Daniel Jacob Radcliffe (Hammersmith, Londres, 23 de julho de 1989) é um ator britânico, conhecido internacionalmente por interpretar o personagem-título na série de filmes da saga Harry Potter escrita por J. K. Rowling. Fez sua primeira atuação profissional aos dez anos de idade no telefilme David Copperfield (1999) da BBC, seguido por sua primeira aparição no cinema pelo filme O Alfaiate do Panamá (2001). Aos onze anos, atuou no primeiro filme da saga Harry Potter. Por seu trabalho na série, conquistou diversos prêmios e faturou mais de 54 milhões de libras esterlinas.
Radcliffe começou a ampliar sua carreira como ator em 2007, quando atuou na peça de teatro Equus e na reapresentação do musical da Broadway How to Succeed in Business Without Really Trying, em 2011. Seus créditos na Broadway incluem a peça The Cripple of Inishmaan de Martin McDonagh e o musical Merrily We Roll Along, pelo qual venceu seu primeiro Tony Award. No cinema, seus projetos mais recentes fora do mundo de Harry Potter incluem a refilmagem da adaptação do livro homônimo de Susan Hill, A Mulher de Preto (2012), Versos de um Crime (2013), onde interpretou o poeta beat Allen Ginsberg, o filme de ficção Victor Frankenstein (2015), baseado nas adaptações contemporâneas do romance Frankenstein ou o Moderno Prometeu, a comédia dramática Um Cadáver Para Sobreviver, o filme de assalto Truque de Mestre 2: O Segundo Ato e o telefilme Weird: The Al Yankovic Story, pelo qual recebeu sua primeira indicação ao Emmy.
Ele contribuiu para muitas instituições de caridade, incluindo a Demelza Hospice Care for Children e a The Trevor Project, que tem o objetivo de informar e prevenir o suicídio entre jovens LGBT, rendendo-lhe um Hero Award em 2011. Radcliffe apoia diversas instituições e causas, como a prevenção e cura de AIDS e câncer, o bullying infantil, os direitos humanos e muitas outras. Em 2015, o ator foi honrado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
Radcliffe nasceu em Hammersmith, Londres, Inglaterra. É o único filho de Marcia Jeannine Gresham (nascida Jacobson) e Alan George Radcliffe. Sua mãe é judia, nasceu na África do Sul e foi criada em Westcliff-on-Sea, Essex. Seu pai foi criado em Banbridge, no Condado de Down, Irlanda do Norte, em uma família Protestante "muito ativa". Os avós maternos de Radcliffe eram imigrantes judeus da Polônia e da Rússia. Ambos os pais de Daniel também atuaram quando crianças. Seu pai é um agente literário, enquanto sua mãe é uma agente de atores e já esteve envolvida em várias produções da BBC, incluindo The Inspector Lynley Mysteries e Walk Away and I Stumble.
Radcliffe demonstrou seu desejo de atuar pela primeira vez aos cinco anos, e em dezembro de 1999, com dez anos, fez sua estreia como ator na adaptação televisionada de duas partes do romance David Copperfield, de Charles Dickens, interpretando o personagem de mesmo nome em sua infância. Estudou em duas escolas privadas para garotos: na Sussex House School, situada no Cadogan Square de Chelsea, e na City of London School, localizada na margem norte do Rio Tâmisa no distrito financeiro de Londres (conhecido como a Cidade de Londres). Frequentar a escola se tornou algo difícil para Radcliffe depois do lançamento do primeiro filme de Harry Potter, com alguns colegas se tornando hostis, embora ele diga que eram apenas pessoas tentando "caçoar da criança que fazia Harry Potter", e não que o invejavam.
Assim que sua carreira começou a consumir grande parte de seu tempo, Radcliffe continuou sua educação por meio de professores particulares. Ele admite que não era um bom aluno e se considerava inútil, achando tudo relacionado a escola "muito difícil." Ele obteve notas A nos três A-levels que realizou em 2006, porém decidiu fazer uma pausa na educação e não ir a nenhuma faculdade ou universidade. Parte de sua decisão se deve ao fato de que ele já sabia que queria atuar e escrever, e que seria difícil ter uma experiência comum na faculdade. "Os paparazzi amariam isso," contou à revista Details. "Se alguma festa estivesse rolando, eles seriam avisados sobre o local."
