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Cruzeiro (São Paulo)

Município brasileiro da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, no estado de São Paulo, no cone leste paulista

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Cruzeiro é um município brasileiro do Estado de São Paulo e sede da 4ª sub-região da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, no cone leste paulista. Suas coordenadas geográficas são 22º34'38" sul e 44º57'30" oeste. A cidade possui uma área de 305,699 km² e a sua população em 2022 foi estimada pelo IBGE em 74.961 habitantes, com uma densidade demográfica de 245,21 hab/km².. Sua área urbana é conurbada com bairros do município de Lavrinhas.

O povoamento onde teve inicio a cidade de Cruzeiro teve sua origem datada do século XVIII, com o surgimento de um povoado na localidade conhecida por Embaú, que se desenvolveu devido ao ouro de Minas Gerais, em terras pertencentes ao município de Lorena, próximo ao atual território de Cruzeiro. Esse povoado provavelmente foi consequência do fato de que o território, onde hoje é o município de Cruzeiro, era trecho da Estrada Real, caminho entre Minas Gerais e Paraty em que passavam as expedições para a exploração do ouro do então Brasil colônia.

Ao longo dos anos, as rotas comercias estabelecidas pelos mineiros que demandavam aos Portos de Paraty e Mambucaba fizeram surgir na região, então conhecida por Embaú, muitas roças dedicadas a fornecer produtos de abastecimento aos tropeiros. Nessa área, o sargento-mor Antônio Lopes de Lavra iniciou, em 1781, a construção da capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição do Embaú, concluída seis anos depois. Na povoação que ao lado da capela se formou, os primeiros povoadores passaram a comercializar os produtos locais, logo aumentando o núcleo urbano.

Por esse trecho da Estrada Real, que passa pela Garganta do Embaú, divisa entre Cruzeiro e Passa Quatro, desde o século XVI também passavam as expedições dos bandeirantes, como Fernão Dias Pais Leme, Antônio Delgado da Veiga e Miguel Garcia Velho. Mais tarde, com o descobrimento do ouro no território de Minas Gerais, o caminho se tornou a Estrada Real, que levava o ouro de Minas Gerais até o porto de Paraty. Gentil Moura, em seu “Dicionário da Terra e da Gente de Minas”, afirma que: “(...)pelo Embaú deve ter passado a expedição de Martim Afonso, em 1531, assim como aquela que fez parte o inglês Anthony Knivet, em 1596.” João Camilo de Oliveira Torres, em sua “História de Minas”, escreve que a garganta era passagem obrigatória e afirma que o Conde de Assumar quando veio para Minas como governador, em 1717, procurou fazer um levantamento dos caminhos existentes, notando o “caminho velho” do Rio, o caminho de São Paulo, o “caminho novo”, construído por Garcia Rodrigues Paes, filho de Fernão Dias. Analisando-os, deu preferência ao de São Paulo, passando por Taubaté e pelo Embaú.

Marcos históricos do município

O marco histórico do município de Cruzeiro, em seus moldes atuais, começa a partir da década de 1824 quando o Capitão Joaquim Ferreira da Silva e sua esposa Fortunata Joaquina do Nascimento mudam-se para as terras denominadas "Sitio do Ribeirão do Lopes". Joaquim Ferreira foi proprietário destas terras que contempla o atual território do município, até seu assassinato ocorrido no dia 14 de Novembro de 1835. Este fato faz que sua viúva Fortunata Joaquina do Nascimento, herde a fazenda que até então totalizava cerca de 900 hectares. Por ser analfabeta e não entender de negócios em 1836 , a viúva se casa em segundas núpcias com o Capitão Antônio Dias Telles de Castro, que também era um rico fazendeiro e assume os negócios da fazenda. Derruba a antiga casa térrea, construindo a sede que vemos até os dias atuais e que abriga o museu Major Novaes, pela bela vista que se tinha de qualquer uma das 35 janelas no andar superior, a sede recebeu o nome de Fazenda Boa Vista que futuramente passou a ser conhecido entre os populares por Casa da Dona Tita ou Solar dos Novaes e administrado pelo poder municipal. segundo o historiador João Motta o Capitão Antônio Dias Telles de Castro faleceu no dia 28 de Janeiro de 1854, por conta de um estupor. Fortunata vive onze anos viúva e no dia 02 de Outubro de 1865 adquiriu o seu terceiro matrimônio, dessa vez com o Alferes Manoel de Freitas Novaes, 29 anos mais jovem, elevado a Major em 1868, homem politicamente influente e já grande proprietário de terras na região imediatamente vizinha à fazenda Boa Vista. A partir de então, major Novaes ampliou a sede as atividades da fazenda e passou a assumir grande influência nas transformações da localidade. A começar por reformar e ampliar a sede da fazenda Boa Vista como a construção de um anexo com três quartos e o Oratório da sala de estar.

