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Daúde (cantora)

Maria Waldelurdes Costa de Santana Dutilleux (Salvador, 23 de setembro de 1961), artisticamente conhecida como Daúde, é

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Maria Waldelurdes Costa de Santana Dutilleux (Salvador, 23 de setembro de 1961), artisticamente conhecida como Daúde, é uma cantora, atriz, modelo e produtora musical brasileira. Logo no álbum de estreia, Daúde, em 1995, recebeu três prêmios como cantora revelação: Prêmio Sharp (atual Prêmio da Música Brasileira), Prêmio APCA e o Prêmio dos Leitores do Jornal do Brasil. No ano seguinte, a cantora apresentou seu trabalho autoral no Summer Stage Festival, em Nova York. Daúde é considerada a primeira cantora e intérprete a apostar no mix de música eletrônica e música brasileira na Nova MPB.

Daúde estudou canto no Instituto Villa-Lobos e artes cênicas na Escola de Teatro Martins Pena, no Rio de Janeiro. A artista formou-se em Letras , habilitação em Português-Literatura, pela Universidade Santa Úrsula e fez uma especialização em História Africana. São seis álbuns lançados, Daúde, Daúde #2, Simbora, Neguinha te amo, Código Daúde e Pelas ondas do mar.

A cantora é dona de um estilo único, que mistura MPB, soul, funk, música eletrônica, smooth jazz, samba-funk, jongo e, mais recentemente, ciranda e coco de roda em parceria com Lia de Itamaracá

A artista faz parte da primeira geração do movimento de renovação da música popular brasileira, a nova MPB, ao lado de Bebel Gilberto, Tulipa Ruiz, Céu, Tiê, Verônica Ferriani, Katia Bronstein, Fernanda Porto, Ana Cañas, Giana Viscardi, Anna Ratto, Jussara Silveira, Nina Becker, Alice Caymmi e Vanessa da Mata.

Daúde nasceu no bairro do Candeal, em Salvador, e se mudou para o Rio de Janeiro com os pais e os irmãos, aos 11 anos. É a mais velha de três irmãos. O pai da artista, o Tenente do Exército Waldemiro Guilherme Santana, o seu Vavá, fez parte da Timbalada e da banda da Polícia Militar da Bahia. Tocava clarinete e saxofone. Seu Vavá, homenageado na música "Véu de Vavá" e chamado de maestro por Carlinhos Brown, cursou a graduação em Música, especialidade saxofone, na Universidade Federal da Bahia. O ambiente familiar era repleto de música clássica, de big bands e de MPB, em grande parte pelo gosto musical de sua mãe, Maria de Lurdes. O apelido Daúde foi criado pelo seu irmão mais novo, que não conseguia pronunciar o seu nome, Waldelurdes, união do nome dos pais Waldemiro e Maria de Lurdes.

Com um histórico de interesse por artes e música desde cedo, Daúde iniciou seus estudos em canto lírico com o barítono Paulo Fortes, no Instituto Villa-Lobos, e também fez aulas de teatro na Escola Martins Pena. Todos os estudos e aprofundamento da jovem Maria na época foram cruciais para o nascimento e desenvolvimento de Daúde, a sua persona artística que nasceria pouco tempo depois.

Na década de 1990, a artista participou de peças de teatro, com destaque para Mahagonny, do diretor Luiz Antonio Martinez Correa, baseada em livro do dramaturgo e diretor de teatro Bertolt Brecht, e fazia shows solo e acompanhada do cantor, compositor e instrumentista Mauricio Tapajós em casas noturnas no Rio de Janeiro. Daúde participou, ainda, de adaptações para o teatro musical e experimental de obras clássicas de autores brasileiros, sob a direção do professor Luiz Mendonça.

Daúde estreou na TV, em 1986, no corpo de baile do programa humorístico Viva o Gordo. Em 1988, a cantora e atriz deu vida à personagem Jaci, secretária do dono da Fazenda Olho D'água, Donato (EliasGleizer). Jaci era filha de Julia (Chica Xavier) e irmão de José Sebastião (Pratinha).

No cinema, a atriz fez uma participação no filme Como ser solteiro, dirigido por Rosane Svartman, em 1998. Daúde interpretou a cantora Miriam Makeba, em 2018, a convite do diretor Andrucha Waddington no filme biográfico Chacrinha, o velho guerreiro.

Em meados dos anos 1990, Daúde recebeu um convite para gravar o seu primeiro álbum de estúdio. Lançado em 1995 pela gravadora Natasha Records, o disco intitulado Daúde conta com treze faixas que incluem interpretações de músicas de artistas como Jorge Ben Jor, Carlinhos Brown, Caetano Veloso e Lenine, misturando os gêneros funk, soul, pop, hip hop e samba em uma sonoridade diversa e única. Destaque para as canções "Véu Vavá" e "Quatro meninas".

