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Cristiano X da Dinamarca

Ex-rei da Dinamarca

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Cristiano X (Charlottenlund, 26 de setembro de 1870 – Copenhague, 20 de abril de 1947) foi o rei da Dinamarca de 1912 até sua morte e também o único rei da Islândia de 1918 até 1944. Foi o terceiro monarca dinamarquês da Casa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo e o primeiro membro de sua família desde o rei Frederico VII a nascer dentro da família real dinamarquesa; tanto seu pai quanto seu avô eram príncipes germânicos. Era também irmão do rei Haakon VII da Noruega.

Como governante, o seu carácter foi descrito como sendo autoritário e Cristiano sempre sublinhou a importância da dignidade e poder reais. O facto de se ter mostrado relutante em aceitar a democracia levou à Crise da Páscoa de 1920, durante a qual demitiu um governo eleito democraticamente por não concordar com o mesmo e colocou um governo à sua escolha no poder. De acordo com a constituição, tinha o direito nominal de o fazer, mas confrontado com o risco da queda da monarquia, foi forçado a aceitar o controle democrático do estado e o seu papel como monarca constitucional.

Apesar de a sua popularidade ter sido abalada devido a este episódio, durante a ocupação alemã da Dinamarca, Cristiano acabaria por se tornar num símbolo popular da resistência aos alemães, principalmente devido ao seu hábito simbólico de andar todos os dias de cavalo pelas ruas de Copenhaga sem a companhia dos seus guardas. Também se tornou o protagonista de uma lenda urbana que diz que, durante a ocupação Nazi, usou a Estrela de David, como gesto de solidariedade para com os judeus da Dinamarca. Os judeus da Dinamarca não eram obrigados a usar a Estrela de David, no entanto, esta lenda provavelmente surgiu de um relatório britânico datado de 1942, no qual o rei terá ameaçado usar a estrela se os judeus do seu país fossem obrigados a fazer o mesmo. Esta afirmação também pode ser encontrada no diário pessoal do rei, no qual ele escreveu o seguinteː

"Quando vemos o tratamento desumano que estão a dar aos judeus, não só na Alemanha, mas também nos países ocupados, começamos a preocupar-nos que esse desafio também nos seja colocado a nós, mas temos de o recusar claramente, uma vez que eles se encontram protegidos pela constituição dinamarquesa. Afirmei que não poderia cumprir essa exigência junto dos cidadãos dinamarqueses. Se essa exigência fosse feita, o melhor a fazer seria usarmos todos a Estrela de David."

Além disso, também ajudou a financiar o transporte de judeus dinamarqueses para a Suécia, que ainda não tinha sido ocupada, e estava livre da perseguição dos Nazis.

Com um reinado que se prolongou pelas duas guerras mundiais, e devido ao seu papel como símbolo de união do sentimento nacionalista da Dinamarca durante a ocupação alemã, Cristiano X tornou-se um dos monarcas dinamarqueses mais populares dos tempos modernos.

Cristiano nasceu a 26 de Setembro de 1870 no Palácio de Charlottenlund, no município de Gentofte, a norte de Copenhaga, durante o reinado do seu avô paterno, o rei Cristiano IX. Foi o primeiro filho do príncipe-herdeiro Frederico da Dinamarca e da sua esposa, a princesa Luísa da Suécia, única filha do rei Carlos XV da Suécia. Foi baptizado na capela do Palácio de Christiansborg a 31 de Outubro de 1870 pelo bispo de Zealand, Hans Lassen Martensen.

Depois de ser o primeiro monarca dinamarquês passar nos seus exames finais em 1889, Cristiano começou a sua educação militar, como era costume nos príncipes da época e, posteriormente, prestou serviço militar em vários regimentos.

Na juventude, o príncipe Cristiano se apaixonou pela princesa francesa Margarida de Orléans, irmã mais nova da princesa Maria de Orléans, esposa de seu tio, o príncipe Valdemar da Dinamarca. No entanto, seus sentimentos não foram correspondidos e, após alguns anos, ela se casou com o Duque de Magenta, filho presidente francês Patrice de Mac-Mahon.

