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Cosroes II

Cosroes II (em grego: Χοσρόης; romaniz.: Chrosróes; em latim: Chosroes; em armênio: Խոսրով; romaniz.: Χosrov; em parta:

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Cosroes II (em grego: Χοσρόης; romaniz.: Chrosróes; em latim: Chosroes; em armênio: Խոսրով; romaniz.: Χosrov; em parta: 𐭇𐭅𐭎𐭓𐭅; romaniz.: Χusrow), também conhecido como Cosroes Parvez ou Cosroes Parviz (em persa: خسرو پرویز; romaniz.: Khosrow Parvi/ez; lit. "Cosroes, o Vitorioso"; m. 628), foi o vigésimo segundo xá sassânida da Pérsia de 590 a 628. Era filho de Hormisda IV (r. 579–590) e neto de Cosroes I (r. 531–579).

Seu maior feito foi ter invadido o Império Bizantino e saqueado a cidade de Jerusalém durante o reinado do imperador Heráclio. Ele levou como espólios a Vera Cruz e o patriarca Zacarias de Jerusalém. Foi sucedido no trono por Cavades II.

Osroes (Οσρόης, Osróēs) ou Cosroes (Χοσρόης, Chosróēs) é a variante grega e latina do parta e persa médio Cusrove (𐭇𐭅𐭎𐭓𐭅, Xusrōw) ou Cusrave (Xusraw), que por sua vez deriva do avéstico Caosrava (Haosrauuah), "aquele que tem boa fama". Foi registrado em armênio como Cosrove (Խոսրով, Xosrov), em árabe como Quisra (كسرى, Kisra) e em persa novo como Cosrove (خسرو, Ḫosrow).

Cosroes II nasceu por volta de  570; ele era filho de Hormisda IV e de uma nobre não identificada da Casa de Ispabudã, uma das Sete grandes casas do Irã. Seus irmãos, Bindoes e Bestã, teriam uma profunda influência na juventude de Cosroes II. O avô paterno de Cosroes foi o famoso imperador Cosroes I (r. 531–579), enquanto sua avó paterna era filha do cã dos Cazares. Cosroes é mencionado pela primeira vez na década de 580, quando estava em Partaw, a capital da Albânia Caucasiana. Durante sua estadia lá, ele serviu como governador e conseguiu acabar com o Reino da Ibéria e transformá-lo em uma província sassânida. Além disso, Cosroes II também serviu como governador de Arbela na Alta Mesopotâmia em algum momento antes de sua ascensão ao trono.

Derrubada de Hormisda IV e ascensão ao poder

Em 590, Hormizd IV desonrou e demitiu seu proeminente general Barã Chobim. Barã, enfurecido pelas ações de Hormisda, respondeu rebelando-se e, devido ao seu status nobre e grande conhecimento militar, foi acompanhado por seus soldados e muitos outros. Ele então nomeou um novo governador para Khorasan e, posteriormente, partiu para a capital sassânida de Ctesifonte. A legitimidade da Casa de Sasan baseava-se na aceitação de que o halo da realeza, o farr, foi concedido ao primeiro imperador sassânida, Artaxes I (r. 224–242) e sua família após a conquista do Império Parta por este último. Isso, no entanto, foi contestado por Barã Chobim, marcando assim a primeira vez na história sassânida em que um dinasta parta desafiou a legitimidade da família sassânida por meio de uma rebelião.

Entretanto, Hormisda tentou chegar a um acordo com seus cunhados Bestã e Bindoes, que, segundo o escritor de língua siríaca Josué, o Estilita, ambos "odiavam Hormisda igualmente". Os dois irmãos derrubaram Hormisda em uma revolução palaciana aparentemente sem derramamento de sangue. Eles cegaram Hormisda com uma agulha em brasa e colocaram Cosroes II no trono. Em algum momento do verão de 590, os dois irmãos então mandaram matar Hormisda, com pelo menos a aprovação implícita de Cosroes II. Mesmo assim, Barã Chobim continuou sua marcha para Ctesifonte, agora com o pretexto de alegar que iria vingar Hormisda.

Cosroes então adotou uma postura de recompensa e punição, e escreveu uma mensagem a Barã Chobim, enfatizando seu direito legítimo ao trono sassânida: "Cosroes, rei dos reis, governante dos governantes, senhor dos povos, príncipe da paz, salvação dos homens, entre os deuses o homem bom e eternamente vivo, entre os homens o deus mais estimado, o altamente ilustre, o vitorioso, aquele que nasce com o sol e que empresta sua visão à noite, aquele famoso por seus ancestrais, o rei que odeia, o benfeitor que enfrentou os sassânidas e salvou os iranianos de sua realeza — a Barã, o general dos iranianos, nosso amigo... Também assumimos o trono real de maneira legítima e não infringimos nenhum costume iraniano... Decidimos com tanta firmeza não tirar o diadema que até esperávamos governar outros mundos, se isso fosse possível... Se desejas o teu bem-estar, pensa no que deve ser feito."

