Débora Lima Falabella (Belo Horizonte, 22 de fevereiro de 1979) é uma atriz, diretora e produtora brasileira. Uma das atrizes mais proeminentes do Brasil, tornou-se conhecida por seu estilo versátil e por seus personagens emblemáticos na televisão e no cinema desde o final dos anos 1990. Os prêmios de Falabella incluem um Prêmio Grande Otelo, dois Prêmios APCA, um Prêmio Shell e quatro Prêmios Qualidade Brasil. Ela recebeu notavelmente dois prêmios do Festival de Brasília e um do Festival de Gramado por seus trabalhos no cinema.
A carreira de Falabella teve início nos palcos do teatro infantil em Minas Gerais com a peça Flicts, em 1995, mas ela logo ficou conhecida nacionalmente por interpretar a jovem Estrela na telenovela infantil Chiquititas, entre 1999 e 2000. Ela teve um papel de destaque na novela Um Anjo Caiu do Céu (2001), mas o seu trabalho de grande projeção foi em O Clone (2001), na pele da dependente química Mel, que a tornou uma das atrizes mais conhecidas de sua geração. Posteriormente, alcançou o sucesso crítico por suas interpretações no cinema, que iniciou-se com o premiado curta-metragem Françoise (2001), pelo qual foi eleita Melhor Atriz nos importantes festivais de cinema de Brasília e Gramado. O sucesso crítico e comercial continuou com os filmes Lisbela e o Prisioneiro (2003), A Dona da História (2004), Cazuza: O Tempo Não Para (2004) e Primo Basílio (2007).
Ao mesmo tempo, Falabella escalonou seus trabalhos na televisão ganhando destaque a cada papel. Ela se destacou nos perfis de mulheres fortes, como a solidária Duda em Senhora do Destino (2004), a defensora abolicionista Sinhá Moça em Sinhá Moça (2006) e a cineasta Júlia em Duas Caras (2007). O grande sucesso de Débora na televisão foi ao interpretar a mocinha vingativa Nina em Avenida Brasil, em 2012, que se tornou um fenômeno internacional. A atriz tem construído uma carreira seletiva e criteriosa na televisão, escolhendo papéis com desafios artísticos, com destaque recente nas séries Dupla Identidade (2014) e Aruanas (2019), e nas novelas A Força do Querer (2017) e Terra e Paixão (2023).
No teatro, Débora também consolidou uma carreira premiada e fundou a companhia teatral Grupo 3 de Teatro, ao lado de Yara de Novaes e Gabriel Fontes Paiva, onde além de atuar, também desenvolveu trabalhos de direção e produção. Com a companhia, estrelou e idealizou seus principais trabalhos, como as peças Contrações (2013), que a rendeu um Prêmio APCA de Melhor Atriz Teatral, e Love, Love, Love (2017), a qual idealizou e foi nomeada a mais um APCA. Em 2024, lançou a peça Prima Facie na pele da advogada Tessa Ensler e recebeu aclamação generalizada crítica. Por esse trabalho, recebeu mais um Prêmio APCA e outros prêmios importantes, como o Prêmio Shell e o APTR.
Nascida em 22 de fevereiro de 1979, em Belo Horizonte, Débora Lima Falabella é de uma família que respirava arte em casa. Ela é filha de Maria Olympia, uma cantora lírica de coral, e Rogério Falabella, conhecido ator e diretor de destaque no teatro mineiro. Ela tem duas irmãs, Junia Falabella e Cynthia Falabella, esta última também atriz. É prima de 12º grau do ator Miguel Falabella.
Desde jovem, frequentava as coxias do teatro, que naturalmente despertou sua inclinação para os palcos. Ela iniciou a faculdade Publicidade e Propaganda, também uma tradição na família, mas ficou no curso somente por um ano e meio, deixando o curso para se dedicar à carreira de atriz.
Primeiros trabalhos e reconhecimento nacional (1995—2002)
A estreia de Falabella nos palcos aconteceu ainda em sua adolescência, em Minas Gerais, participando de espetáculos de teatro infantil. Em 1995, com apenas quinze anos, começou na peça Flicts, escrita por Ziraldo. Ela continuou realizando testes e outras peças, como um musical sobre a Família Addams, que lhe rendeu indicação para um teste de elenco para o seriado teen Malhação, promovido pela TV Globo Minas. Falabella foi aprovada e convidada para a quinta temporada de Malhação, interpretando a adolescente Antônia, que tentava atrapalhar o romance dos personagens de Dani Valente e Bruno Gradim. Logo após, fez participação especial nos três últimos episódios da série Mulher, em 1998, onde atua como uma adolescente que perdia a virgindade.
