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Crise diplomática da Colômbia com Equador e Venezuela de 2008

A crise diplomática da Colômbia com o Equador e a Venezuela de 2008 desenrolou-se logo depois que tropas da Colômbia mat

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A crise diplomática da Colômbia com o Equador e a Venezuela de 2008 desenrolou-se logo depois que tropas da Colômbia mataram Raúl Reyes e um grupo de mais 16 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que se encontravam num acampamento na zona fronteiriça mas já em território equatoriano, na madrugada do dia 1 de março de 2008. Logo depois do acontecido, sem aparente autorização do governo equatoriano, consumou-se a reação do governo venezuelano, a qual mantinha já deterioradas as relações diplomáticas com a Colômbia.

A Colômbia anunciou em 4 de Março de 2008 que se descobriram planos de "bombas sujas" (armas radioativas) nos computadores capturados a Raúl Reyes. No dia seguinte a revista "Semana" publicou as descobertas de provas de ofertas do presidente da Venezuela às FARC de petróleo e contratos públicos.

As relações diplomáticas colombiano-venezuelanas viram-se afetadas logo de que o governo colombiano finalizara a mediação de Hugo Chávez e da senadora Piedad Córdoba para obter o acordo humanitário para libertação de reféns mantidos há anos pelas FARC.

O anúncio foi realizado em 21 de novembro de 2007, pelo porta-voz da Casa de Nariño, César Mauricio Velásquez. "O presidente da República dá por terminada a facilitação da senadora Córdoba e a mediação do Presidente Hugo Chávez, a quem agradece a ajuda que estava prestando".

O detonante da situação foi uma chamada do presidente venezuelano ao comandante do exército Mario Montoya, rompendo um "pacto de cavalheiros", acordo na última reunião de Chávez com o presidente colombiano Álvaro Uribe em Santiago de Chile.

No dia seguinte, ao meio-dia, Chávez ordenou a retirada do embaixador Pavel Rondón e o anúncio do congelamento das relações entre os dois países.

Na ocasião o presidente venezuelano disse "o que eu tenho feito é tratar de ajudar com transparência, dedicando horas e horas ao tema do acordo humanitário. É grave quando um governo mente e quando um presidente se tranca com seus principais assessores e ministros para produzir um documento carregado de mentiras. Por isso, eu declaro ao mundo que as relações com a Colômbia chegaram a um congelamento, porque perdi total confiança no governo da Colômbia; não acredito em absolutamente nada do governo." Chávez acusou Uribe de ser "mentiroso e cínico" e de dar uma "patada" nas possibilidades de alcançar a paz na Colômbia.

Horas depois, o presidente Uribe respondeu que a Colômbia necessita de "uma mediação contra o terrorismo e não legitimadores do terrorismo. Suas palavras, suas atitudes, dão a impressão que você não está interessado na paz da Colômbia, e sim que a Colômbia seja vítima de um governo terrorista das FARC", afirmou. Após, Uribe acusou o presidente Chávez de fomentar um projeto expansionista no continente, a qual não tenderia entrada na Colômbia.

Por sua parte, Equador, mediante seu presidente, Rafael Correa, havia expressado anteriormente seu mal-estar com o governo colombiano devido aos efeitos das fumigações de cultivos ilícitos na fronteira com glifosato. Este caso, considerado por Equador como um abuso do governo colombiano, foi levado à OEA, ao mesmo tempo que se anunciaram ações antes das Nações Unidas e a petição de indenizações para a população afetada.

Em 1 de março de 2008, o governo colombiano, por meio do ministro de defesa, Juan Manuel Santos, confirmou a morte de Raúl Reyes, membro do Secretariado das FARC, em combates travados no território equatoriano. Houve protestos por parte do governo equatoriano e venezuelano pelo fato das tropas colombianas terem bombardeado o seu território durante a operação, segundo versão apresentada.

Marxista por convicção, se iniciou no movimento sindical antes de unir-se as FARC. Segundo fontes do governo colombiano foi quem deu as ideias da chamada Lei 002, extorquindo empresários e pessoas com patrimônio econômico superior a um milhão de dólares, a pagar um tributo a este grupo insurgente a fim de se evitar o sequestro.

Contra Raúl Reyes pesam várias condenações e ordens de captura por terrorismo, homicídio agravado, narcotráfico, sequestro com fins terroristas, rebelião, lesões pessoais e porte ilegal de armas. Tem sido acusado de ter planejado vários sequestros e atentados terroristas na Colômbia desde 1991. Entre as acusações estavam várias mortes de policiais e militares. Sabe-se, ainda, que tinha múltiplos sequestros seguidos de assassinatos. Entre eles, havia juízes, médicos, secretários, policiais judiciais, ex-ministros, nove excursionistas, congressistas, o monsenhor Isaías Duarte Cancino, governadores e deputados, entre outros.

Reyes também foi responsabilizado pelo massacre de Bojayá, onde morreram 119 pessoas, e o atentado terrorista contra o clube bogotano de El Nogal, em que morreram 36 pessoas.

O Governo do Paraguai tem um pedido de extradição contra ele, por ter sido quem assessorou logisticamente ao grupo conhecido como Patria Libre desse país. Esse grupo realizou o sequestro e posterior assassinato de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente do Paraguai, Raúl Cubas Grau.

Após a morte de Reyes, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou que o presidente colombiano o tinha informado da situação e afirmou que enviaria as suas forças militares investigar os factos ocorridos na zona de fronteira.

Posteriormente, Correa declarou que a Colômbia tinha entrado ilegalmente no território equatoriano para bombardear o acampamento de Reyes. Essa alegada incursão foi condenada afirmando que "aqui ninguém pode entrar e ainda menos armado, por mais que sejam forças irregulares ou regulares".

Segundo Correa, os guerrilheiros mortos foram bombardeados e "massacrados" utilizando "tecnologia de ponta" enquanto dormiam no seu acampamento, provavelmente com a ajuda de alguma "potência estrangeira" (não especificada), e o exército colombiano terá entrado no Equador unicamente para recuperar o cadáver de Reyes, abandonando os restantes.

Correa concluiu que "o presidente Uribe esteve mal informado ou descaradamente lhe mentiu, mas o governo equatoriano não irá permitir mais ultrajes do governo colombiano e vai até às últimas consequências para que se aclare este escandaloso facto de agressão ao nosso território e à nossa pátria".

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