O DMC DeLorean é um carro desportivo produzido entre 1981 e 1982 pela empresa automobilística estadunidense DeLorean Motor Company (DMC). É conhecido como o DeLorean, pois este foi o único modelo fabricado pela empresa. O carro algumas vezes também é referido por sua designação interna de pré-produção, DMC-12. Porém, o nome DMC-12 nunca foi usado em vendas ou material de marketing para o modelo de produção.
O DeLorean caracteriza-se por sua carroçaria com portas asa de gaivota, painéis e capô de aço inoxidável sem pintura, que foi projetada por Giorgetto Giugiaro.
O primeiro protótipo foi completado em 1976 e a produção começou oficialmente em 1981 na fábrica que a DMC tinha em Dunmurry, na Irlanda do Norte. Durante sua produção, vários aspectos do carro foram alterados, como o estilo do capô, as rodas e o interior. Foram fabricadas aproximadamente 9200 unidades do DeLorean entre 1981 e 1982 (alguns carros desse ano foram vendidos como ano/modelo 1983).
O DMC DeLorean ganhou status a partir de 1985 principalmente por aparecer na trilogia de filmes de ficção científica Back to the Future.
Em 2007 estimava-se que ainda existiam 6.500 unidades do DeLorean.
Em outubro de 1976 o primeiro protótipo do DeLorean foi completado por William T. Collins, engenheiro-chefe da DMC (anteriormente engenheiro-chefe da Pontiac); o protótipo foi conhecido como «DSV-1» ou «DeLorean Safety Vehicle». À medida que o desenvolvimento do carro continuou, o modelo foi denominado «DSV-12» e posteriormente «DMC-12», pois a DMC tinha como objetivo um preço de venda de US $ 12.000 no momento do lançamento. O protótipo 1 tinha um motor central-traseiro do Citroën CX de quatro cilindros em linha, mas foi considerado pouco potente para o DeLorean. Originalmente, no modelo de produção o motor ia ser um Wankel (também da Citroën), mas foi substituído por um projeto francês chamado PRV (Peugeot-Renault-Volvo), um motor V6 de injeção que melhorava a baixa eficiência do motor Wankel, o que foi um aspecto importante devido à escassez de combustível que o mundo inteiro estava sofrendo com a crise do petróleo de 1973. O motor teve que ser movido desde a localização central-traseira no protótipo 1 para uma localização traseira no protótipo 2, uma configuração que seria mantida no veículo de produção.
William Collins e John DeLorean imaginaram um chassi produzido com uma nova tecnologia que nunca havia sido testada chamada Elastic Reservoir Molding (ERM), o que poderia ter contribuído para reduzir o peso do carro e, portanto, supostamente também reduziria os custos de produção, mas essa tecnologia para a qual DeLorean havia adquirido os direitos de patente não era adequada para a produção em massa. Além disso, considerou-se que o projeto do carro exigia uma reengenharia quase completa, que foi encomendada ao engenheiro inglês Colin Chapman, fundador da Lotus Cars. Chapman substituiu a maior parte do material não testado e das técnicas de fabricação pelas usadas na época pela Lotus, incluindo um chassi de aço.
A construção da fábrica começou em outubro de 1978 e foi concluída em 1980, e embora o início da produção do DeLorean estivesse planejado para esse ano, problemas de engenharia e orçamento atrasaram o início da produção até janeiro de 1981. Durante essa época, a taxa de desemprego era muito alta na Irlanda do Norte e os residentes faziam fila para se candidatar a empregos na fábrica.
No final do ano 1980, a DMC abandonou o nome DMC-12 originalmente destinado ao seu automóvel, chamando-o finalmente de «DeLorean», que acabou custando muito mais do que foi inicialmente planejado. O carro desportivo DeLorean, conforme descrito nos anúncios, foi finalmente construído na fábrica de Dunmurry, no condado de Antrim, a apenas alguns quilômetros do centro de Belfast. A mão de obra era composta por protestantes e católicos que ficavam contentes em deixar de lado suas diferenças religiosas para trabalhar em equipe. Quase todo o pessoal de produção era inexperiente, por isso, várias centenas de unidades do DeLorean foram produzidas sem painéis de aço inoxidável para formar aos trabalhadores, que nunca foram comercializadas. Esses carros eram conhecidos como "mules" (mulas) ou "black cars“ (carros pretos), uma alcunha que se referia aos seus painéis pretos feitos de fibra de vidro. A primeira unidade do DeLorean saiu da linha de montagem em 21 de janeiro de 1981. Apesar dos trabalhadores serem formados, muitos DeLorean tinham problemas de qualidade. Os problemas de qualidade dos carros melhoraram com o tempo; muitos deles foram resolvidos em 1982, e os DeLorean foram vendidos com uma garantia de 12 meses e um contrato de serviço de 5 anos e 80.000 km (49.700 milhas).
