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Cristóvão de Sá e Lisboa

Cristóvão de Sá e Lisboa, O.S.H. (Lisboa, cerca de 1569 - Goa, 31 de março de 1622) foi um frei hieronomita e prelado po

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Cristóvão de Sá e Lisboa, O.S.H. (Lisboa, cerca de 1569 - Goa, 31 de março de 1622) foi um frei hieronomita e prelado português da Igreja Católica, bispo indicado de Malaca entre 1604 e 1612 e Arcebispo de Goa entre 1612 e 1622.

Era natural de Lisboa, onde nasceu por volta de 1569. Uma única fonte explicita o nome do seu pai, que seria Henrique de Sá e Meneses, ignorando-se o nome da sua mãe. Foi religioso professo da Ordem de São Jerónimo, congregação para a qual ingressou em 9 de junho de 1585, no Mosteiro de Belém, em Lisboa. Em 1593, já era presbítero, e em 1603 exercia o cargo de vigário do Mosteiro de Santa Maria de Belém.

A escassez de dados sobre a sua origem familiar e social, redes de inserção e carreira não consente perceber que razões teriam estado por trás da sua indicação para bispo de Malaca. O que é seguro é que realizou o juramento e profissão de fé de bispo

de Malaca, no dia 4 de junho de 1604, tendo assinado a documentação da praxe nestes atos como Cristóvão de Lisboa. Poucos dias depois, a 5 de julho de 1604, o rei D. Felipe II escrevia para a Santa Sé a nomeá-lo bispo de Malaca, tendo o Papa Clemente VIII confirmado a escolha régia e preconizado o novo prelado a 30 de agosto do mesmo ano.

D. Frei Cristóvão recebeu a ordenação episcopal em 21 de novembro de 1604 e, a 20 de março de 1605, ainda residia em Lisboa, tendo, nesse dia, estado presente na cerimónia de lançamento da primeira pedra da igreja do noviciado da Cotovia, dos padres jesuítas. Após isso, deixou Portugal com o novo Bispo de Macau, D. Frei João de Abrantes da Piedade, a bordo duma nau da Armada de Brás Teles de Meneses, que deixou Lisboa em 27 de março desse ano.

Não se dispõe de prova inequívoca de que tenha ido a Malaca. Teria chegado a Malaca em 1605 e tomou posse da Sé, até então governada pelo Padre Francisco Luís, arcediago e vigário-geral. No ano seguinte, 11 barcos partiram da Holanda sob o comando de Cornelisz Matelief Junior, que veio sitiar a Fortaleza por terra com 700 soldados holandeses ao tempo que os reis de Johor e das vizinhanças a bloqueavam por mar com 327 juncos. [carece de fontes?] Em 10 de outubro de 1611, Dom Frei Cristóvão de Lisboa estava em Goa, e ali assinou procuração a favor de Frei Jerónimo da Cunha, residente em Lisboa, para ele o poder representar em diversos atos, pelo que se presume que, nesta data, já se prepararia a sua mudança para arcebispo de Goa.

No dia 15 de setembro de 1612, o rei de Portugal D. Felipe II escrevia para Roma a nomear o então bispo de Malaca para arcebispo de Goa. Uns meses mais tarde, em 12 de novembro de 1612, foi, em simultâneo, dispensado do vínculo

ao bispado de Malaca e preconizado arcebispo de Goa. Por fim, a 20 de janeiro de 1614, tomou posse de Goa como arcebispo eleito, apesar de nesta data ainda não ter recebido as bulas da sua nomeação.

Dom Frei Cristóvão de Lisboa manteve residência na cidade sede do denominado Estado da Índia, de onde escreveu ao rei, pelo menos em 1618. Não há estudos sobre o modo como governou a arquidiocese, mas é certo que foi no seu tempo que se concluíram as obras da nova catedral, onde se celebrou missa pela primeira vez a 25 de novembro de 1619, tendo também sido ele, por 1613, a lançar a primeira pedra do Convento de Nossa Senhora do Pilar.

Segundo o arcebispo, em relatório de visita ad limina que remeteu para Roma, ele escrevia regularmente para o Papa dando conta do estado da diocese, queixava-se dos excessivos poderes do clero regular e da falta de apoio pontifício que tinha nesta matéria, além de que no ano de 1615 visitara boa parte do arcebispado, daí concluindo que o trabalho que tinha pela frente para cristianizar as populações que nele habitavam era imenso.

Morreu em Goa, em 31 de março de 1622, e foi sepultado na Sé de Goa.

José Joaquim Lopes de Lima; Francisco Maria Bordalo (1862). Ensaios sobre a statistica das possessões portuguezas na Africa occidental e oriental; na Asia occidental; na China, e na Oceania: começados a escrever de ordem do Governo de Sua Magestade. 5. Lisboa: Imprensa nacional. p. 159. ISBN. Consultado em 29 de maio de 2026

Fortunato de Almeida (1910). História da Igreja em Portugal. vol. III Tomo 2. Coimbra: Imprensa Académica da Universidade de Coimbra. p. 1016 e 1030

«Cristóvão de Sá e Lisboa» (em inglês). GCatholic.org

Cheney, David M. «Cristovão da Sá e Lisboa, O.S.H.» (em inglês). Catholic-Hierarchy.org

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