Barã Chobim, no entanto, ignorou seu aviso — alguns dias depois, ele chegou ao Canal de Naravã, perto de Ctesifonte, onde lutou contra os homens de Cosroes, que estavam em grande desvantagem numérica, mas conseguiram conter os homens de Barã Chobim em vários confrontos. No entanto, os homens de Cosroes eventualmente começaram a perder a moral e, no final, foram derrotados pelas forças de Barã Chobim. Cosroes, juntamente com seus dois tios, suas esposas e um séquito de 30 nobres, fugiram para o território bizantino, enquanto Ctesifonte caiu nas mãos de Barã Chobim. Barã Chobim declarou-se rei dos reis no verão de 590, afirmando que o primeiro rei sassânida, Artaxes I (r. 224–242), havia usurpado o trono dos arsácidas e que ele agora estava restaurando seu domínio.

Barã Chobim tentou apoiar sua causa com a crença apocalíptica zoroastriana de que, no final do milênio de Zoroastro, ocorreriam o caos e guerras destrutivas com os heftalitas/hunos e os romanos, e então um salvador apareceria. De fato, os sassânidas haviam identificado erroneamente a era de Zoroastro com a do Império Selêucida (312 a.C.), o que colocou a vida de Barã Chobim quase no final do milênio de Zoroastro; portanto, ele foi aclamado por muitos como o salvador prometido, Cai Barã Varjavande. Barã deveria restabelecer o Império Parta e iniciar um novo milênio de governo dinástico. Ele começou a cunhar moedas, na frente das quais é retratado como uma figura exaltada, barbudo e usando uma coroa em forma de ameia com duas luas crescentes, enquanto o reverso mostra o altar de fogo tradicional ladeado por dois assistentes. Apesar disso, muitos nobres e sacerdotes ainda optaram por ficar do lado do inexperiente e menos dominante Cosroes II.

Para chamar a atenção do imperador bizantino Maurício (r. 582–602), Cosroes II foi à Síria romana e enviou uma mensagem à cidade de Martirópolis, ocupada pelos sassânidas, para que cessasse a resistência contra os bizantinos, mas sem sucesso. Em seguida, enviou uma mensagem a Maurício, solicitando sua ajuda para recuperar o trono sassânida, com o que o imperador bizantino concordou; em troca, os bizantinos recuperariam a soberania sobre as cidades de Amida, Carras, Dara e Martirópolis. Além disso, o Irã deveria parar de intervir nos assuntos da Ibéria e da Armênia, cedendo efetivamente o controle de Lazistão aos bizantinos.

Em 591, Cosroes mudou-se para Constança e preparou-se para invadir os territórios de Barã Chobim na Mesopotâmia, enquanto Bestã e Bindoes estavam reunindo um exército no Azerbaijão sob a supervisão do comandante bizantino João Mistacão, que também estava reunindo um exército na Armênia. Após algum tempo, Cosroes, juntamente com o comandante bizantino do sul, Comencíolo, invadiu a Mesopotâmia. Durante essa invasão, Nísibis e Martirópolis desertaram rapidamente para o lado deles, e o comandante de Barã Chobim, Zatsparham, foi derrotado e morto. Um dos outros comandantes de Barã Chobim, Brizácio, foi capturado em Mosul e teve o nariz e as orelhas cortados, sendo posteriormente enviado a Cosroes, onde foi morto. Cosroes II e o general bizantino Narses penetraram então mais profundamente no território de Barã, conquistando Dara e depois Mardim em fevereiro, onde Cosroes foi proclamado rei novamente. Pouco depois disso, Cosroes enviou um de seus apoiadores iranianos, Mahbodh, para capturar Ctesifonte, o que ele conseguiu realizar.

Ao mesmo tempo, uma força de oito mil iranianos sob o comando de Bistã e Bindoes e 12 mil armênios sob o comando de Musel II Mamicônio invadiram o Azerbaijão. Barã Chobim tentou interromper a força escrevendo uma carta a Musel II, na qual dizia: "Quanto a vocês, armênios, que demonstram uma lealdade inoportuna, a casa de Sasan não destruiu sua terra e soberania? Por que, então, seus pais se rebelaram e se libertaram de seu serviço, lutando até hoje por seu país?" Barã Chobim, em sua carta, prometeu que os armênios se tornariam parceiros do novo império iraniano governado por uma família dinástica parta se ele aceitasse sua proposta de trair Cosroes II. Mushegh, no entanto, rejeitou a oferta.

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