A DeLorean Motor Company foi à falência em 26 de outubro de 1982 após a prisão de John DeLorean nesse mesmo mês sob acusações de tráfico de drogas. Mais tarde DeLorean foi declarado não culpável em agosto de 1984, mas sua reputação como empresário ficou arruinada e a DMC já havia falido, tornando impossível continuar a produção do carro. Aproximadamente 100 unidades parcialmente montadas foram concluídas por ex-trabalhadores da fábrica, que foram contratados pela Consolidated International (agora chamada Big Lots). As peças que permaneceram na fábrica da DMC, as peças do US Warranty Parts Center assim como as peças de fornecedores originais que ainda não as haviam entregue na fábrica, foram enviadas para Columbus (Ohio, Estados Unidos) no ano 1983. A DeLorean Motor Company de Texas adquiriu este estoque em 1997.
Entre janeiro de 1981 e dezembro de 1982, aproximadamente 9.200 unidades foram montadas entre a DeLorean Motor Company e a Consolidated International, embora algumas fontes indiquem que no total apenas foram fabricados 8.975 ou 8.583 carros. Quase uma quinta parte dos DeLorean foi produzida em outubro de 1981. Entre fevereiro e maio de 1982, perto de 1000 unidades foram produzidas devido ao declínio da produção, com muito poucos veículos sendo fabricados, todos eles com o VIN (Vehicle Identification Number) modificado após a compra pela Consolidated International para fazê-los aparecer como modelos de 1983. Estes são os VIN 15XXX, 16XXX e 17XXX que eram originalmente os VIN 10XXX, 11XXX e 12XXX. O último DeLorean foi montado em 24 de dezembro de 1982.
A carroçaria do DMC DeLorean foi projetada pelo designer da Italdesign Giorgetto Giugiaro; para criar o carro, Giugiaro se baseou num de seus trabalhos anteriores, o Porsche Tapiro, um carro conceitual de 1970. A carroçaria tem painéis feitos de aço inoxidável SS304, e foram fixados a uma estrutura monocoque de plástico reforçado com fibra de vidro, que por sua vez foi instalada em um chassi em forma de duplo "Y" derivado do Lotus Esprit. O chassi foi coberto com epóxi, um material que protege o aço contra a corrosão. Exceto por três carros para uma série especial com carroçaria banhada a ouro, todos os DeLorean que saíram da fábrica não foram cobertos por pintura ou verniz. Na verdade, existem DeLorean pintados, embora todos foram pintados depois de serem enviados para os Estados Unidos.
A característica mais marcante do DeLorean eram suas portas asa de gaivota. O problema comum de suportar o peso deste tipo de portas foi resolvido por outros fabricantes com portas leves no Mercedes-Benz 300 SL e um sistema elétrico com bomba de ar no Bricklin SV-1. As portas do DeLorean possuem umas barras de torção que foram desenvolvidas pela Grumman Aerospace e construídas no Reino Unido pela Unbrako (uma divisão da SPS Technologies de Jenkintown, Pensilvânia, EUA), que foram instaladas para suportar o peso das portas. As portas apresentam luzes vermelhas e âmbar em todo o perímetro. Essas luzes acendem quando as portas são abertas e podem ser vistas desde a frente, a traseira ou a lateral do veículo à noite ou em situações de pouca luz. Além disso, as portas também têm umas cintas para facilitar o fechamento por pessoas mais baixas. Estas portas precisam de um espaço pequeno para abrir: 27,5 cm (11 polegadas). Isso torna fácil abrir e fechar o carro em estacionamentos em comparação com portas convencionais. Assim como as portas instaladas no Lamborghini Countach, as portas do DeLorean têm pequenas janelas, pois as janelas do mesmo tamanho que o vidro não seriam totalmente retráteis dentro dos painéis curvos de cada porta.