Damares Regina Alves (Paranaguá, 11 de março de 1964) é uma advogada, pastora evangélica fundamentalista religiosa e política brasileira filiada ao Republicanos. Exerce o mandato de senadora da República pelo Distrito Federal. Foi Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos de 2019 até 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nas eleições gerais de 2022, foi eleita senadora pelo Distrito Federal.
Nascida no Paraná, ainda criança mudou-se com a família para o nordeste onde viveu na Bahia, Alagoas e Sergipe. Mais tarde Damares e sua família passaram a morar em São Carlos, no interior de São Paulo. Todas essas constantes mudanças estavam ligadas à profissão do pai, o pastor da Igreja Quadrangular Henrique Alves Sobrinho, que foi fundador de quase uma centena de templos em todo o Brasil. Sob influência paterna, Damares também se tornou pastora.
Graduou-se em direito pela extinta Faculdades Integradas de São Carlos (FADISC), instituição que foi descredenciada pelo MEC em 2011 e proibida de realizar exames vestibulares desde 2012. Em São Carlos, trabalhou na Secretaria Municipal de Turismo, atuando na antiga COMTUR (Comissão Municipal de Turismo), durante o governo do prefeito Vadinho de Guzzi. Em 1999, pouco antes de obter seu registro na seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (subseção de São Carlos), tornou-se auxiliar parlamentar júnior, em Brasília.
Foi pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular bem como da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, e assumiu a coordenadoria de um projeto educacional chamado "Programa Proteger", organização criada por Guilherme Zanina Schelb, procurador regional da República no Distrito Federal e membro da Associação Nacional de Juristas Evangélicos - ANAJURE (organização da qual Damares foi Diretora de Assuntos Parlamentares, conhecido por defender o projeto apelidado "Escola Sem Partido".
Em 1995, Damares filiou-se ao recém-criado Partido Progressista Brasileiro (PPB), e, em 1999, mudou-se para Brasília, para trabalhar como auxiliar parlamentar, no gabinete do deputado Josué Bengtson (PTB-PA), também pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular e seu tio.
Ela foi assessora parlamentar por seis anos no gabinete do deputado federal acreano Henrique Afonso (filiado ao PT, depois ao Partido Verde), que era pastor presbiteriano.
Trabalhou também para o deputado federal Arolde de Oliveira (PSD), senador eleito pelo Rio de Janeiro, em 2018, e cujo sucesso nas urnas em outubro se deveu, em grande parte, ao suporte do chamado “clã Bolsonaro”. Exerceu também a função de auxiliar parlamentar no gabinete do senador Magno Malta, anterior ao vínculo com o senador pelo Espírito Santo. Foi chefe de gabinete de outro expoente da bancada neopentecostal na Câmara dos Deputados, o deputado federal goiano João Campos (PRB).
Foi assessora parlamentar no Congresso Nacional por mais de vinte anos, antes de sua nomeação por Bolsonaro para o ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Em março de 2022, filiou-se ao partido Republicanos.
Em 2022, Damares Alves foi eleita senadora.
Em 2 de junho de 2026, o plenário do Senado Federal aprovou um projeto de decreto legislativo (PDL) que derruba uma resolução de dezembro de 2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que regulamenta o direito de menores ao aborto legal. A senadora Damares Alves, que atuou como a relatora da proposta, apresentou parecer favorável à derrubada da resolução do Conanda.
Damares Alves, agraciada com a Medalha do Mérito Indigenista, declara ter uma filha adotiva, uma jovem indígena Kamayurá do Parque Indígena do Xingu, nascida em 1998. Entretanto, parentes da menina afirmam que, na verdade, a garota foi separada da família aos seis anos de idade, sem a permissão dos pais biológicos. Damares nega a versão dos indígenas, mas admite que a adoção da menina nunca foi uma adoção formal conforme exige a legislação brasileira.
Em março de 2018, Damares criticou o feminismo em uma entrevista: "É como se houvesse uma guerra entre homens e mulheres no Brasil. Isso não existe". Em 2016, disse, em uma declaração teocrática, diante de uma congregação evangélica: "Está na hora da igreja dizer à nação a que viemos… É hora de a igreja governar".
Também critica a chamada "ideologia de gênero", é contra o aborto e defende o Programa Escola sem Partido.
Atua como conselheira do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida - Brasil Sem Drogas (BsD), organização declaradamente suprapartidária e suprarreligiosa que se opõe à legalização da maconha. Em seu site, o BsD afirma defender "uma juventude brasileira livre da dependência química". No Congresso Nacional, integrou a Frente Parlamentar de Combate às Drogas, bem como a Frente Parlamentar Mista da Família e Apoio à Vida, e a Frente Parlamentar Evangélica.
Damares defende a tramitação prioritária do projeto do Estatuto do Nascituro, que atribui personalidade jurídica ao feto e criminaliza o aborto. O projeto também prevê a concessão de pensão alimentícia, equivalente a um salário mínimo, ao "nascituro concebido em um ato de violência sexual, até que complete dezoito anos". O projeto foi recebido com polêmica e passou a ser conhecido como "bolsa estupro".
Nas eleições gerais no Brasil em 2022, em campanha pelo Senado no Distrito Federal, Damares Alves afirmou ter identificação com o Integralismo Brasileiro. No dia 30 de dezembro de 2019, um membro da Frente Integralista Brasileira, Paulo Fernando Melo da Costa, foi apontado como assessor de Damares no Ministra de Direitos Humanos durante o governo Bolsonaro. Melo da Costa já fez parte do Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA) de Enéas Carneiro, uma extinta sigla conhecida por abrigar integralistas. Sara Winter, ex-membro do FEMEN Brasil, trabalhou no ministério como coordenadora nacional de políticas à maternidade; enquanto membro do Femen, declarou simpatizar com as ideias de Plínio Salgado (criador da Ação Integralista Brasileira), se referindo a ele como um "defensor do país". Também no governo Bolsonaro, Sara integrou o grupo 300 do Brasil, que possuía membros armados e pregava ações antidemocráticas como a volta do Ato Institucional n.º 5.
Em dezembro de 2018, pouco antes de se tornar ministra, jornalistas, veículos de mídia e políticos de oposição tornaram Damares alvo de deboche, piadas e ataques em razão de um vídeo, que se tornou viral na internet, no qual ela relata os abusos sofridos quando criança, e que a teriam levado a querer se matar. Diz que, entre os seis e os oito anos de idade, foi sexualmente abusada diversas vezes por dois homens, a dor e o sofrimento eram tão grandes que a teriam levado a decisão de cometer suicídio, pegou veneno de rato e subiu na goiabeira que ia para chorar e não ser vista, onde pretendia consumar o ato. Já empoleirada na árvore e prestes a consumir o veneno, teria visto Jesus Cristo, que a fez se sentir abraçada e a convencido a desistir de tirar a própria vida. Posteriormente, um dos homens que a estuprou teria sido preso por abusar de outra criança. Embora a história tenha sido satirizada nas redes sociais, o que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, considerou "vergonhoso", Damares declarou não ter ficado ofendida pelos comentários, e que percebeu discriminação religiosa por trás da banalização do sofrimento de uma criança. Após receberem uma enxurrada de críticas por conta do deboche, críticos teriam se retratado.