O major Manuel tinha grande influência política na província de São Paulo, foi empreiteiro do trecho da via férrea Queluz Cachoeira Paulista caminho de ferro que passou pelas terras que hoje compõe o território de Cruzeiro. A construção do Túnel da Mantiqueira, trecho da linha férrea entre Minas Gerais e São Paulo, foi na época uma das mais importantes obras do país, e mereceu atenção especial do Imperador, que inspecionou o andamento das obras em mais de uma ocasião. A viagem inaugural do trecho, ocorrida em 22 de junho de 1884, contou com a ilustre presença do Imperador e da família real, não tendo o Major sido convidado por conta das rixas que possuía com os ingleses.

A rota ferroviária que passava por Cruzeiro foi preponderante para o transporte de café e mercadorias em geral ao longo da segunda metade do século XIX e início do século XX, pois ligava os Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. E a cidade de Cruzeiro foi trecho obrigatório dessa rota e ponto de interligação entre os três Estados. Logo, esses fatos foram decisivos para a consolidação do núcleo urbano que culminou na formação do atual município, uma vez que a então ferrovia, denominada Estrada de Ferro Central do Brasil, teve grande importância para o escoamento da produção de café e também para o fluxo de comércio em geral desses Estados naquele período.

Em torno da Estação construída pelo Major Novaes em 1878, em 03 de maio de 1881 surge um vilarejo fundado pelo engenheiro ingles Herbert Edgell Hunt evoluiu com o passar dos anos, tendo sido em 1891 criado o novo distrito, denominado Estação de Cruzeiro, devido ao desenvolvimento trazido pela Estrada de Ferro D. Pedro II, que potencializou fluxo de comércio naquela localidade. O Distrito cresceu tanto que no mesmo ano foi elevado a categoria de vila com o nome de Vila Novais. Em 1892, foi novamente reconduzido a distrito, novamente chamado Estação do Cruzeiro, e incorporado ao município de Conceição do Cruzeiro, atualmente extinto. A sede do município de Conceição do Cruzeiro foi transferida para o Distrito de Estação do Cruzeiro, em 1901, passando a ser município autônomo denominado por Cruzeiro.

A partir de então, o município passou a se consolidar, desenvolvendo-se paulatinamente decorrente do movimento da ferrovia na Estação de Cruzeiro, atraindo imigrantes e pessoas de outras localidades do país ao povoado já existente em forma de vila, interessados no crescimento econômico do município. O interesse pela região também era devido a sua privilegiada localização geográfica, que estava na metade do caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro, ponto estratégico de atividade comercial.

Revolução Constitucionalista de 1932

Em Cruzeiro seria apenas rota de passagem das tropas paulistas comandadas pelo General Euclides Figueiredo, parando em Lorena para esperar as tropas de Minas Gerais, foi quando Euclides recebe a noticia que os Mineiros não iriam apoiar São Paulo, por conta de cruzeiro estar no centro entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, Cruzeiro torna-se palco de um importante fato da história do Brasil. Foi nessa cidade em que ocorreu a assinatura da rendição militar do Exército Constitucionalista perante o Exército Federal durante a Revolução Constitucionalista de 1932. O termo do acordo foi assinado precisamente na Escola Arnolfo Azevedo (localizado no centro da cidade) no dia 2 de outubro de 1932. Naquele conflito, esse prédio também serviu de quartel-general do destacamento do coronel Antônio Paiva de Sampaio, tropa paulista responsável pela resistência naquele município.

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Cruzeiro (São Paulo) | World in Stories