Outra candidata a esposa de Cristiano foi sua prima, a princesa Vitória Alexandra do Reino Unido, uma neta da rainha Vitória. Todavia, a princesa também rejeitou-o, para grande decepção dos seus pais.

Cristiano casou-se com a duquesa Alexandrina de Mecklemburgo-Schwerin em Cannes a 26 de Abril de 1898; ela era filha de Frederico Francisco III, Grão-Duque de Mecklemburgo-Schwerin, e da grã-duquesa Anastásia Mikhailovna da Rússia. Posteriormente, Alexandrina tornou-se sua rainha-consorte. Juntos tiveram dois filhos:

Frederico da Dinamarca (1899–1972), depois rei Frederico IX da Dinamarca; casou-se com a princesa Ingrid da Suécia; com descendência.

Canuto da Dinamarca (1900–1976), depois Canuto, Príncipe-Herdeiro da Dinamarca; casou-se com a princesa Carolina Matilde da Dinamarca; com descendência.

O casal recebeu o palácio de Cristiano VII, o Palácio de Amalienborg, em Copenhaga, que passou a ser a sua residência oficial, e o Palácio de Sorgenfri a norte de Copenhaga como residência de verão. Além destes, o palácio também recebeu o Palácio de Marselisborg como presente de casamento do povo dinamarquês em 1898. O rei também construiu um villa particular, a Klitgården em Skagen

A 29 de Janeiro de 1906, o rei Cristiano IX morreu e o pai de Cristiano subiu ao trono como rei Frederico VII. Cristiano tornou-se príncipe-herdeiro da Dinamarca.

A 14 de Maio de 1912, o rei Frederico VII morreu quando desmaiou depois de sentir falta de ar enquanto dava um passeio a pé num parque em Hamburgo, na Alemanha. O rei estava de regresso depois de ter passado uma temporada em Nice, na França, por motivos de saúde e estava na cidade de forma anónima antes de regressar a Copenhaga. Cristiano estava em Copenhaga quando soube da morte do pai e que iria subir ao trono como Cristiano X.

Em Abril de 1920, Cristiano provocou a Crise da Páscoa, talvez o momento mais decisivo na evolução da monarquia dinamarquesa no século XX. O motivo principal que causou um conflito entre o rei e o governo foi a reunificação de Schleswig, um antigo condado dinamarquês que tinha sido perdido para a Prússia durante a Segunda Guerra de Schleswig, à Dinamarca. Os dinamarqueses reclamaram os seus direitos de soberania na região até ao final da Primeira Guerra Mundial, altura em que a derrota da Alemanha permitiu resolver a disputa. Segundo os termos do Tratado de Versalhes, a soberania de Shleswig seria decidida através de dois plebiscitosː um realizado no norte de Schleswig (o condado da Jutlândia do Sul da Dinamarca entre 1971 e 2006), e o outro no centro de Schleswig (actualmente parte do estado alemão de Schleswig-Holstein). Não havia qualquer plebiscito planeado para o sul de Schleswig, uma vez que era dominado por uma maioria étnica alemã e, de acordo com o sentimento dominante da época, um estado da Alemanha do pós-guerra.

No norte de Schleswig, setenta e cinco por cento da população votou a favor da reunificação com a Dinamarca e vinte-e-cinto por centro a favor de continuar na Alemanha. Nesta votação, foi considerado que toda a região foi considerada como uma unidade indivisível, e, assim sendo, toda a região foi entregue à Dinamarca. No centro de Schleswig, o resultado foi o oposto, uma vez que oitenta por cento da população quis ficar na Alemanha e só vinte por cento queria regressar à Dinamarca. Nesta votação, cada município decidiu o seu próprio futuro e as maiorias alemãs prevaleceram por toda a parte. Tendo em vista estes resultados, o governo do primeiro-ministro Carl Theodor Zahle determinou que a reunificação do norte de Schleswig podia avançar, enquanto que o centro deveria permanecer sob controlo alemão.

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