em uma extensão do avivamento iniciado em Los Angeles, Califórnia (Rua Azuza), no qual se relatava a experiência neotestamentária descrita como "Batismo do Espírito Santo" (cuja emblemática se pautava pelo "falar em novas línguas"). Nesse mesmo núcleo estiveram presentes o sueco Daniel Berg (Assembleia de Deus) e a canadense Aimee McPherson (Igreja do Evangelho Quadrangular). Em visita à Missão Pentecostal (após convite emitido) Francescon teria recebido, conforme suas palavras, uma confirmação de que o trabalho evangelístico ali desenvolvido dispunha do aval divino. Desse modo tanto Francescon quanto seus companheiros passam a frequentar as reuniões presididas por William Durham, sendo a sua maioria agraciada com o Batismo no Espírito Santo.
Em 15 de setembro de 1907, no entanto, regressam à Congregação sem nome situada na West Grand Avenue em Chicago. Essa data, descrita por Francescon como "inesquecível dia" e por Pietro Ottolini como "um dia de sacra memória", testemunha um avivamento local, determinando o marco inicial daquele que os historiadores viriam a chamar de "Movimento Pentecostal Italiano".
Em viagem de trem pela Estrada de Ferro Sorocabana, entre São Paulo e a pequena estação de Ourinhos, aberta em 1908, e Salto Grande, com destino a Santo Antônio da Platina, Louis Francescon tomou conhecimento que em Sorocaba havia um distrito por nome de Votorantim e que a colônia de imigrantes italianos era significante no vilarejo. Em Votorantim conheceu Angelo de Ciene e deixou a semente plantada, deixando com ele um hinário e uma Bíblia. Louis Francescon voltou ao Brasil em 1918, e em Votorantim já encontrou os irmãos reunidos numa casa na atual Rua Cel. Augusto Cesar Nascimento nº 38. Além do italiano Angelo de Ciene, a família Ribeiro aceitou a nova religião. Eram duas famílias que formavam o primeiro grupo de oração na vila operária. Começa a nascer em Votorantim a primeira Congregação Cristã no interior do Estado de São Paulo e a terceira no Brasil, espalhando para Sorocaba, Piedade, Salto de Pirapora e toda região circunvizinha de Votorantim.
Por perseguição da direção da fábrica de tecidos pertencente ao grupo S.A. Indústrias Votorantim, que não permitia barulho na vila, os irmãos passam a reunir-se fora da vila, em casa do irmão Benedito Ribeiro no começo da antiga Rua Vossoroca (que futuramente doaria o terreno onde hoje é a Congregação Central de Votorantim) e depois na casa de Piero Bozzon,e do Camolezzi (pai de Ezequiel Camolezzi). Como ensinara o irmão Louis Francescon e conforme o hinário deixado, todos cantavam só em italiano. A vila era quase totalmente composta de imigrantes italianos.
A trajetória da história da Congregação Cristã na cidade de Votorantim relata; que os primeiros irmãos que iniciaram essa obra, trabalhavam na fábrica de tecidos e conheciam o José Thomaz da Costa, ou "Zé da Costa", um talentoso jogador de futebol que atuava pelo time Sport Club Savoia. E arriscaram convidá-lo a participar de um serviço de oração, Zé da Costa concordou, mas com um trato: eles ficariam sócios do clube e assistiriam a ele (Zé da Costa) jogar. Todos concordaram, ficando sócios do clube e dois deles, Benedito Ribeiro e Louis Francescon, adentraram até o vestiário dos jogadores. Ali, enquanto Zé da Costa colocava seu material esportivo no corpo, eles oravam por ele. Foi o último jogo de José Thomaz da Costa. Os irmãos e nem ele, não foram mais ao campo. José Thomaz da Costa foi ungido ancião pelo Louis Francescon em 1931.
Além de Francescon, diversos outros expoentes do pentecostalismo ítalo-americanos também atuaram como missionários no Brasil, tais como Giacomo Lombardi, Luis Terragnoli, Agostinho Lencioni, Lucia Menna e Giuseppe Petrelli]. Francescon realizaria ainda mais dez viagens ao Brasil, sendo a última em 1948.
Inicialmente sem denominação alguma, o movimento pentecostal entre os italianos era conhecido como "Igreja dos Glórias", ou com designações como Anduanza cristiana, radunanza cristiana, assemblea cristiana, congregazione cristiana ou ainda informalmente como Assamblea Cristiana Reuniti nel Nome del Signore Gesú ("Assembleia Cristã Reunidos em Nome do Senhor Jesus") ou Congregazione Cristiana. A partir de 1922 passa a adotar o nome "Congregação Christã". Em 1928 assume personalidade jurídica com a adoção da designação Congregação Cristã do Brasil, registrada em 30 de março de 1936. Já em 1962 efetuou-se a alteração atualmente em vigor, substituindo-se a contração "do" por "no" (Congregação Cristã no Brasil).
Para fins de uniformidade e respaldo teológico-doutrinário, convocou-se em 1927, de 30 de abril a 1º de maio, na cidade de Niagara Falls, NY (Estados Unidos da América), a Convenção da Igreja Cristã Italiana da América do Norte, na qual se definiram os "12 Articoli di Fede" (12 Artigos de Fé), posteriormente adotados pelas congêneres argentinas e italianas, e pela Congregação Cristã no Brasil, sob a designação de "Pontos de Doutrina e da Fé que uma vez foi dada aos santos".Majoritariamente italiana até a década de 1930, a Congregação Cristã veio a ampliar a sua membresia estendendo-a a outras etnias. Desde 1950 faz-se presente em todo território brasileiro e em todos os demais continentes. Em 2010, contabilizou 2 289 634 membros declarados (no Brasil), conforme o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mais da metade destes se encontram nos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Outra grande parte se encontram nos estados da Bahia, Goiás e Pernambuco. Sendo uma igreja de bases populares, propaga-se também entre minorias, tais como comunidades indígenas e em quilombos remanescentes.