Cristianismo oriental compreende tradições cristãs e famílias de igrejas que originalmente se desenvolveram durante a antiguidade clássica e tardia na Europa Oriental, Sudeste da Europa, Ásia Menor, Cáucaso, Nordeste da África, Crescente Fértil e costa Malabar do Sul da Ásia, e efemeramente partes da Pérsia, Ásia Central, Oriente Próximo e Extremo Oriente. O termo não descreve uma única comunhão ou denominação religiosa. Os principais corpos cristãos orientais incluem a Igreja Católica Ortodoxa e as Igrejas Ortodoxas Orientais, juntamente com os grupos descendentes da histórica Igreja do Oriente, bem como as Igrejas Católicas Orientais (que restabeleceram ou sempre mantiveram a comunhão com Roma e mantêm liturgias orientais) e as igrejas protestantes orientais (que são protestantes em teologia, mas orientais na prática cultural). As várias igrejas orientais normalmente não se referem a si mesmas como "orientais", com exceção da Igreja Assíria do Oriente e da Antiga Igreja do Oriente.
Os ortodoxos são o maior grupo dentro do cristianismo oriental com uma população mundial de 220 milhões, seguidos pelos ortodoxos orientais com 60 milhões. As Igrejas Católicas Orientais consistem em cerca de 16-18 milhões e são uma pequena minoria dentro da Igreja Católica. As igrejas cristãs protestantes orientais não formam uma única comunhão; igrejas como a Igreja Luterana Ucraniana e a Igreja Síria Mar Thoma têm menos de um milhão de membros. A Igreja Assíria do Oriente e a Antiga Igreja do Oriente, igrejas descendentes da Igreja do Oriente, têm um número combinado de aproximadamente 400 mil membros.
Historicamente, após a perda do Levante no século VII para o califado sunita islâmico, o termo Igreja Oriental foi usado para se referir a Igreja Grega centrada em Bizâncio, em contraste com a Igreja Latina (Ocidental), centrada em Roma, que usa o latim nos ritos litúrgicos. Os termos "oriental" e "ocidental" a esse respeito originaram-se de divisões geográficas no cristianismo, refletindo a divisão cultural entre o Oriente helenístico e o Ocidente latino, e a divisão política do ano 395 entre os impérios romano ocidental e oriental. Desde a Reforma Protestante do século XVI, o termo "cristianismo oriental" pode ser usado em contraste com o "cristianismo ocidental", que contém não apenas a Igreja latina, mas também o protestantismo e o catolicismo independente. Algumas igrejas orientais têm mais em comum histórica e teologicamente com o cristianismo ocidental do que entre si.
Como a maior igreja do Oriente é o corpo atualmente conhecido como Igreja Ortodoxa, o termo "ortodoxo" é frequentemente usado de maneira semelhante a "oriental", para se referir a comunhões cristãs históricas específicas. No entanto, estritamente falando, a maioria das denominações cristãs, sejam orientais ou ocidentais, consideram-se "ortodoxas" (que significa "seguir crenças corretas"), bem como "católicas" (que significa "universal") e como participantes das Quatro Marcas da Igreja listada no Credo Niceno-Constantinopolitano (325 d.C.): "Una, Santa, Católica e Apostólica" (em grego: μία, ἁγία, καθολικὴ καὶ ἀποστολικὴ ἐκκλησία). As igrejas orientais (exceto os corpos dissidentes não litúrgicos) utilizam vários ritos litúrgicos: o Rito Alexandrino, o Rito Armênio, o Rito Bizantino, o Rito Siríaco Oriental (também conhecido como Rito Persa ou Caldeu) e o Rito Sírio Ocidental (também chamado de Rito Antioquino).
Os cristãos orientais não compartilham todos as mesmas tradições religiosas, mas muitos compartilham tradições culturais. O cristianismo se dividiu no Oriente durante seus primeiros séculos dentro e fora do Império Romano em disputas sobre cristologia e teologia fundamental, bem como através de divisões nacionais (romanas, persas, etc.). Muitos séculos depois o cristianismo ocidental se separou totalmente dessas tradições ao criar sua própria comunhão. Os principais ramos ou famílias do cristianismo oriental, cada um com uma teologia e dogma distintos, incluem a Igreja Ortodoxa, a comunhão Ortodoxa Oriental, as Igrejas Católicas Orientais e a Igreja Assíria do Oriente.
As Igrejas Ortodoxas Orientais compõem uma denominação cristã presente sobretudo no Oriente Médio, Índia, Corno de África e Armênia. São distintas das Igrejas que apoiam o ensinamento cristológico reconhecido no Concílio de Calcedônia em 451: a doutrina das duas naturezas de Cristo aceita pelos católicos romanos e ortodoxos bizantinos, e, posteriormente, pela maior parte dos protestantes.
Igreja do Leste/Igreja Assíria do Oriente
Os principais ritos litúrgicos orientais utilizados pelas Igrejas orientais são: o Bizantino, o de Antioquia, o Alexandrino, o Rito Siríaco e o Armênio.
O serviço litúrgico correspondente destas Igrejas Orientais é conduzido em várias línguas modernas ou antigas:
as Igrejas de Rito Bizantino (o seu serviço litúrgico chama-se "Divina Liturgia"), usam o grego, o eslavo eclesiástico, o árabe, o ruteno, o romeno, o georgiano e outras;
as Igrejas dos Ritos Siríacos Ocidental e Oriental usam o aramaico siríaco;
as Igrejas de Rito Arménio usam o arménio;
as Igrejas de Rito Alexandrino usam o copta e o ge'ez.
Angold, Michael, ed. (2006). The Cambridge History of Christianity. Volume 5, Eastern Christianity. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 9780521811132
Aramaic Peshitta Bible Repository