Dois anos mais tarde, em 1997, lançou o seu segundo disco intitulado Daúde #2. O álbum, com influências do samba, de drum and bass, da bossa nova, da música eletrônica, do hip hop e da MPB levou a cantora a estourar nas rádios e alcançar o sucesso entre o público graças à sua interpretação em português do hit "Pata Pata", originalmente gravado pela cantora sul-africana Miriam Makeba e da versão de "Vamos fugir", composta por Gilberto Gil e Liminha, em parceria com o cantor Djavan. O álbum marca o início da parceria de Daúde com o sambista Nelson Sargento em "Sambará/Idioma esquisito". A parceria de Daúde com o cantor e instrumentista Herbert Vianna resultou na canção "Une chanson triste", composta em homenagem ao cantor Renato Russo, e o cantor e instrumentista Caetano Veloso fez uma canção especialmente para a cantora, "Quase", em parceria com Antônio Cícero. A homenagem aos blocos afro de Salvador aparece em "Afro Olodum Multimídia", composta por Lucas Santana e Quito. A canção "A boca sujou" trouxe a participação dos rappers ingleses Jimmy Spooner e Billy Eduards. Daúde gravou "As baratas", um jongo inédito de Darcy da Serrinha. A banda foi composta pelo baixista Arthur Maia, o tecladista Will Mowat, o percussionista Ramiro Mussoto, o multi-instrumentista Celso Fonseca, o baterista Christiaan Oyens, Dennis Rollins no trombone, Paulinho Moska e Herbert Vianna nos violões e Cecília Spyer nos vocais.

No ano de 1999 a cantora anunciou um terceiro álbum, o Simbora, dessa vez com remixes de músicas inclusas nos discos anteriores. O single "Vênus" se destacou neste trabalho.

Parceria com Funk como Le Gusta

A cantora iniciou a parceria com a big band Funk como Le Gusta, em 2001, com uma apresentação no festival Humaitá para peixe, no Rio de Janeiro. A parceria com a banda de sambalanço, samba-rock, funk e jazz se estendeu a shows em São Paulo.

O álbum internacional Neguinha te amo

No ano de 2003, Daúde apresentou o álbum Neguinha Te Amo pela gravadora britânica Real World Records, o que a tornou a primeira brasileira a ser contratada pelo selo de world music do cantor Peter Grabriel. A partir da visibilidade que o lançamento internacional traria para a sua arte, a cantora decidiu que o álbum deveria não apenas levar a outros países uma nova perspectiva sobre arte e música brasileira, mas também servir como uma homenagem às mulheres negras e à cultura afro-brasileira. No álbum, a cantora apostou no mix de música afro-brasileira, soul, funk, synth-pop, música pop e MPB. Destaca-se a parceria com Jorge Ben Jor na canção "Crioula", a regravação do afro-samba "Canto de Ossanha", de Vinicius de Moraes e Baden Powel e duas músicas em francês, "Sans direu adieu" e "J'ai rêvéu", compostas por Paulinho Moska. A curadoria incluiu a marchinha de Carnaval "Alá-la-ô", de Haroldo Costa e Antônio Nássara, e o hino do primeiro bloco de Carnaval afro do Brasil, o Ilê Ayê, "Que bloco é esse?", de Paulinho Camafeu. Foi a segunda colaboração de Daúde com o produtor Will Mowat. A banda de Daúde foi composta do guitarrista Luiz Almeida, dos percussionistas Guilherme Kastrup e Chris Wells, violão, bandolim e cavaquinho de Webster Santos e do trompetista Walmir Gil.

O álbum Código Daúde foi lançado em 2014 após um hiato de 11 anos, em que a cantora fez shows com o repertório dos seus álbuns e participou de espetáculos e gravações a convite de amigos do meio artístico. Código Daúde trouxe uma combinação de samba, MPB, acid jazz, samba-rock e ritmos afro-brasileiros com as participações do cantor, compositor e instrumentista Alceu Valença em "Como dois animais", do cantor e compositor Marcos Valle na canção "Que bandeira", e do cantor e instrumentista Nelson Sargento nos sambas "Falso amor sincero" e "Segura este samba". Entre as outras escolhas da intérprete estão a versão da música "O Vento", composta por Rodrigo Amarante para a banda Los Hermanos, da composição "Cala a boca menino", de Dorival Caymmi, e "Sobradinho", de Guarabyra e Luiz Carlos Sá, a dupla Sá & Guarabyra.

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