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Dario Argento

Dario Argento (Roma, 7 de setembro de 1940) é um diretor, crítico, produtor e roteirista de cinema italiano, conhecido p

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Dario Argento (Roma, 7 de setembro de 1940) é um diretor, crítico, produtor e roteirista de cinema italiano, conhecido pelos seus trabalhos no gênero giallo (suspense e policial) e pela sua influência no cinema de terror moderno. É pai da atriz Asia Argento.

Filho do crítico e produtor cinematográfico Salvatore Argento e da fotógrafa e modelo ítalo-brasileira Elda Luxardo, nascida em Porto Alegre de pais italianos. Sua mãe administrava o estúdio fotográfico Luxardo, fundado por Alfredo e Margherita, os avós maternos de Dario. Em sua autobiografia Paura, Argento relembrou do lugar, afirmando que "nos anos 1930 e 1940, as celebridades do teatro e do cinema, os campeões esportivos, os intelectuais, os artistas e as modelos competiam para tirar fotos conosco: ter um retrato feito pelo estúdio Luxardo era sinônimo de excelência".

Seu primeiro contato com a arte dramática aconteceu quando tinha quatro anos: seus pais o levaram a um teatro em Roma onde estava em cartaz a peça Hamlet. Segundo relatou em seu livro, no momento em que o fantasma do pai de Hamlet apareceu, ele ficou tão assustado que começou a sofrer convulsões. Esse episódio foi crucial para seu subsequente fascínio pelo terror e suspense: "Meus pais, um pouco inconscientes, não podiam imaginar o quanto aquilo me marcaria profundamente [...] Nesse dia nasceram várias fascinações. Ninguém sabia, nem eu mesmo estava ciente, mas uma semente havia sido plantada".

Na sua infância, desenvolveu um gosto pela leitura, embora o fizesse às escondidas, pois, segundo ele, naquela época, ler era considerado "um passatempo feminino ou algo para pessoas afetadas". Em sua casa, havia muitos livros, mas ele se voltava principalmente para romances de aventura. O primeiro filme de terror que viu foi O Fantasma da Ópera (1943), experiência que lhe deu "acesso a um universo do qual ninguém [lhe] havia falado e do qual não suspeitava sua existência. Um universo habitado por pessoas desfiguradas, monstros e assassinos que viviam amores impossíveis". A coletânea Contos do Grotesco e do Arabesco, do escritor norte-americano Edgar Allan Poe, também teve uma forte eco no estilo que Argento adotaria mais tarde como cineasta e roteirista.

Após trabalhar em uma prensa móvel por alguns meses, Argento deixou a casa dos pais e a escola secundária aos dezesseis anos para se mudar para Paris, onde teve alguns trabalhos menores antes de retornar a Roma. Por recomendação de seu pai, aos dezessete anos começou a trabalhar para o jornal l'Araldo dello Spettacolo, uma publicação especializada em cinema, música e teatro, no qual escrevia resenhas sobre filmes. Nessa mesma época, também se tornou redator do jornal de entretenimento Paese Sera, para o qual produzia um relatório semanal com estatísticas de público, cifras de bilheteira e outros aspectos do mercado cinematográfico na Itália. Com o tempo, foi ganhando destaque no jornal, e teve a oportunidade de entrevistar personalidades como John Huston, Fritz Lang, Pietro Germi, John Wayne e The Beatles. Com o objetivo de iniciar uma carreira como cineasta, prestou exame de admissão no Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma, mas sua inscrição foi rejeitada. Argento reconheceu em suas memórias que esta rejeição se tornou uma oportunidade para ele, pois seus filmes "teriam sido muito fiéis a um certo formalismo" caso tivesse sido aceito nessa instituição.

1966-1970: começo como roteirista e L'uccello dalle piume di cristallo

Quando seu trabalho no Paese Sera lhe permitia tempo livre, Argento escrevia histórias com a esperança de adaptá-las para o cinema. Graças à intervenção de seu pai, teve a oportunidade de assistir a várias sessões de trabalho do roteirista Sergio Amidei, as quais considerou como «um tremendo campo de treinamento». Em 1966, começou a coescrever roteiros de filmes em diversos gêneros, como Scusi, lei è favorevole o contrario? de Alberto Sordi, Qualcuno ha tradito de Francesco Prosperi, Probabilità zero de Maurizio Lucidi, Oggi a me... domani a te de Tonino Cervi, Comandamenti per un gangster de Alfio Caltabiano, Commandos de Armando Crispino e La rivoluzione sessuale de Riccardo Ghione.