Após a rápida experiência na televisão, Falabella retornou para Belo Horizonte onde ingressou na faculdade de publicidade. Neste período, foi convidada para um novo teste para a telenovela Chiquititas, do SBT, sendo mais uma vez aprovada. Começou a gravar a novela em outubro de 1998 e durante as filmagens, morou em Buenos Aires, onde estava toda a equipe da telenovela. Ela integrou a quarta temporada da novela infantil, que fora exibida entre 1999 e 2000, no papel de Estrela Bragança, que a tornou popular entre o público jovem. Quando estava terminando o trabalho em Chiquititas, recebeu uma ligação da TV Globo a convidando um papel na novela Um Anjo Caiu do Céu, de Antônio Calmon, o qual não estava preenchido ainda. Ela enviou uma fita de seu trabalho anterior que agradou os produtores e, após mais um teste, foi escalada para a produção. Em Um Anjo que Caiu do Céu, interpretou a jovem Cuca, filha da vilã Laila (Christiane Torloni), fruto de um relacionamento secreto com o protagonista João (Tarcísio Meira). Cuca é uma jovem moderna e aspirante a estilista, que acaba se tornando alvo do amor do anjo Rafael (Caio Blat). Sua atuação foi amplamente elogiada, rendendo-lhe o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Atriz Revelação em Teledramaturgia.
Entre as gravações da novela, estreou no cinema com o curta-metragem Françoise, dirigido por Rafael Conde, onde interpretou a protagonista-título, a jovem Françoise, uma viajante esperando sua partida que encontra um menino no terminal rodoviário, com quem conversa sobre amor, solidão e reflexões da vida. Por sua interpretação de uma menina solitária e com muitas fantasias na cabeça, Falabella recebeu o prêmio de Melhor Atriz em Curta-metragem nos dois principais festivais de cinema do Brasil, o Festival de Brasília e o Festival de Gramado, em 2001.
Seu trabalho seguinte na novela O Clone consolidou sua projeção nacional ao interpretar Mel, uma jovem dependente química, tornando-a uma das atrizes mais conhecidas do país. Na trama, sua personagem é filha de Maysa (Daniela Escobar) e Lucas (Murilo Benício), uma jovem estudiosa e de família rica que acaba se tornando dependente química com seu amigo Nando (Thiago Fragoso). Ela se envolve com o responsável Xande (Marcello Novaes), que faz de tudo para livrá-la da dependência. O Clone fez um enorme sucesso popular e sua personagem ganhou grande repercussão, exigindo grande preparo da atriz. "Eu fiz todo tipo de preparação, fui a reuniões de dependentes químicos, conversei, frequentei alguns encontros para compreender melhor… Em O Clone eu comecei a entender o que era ser uma atriz de televisão, o que era um pouco a história da fama e do sucesso", comentou Falabella em depoimento ao Memória Globo.
Em 2002, Débora estrelou com Roberto Bomtempo o filme de drama Dois Perdidos numa Noite Suja, de José Joffily, uma adaptação da peça de mesmo nome escrita por Plínio Marcos. Na trama, Falabella interpretou Paco, jovem imigrante em Nova Iorque, onde leva uma vida miserável compartilhando um galpão abandonado com Tonho. Ela quer se tornar uma popstar de sucesso e ele quer voltar ao Brasil pois está cansado de subempregos. A convivência torna-se um cotidiano infernal, fruto de seus ressentimentos, e dela surge uma inusitada história de amor. O filme estreou nos cinemas em 3 de abril de 2003 com recepção geralmente favorável, sobretudo pela interpretação de Falabella. Por sua atuação, ela recebeu o segundo prêmio de atuação do Festival de Brasília e também o Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz, da Academia Brasileira de Cinema.
Expansão televisiva e aclamação contínua (2003—2009)
Em Agora É que São Elas (2003), novela escrita por Ricardo Linhares, ela interpretou uma das personagens principais, a jovem responsável Léo, filha da protagonista Antônia – esta interpretada por Vera Fischer. Sua personagem fazia par romântico com Victório, papel de Paulo Vilhena, formando o casal juvenil principal da trama. Ao mesmo tempo, fez sucesso no cinema com a comédia romântica Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes, uma adaptação do livro de mesmo nome de Osman Lins. Na trama, ambientada em Pernambuco no Século XX, interpretou a jovem noiva Lisbela, que está de casamento marcado até a chegada do malandro Leléu (Selton Mello) na pequena cidade, por quem se apaixona e enfrenta a fúria do pai e as pressões sociais para viver seu amor. O filme foi um sucesso comercial e foi considerado pela crítica como "um digno exemplar do cinema popular brasileiro". Débora recebeu o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Atriz em Cinema por este trabalho.