Em 1999, foi iniciada a escalação para Harry Potter e a Pedra Filosofal, a adaptação cinematográfica do romance homônimo da escritora britânica J.K. Rowling. No ano seguinte, o produtor David Heyman convidou Radcliffe a participar das audições para o papel de Harry Potter. Rowling estava procurando por um ator britânico desconhecido para personificar o personagem, e Chris Columbus, o diretor do filme, lembra de ter pensado, "É isso que quero. Esse é Harry Potter", depois de ter visto um vídeo do ator em David Copperfield. Oito meses mais tarde, depois de ter passado por oito audições, Radcliffe obteve, junto com Emma Watson e Rupert Grint, os papéis de Harry Potter, Hermione Granger e Rony Weasley, respectivamente. Rowling também aprovou a seleção, dizendo, "Acho que Chris Columbus não poderia achar um Harry melhor." Os pais de Radcliffe recusaram a oferta de primeira, assim que souberam que envolveria seis filmes filmados em Los Angeles. A Warner Bros. ofereceu então um contrato de dois filmes com as filmagens acontecendo no Reino Unido; Radcliffe não tinha certeza se gravaria mais do que isso.
O lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal ocorreu em novembro de 2001. O filme quebrou os recordes de maior bilheteria em um dia de estreia (31,6 milhões de dólares) e de maior bilheteria em um final de semana (93,5 milhões de dólares) nos Estados Unidos, e foi o filme de maior bilheteria mundial do ano, com arrecadação total de 974,8 milhões de dólares. Radcliffe recebeu um salário com uma quantia de sete dígitos pelo papel principal, mas afirmou que o cachê "não era tão importante" para ele; seus pais decidiram investir o dinheiro pelo garoto. O filme foi altamente popular e recebido com críticas positivas. A crítica elogiou a atuação de Radcliffe: "Radcliffe é a encarnação da imaginação de todos os leitores. É maravilhoso ver que um jovem herói estudioso e cheio de curiosidade se conecta com emoções muito reais, da inteligência solene e do prazer da descoberta para o profundo desejo de ter uma família," escreveu Bob Graham da San Francisco Chronicle.
Um ano depois, Radcliffe estrelou em Harry Potter e a Câmara Secreta, o segundo filme da série. Mais uma vez, os críticos elogiaram a atuação dos três protagonistas, porém dividiram opiniões sobre o filme como um todo. Stephen Hunter, do The Washington Post, descreveu sua performance como "impressionante". Por sua atuação, Radcliffe conquistou um Otto Awards da revista alemã Bravo. Em 2004, o terceiro longa da série, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, foi lançado. A performance de Radcliffe não foi tão apreciada pelo jornalista do The New York Times, A. O. Scott, que escreveu que Watson teve que "carregá-lo com sua atuação." Harry Potter e o Cálice de Fogo teve sua estreia em 2005. Esse foi o filme da série Harry Potter que mais havia arrecadado naquela época, e Radcliffe destacou o humor como sendo uma das razões para o grande sucesso do filme.
Radcliffe atuou pela quinta vez em Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007). Ele afirmou que o diretor David Yates e a atriz Imelda Staunton fizeram de A Ordem da Fênix o filme "mais engraçado" da série para trabalhar. Sua performance lhe rendeu diversos prêmios e indicações, incluindo o National Movie Award de 2008 por "Melhor Performance Masculina." À medida que sua fama e a da série cresciam, Radcliffe, Grint e Watson tiveram as mãos, os pés e as varinhas impressos na calçada do Grauman's Chinese Theatre em Hollywood. Apesar do sucesso do quinto filme, o futuro da franquia entrou em questão quando os três protagonistas hesitaram em assinar o contrato para participar dos dois episódios finais da série. Porém, em março de 2007, Radcliffe assinou o contrato, colocando um fim às especulações da imprensa que diziam que "ele iria largar o papel devido ao seu envolvimento em Equus", onde atuou completamente nu no palco. Em julho de 2009, o sexto longa, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, foi lançado. Radcliffe foi indicado nas categorias de "Melhor Performance Masculina" e "Super Estrela Global" ao MTV Movie Awards de 2010.