Após o lançamento de Il buono, il brutto, il cattivo (1966), o cineasta Sergio Leone entrou em contato com ele e com Bernardo Bertolucci para que os dois o ajudassem a desenvolver a trama de seu próximo filme. Ambos trabalharam por seis meses para criar a história de C'era una volta il West, filme lançado em 1968 e estrelado por Charles Bronson e Claudia Cardinale.

Após participar da redação dos roteiros de Cimitero senza croci de Robert Hossein e Metti, una sera a cena de Giuseppe Patroni Griffi (ambos de 1969), começou a escrever a história de seu filme de estreia, L'uccello dalle piume di cristallo, baseado em um pesadelo que teve durante umas férias na Tunísia e na novela The Screaming Mimi de Fredric Brown. Assim, desenvolveu a trama de um escritor americano que presencia uma tentativa de assassinato de uma mulher durante sua estadia na Itália e decide investigar por conta própria para descobrir o assassino.

Após apresentar o roteiro sem sucesso a executivos da Euro International Film, Argento pediu ajuda a seu pai, que decidiu criar a produtora Seda Spettacoli para cobrir parte dos custos da produção. A produtora Titanus, propriedade de Goffredo Lombardo, ficou responsável pelo restante do financiamento. As filmagens começaram em agosto de 1969 em Roma e se estenderam por seis semanas, com Tony Musante, Suzy Kendall e Eva Renzi nos papéis principais e com a participação do editor Franco Fraticelli, do diretor de fotografia Vittorio Storaro e do compositor Ennio Morricone.

Embora durante as filmagens tenham surgido alguns contratempos — como a desconfiança de Lombardo devido à inexperiência de Argento e os constantes desentendimentos entre o diretor e Musante —, o filme foi lançado em fevereiro de 1970, recebendo uma recepção morna em Milão e Turim. No entanto, graças ao boca a boca, o filme obteve maior repercussão em outras praças como Nápoles e Florença. No meio do ano, a Universal Marion Corporation adquiriu os direitos de distribuição da fita e a lançou nos Estados Unidos em 12 de junho, onde alcançou bons números de bilheteira.

1971: Il gatto a nove code e Quattro mosche di velluto grigio

Graças ao bom desempenho de L'uccello dalle piume di cristallo nos Estados Unidos, a empresa National General Pictures demonstrou interesse em produzir um novo filme de Argento, que começou a trabalhar em Il gatto a nove code — título inspirado no romance Cat of Many Tails de Ellery Queen — com a colaboração dos roteiristas Dardano Sacchetti e Luigi Collo. O resultado foi a história de um homem cego que começa a investigar uma série de assassinatos com a ajuda de uma jornalista. Salvatore Argento viajou aos Estados Unidos e escolheu os atores James Franciscus, Catherine Spaak e Karl Malden para interpretar os papéis principais. Novamente, Ennio Morricone ficou encarregado da música e Franco Fraticelli assumiu a edição. Filmado entre setembro e outubro de 1970 em locações de Turim, Berlim e Roma, El gato de las nueve colas estreou na Itália em 11 de fevereiro de 1971.

Embora tenha superado em números de bilheteira o seu antecessor, Argento afirmou em sua biografia que El gato de las nueve colas é o filme que menos gosta de seu portfólio: «Talvez seja porque me esforcei tanto para que fosse diferente, ou talvez porque — embora eu buscasse o ideal do noir francês —, o ambiente do romance policial americano tenha se imposto em algum momento». No entanto, ele destacou o filme por ser o primeiro a apresentar marcas distintivas em sua filmografia, como os planos detalhe dos olhos, as chamadas telefônicas anônimas e as luvas pretas usadas pelo homicida.

Para 4 mosche di velluto grigio, seu próximo filme, contou com a participação dos atores americanos Michael Brandon e Mimsy Farmer, a quem escolheu após assistir suas atuações em Amantes y otros extraños (1970) e More (1969), respectivamente. Com a ajuda de Luigi Cozzi e Mario Foglietti, escreveu a história de um músico de rock que assassina um homem acidentalmente e é atormentado por uma testemunha do crime, e novamente escolheu Ennio Morricone para criar a trilha sonora. Lançado em dezembro de 1971 na Itália, o filme recebeu críticas menos entusiásticas em comparação com suas duas obras anteriores. Embora tenha elogiado sua «fotografia colorida surpreendente e imaginativa», Howard Thompson, do The New York Times, o considerou extravagante e se referiu ao roteiro como banal. Roger Ebert declarou que, apesar de ter alguns momentos inquietantes, sua conclusão é «tão arbitrária que, no final, nos faz sentir enganados». 4 mosche di velluto grigio marcou o fechamento da «trilogia animal», nome dado às três primeiras obras de Argento, as quais são consideradas peças importantes na popularização do cinema giallo no início dos anos 1970.

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