David Richard Berkowitz, nascido como Richard David Falco (Nova Iorque, 1 de junho de 1953) também conhecido como o Filho de Sam (do inglês: Son of Sam) e o Assassino do Calibre .44, é um assassino em série (serial killer) estadunidense, que aterrorizou a cidade de Nova Iorque com crimes praticados durante julho de 1976 e agosto de 1977, até ser preso.
Ao ser preso em agosto de 1977, Berkowitz confessou o assassinato de seis pessoas e os ferimentos em sete outras, com disparos de seu revólver Charter Arms Bulldog com calibre 44. Dizia ser ordenado por um demônio que possuíra um cachorro da vizinhança a cometer crimes. Ainda em cumprimento da pena após condenação de seis prisões perpétuas.
Berkowitz mudou sua confissão durante uma entrevista ao jornalista investigativo Maury Terry (conforme o seu livro Ultimate Evil, retratado na série da plataforma Netflix "The Sons of Sam") e se dizia responsável por atirar em apenas dois casos, matando três pessoas e ferindo uma quarta. Quanto às demais vítimas, alegou terem sido atacadas por um "culto satânico" do qual seria membro, com possível envolvimento de mais pessoas nos crimes. Alguns advogados e jornalista dão crédito a essa versão, como John Hockenberry da NBC e os policiais que trabalharam no caso. Hockenberry informou que o caso do Filho de Sam foi reaberto em 1996 e 2004 e atualmente assim continua.
Berkowitz recebeu o nome de nascimento de Richard David Falco em Brooklyn, Nova Iorque em 1953. Sua mãe, Betty Broder, foi casada com Anthony Falco. Tiveram uma filha antes de se divorciarem. Depois, ela teve um caso com um homem casado, Joseph Kleinman, e engravidou. Kleinman teria sugerido o aborto mas ela teve o filho e registrou Falco como o pai.
Com uma semana de idade, a criança foi adotada pelo casal de lojistas Nathan e Pearl Berkowitz, que mudaram seu nome e lhe deram o sobrenome da família. Berkowitz foi então criado no Bronx.
John Vincent Sanders escreveu que na infância, Berkowitz tinha a inteligência acima da média mas perdeu o interesse pelas aulas, iniciando uma infância problemática com tendências piromaníacas. A mãe adotiva de Berkowitz morreu de câncer aos trinta anos e ele não gostou da segunda esposa de seu pai. Ele contou que sua madrasta tinha interesse por bruxaria e ocultismo.
Em 1969, aos 16 anos, Berkowitz esteve no Festival de Woodstock. Ele se alistou no Exército em 1971 e deu baixa honrosa em 1974. Ele não esteve na Guerra do Vietnam, ficando baseado nos Estados Unidos e na Coreia do Sul.
Ao retornar ao Bronx, procurou uma faculdade comunitária e tentou um trabalho temporário como motorista de táxi e também como carteiro.
Em 1974 Berkowitz encontrou sua mãe verdadeira, Betty Falco. Em poucas visitas ele soube da sua concepção ilegítima e o nascimento, o que aumentou seus distúrbios. Ele se afastou da mãe mas manteve contato com a meio-irmã, Roslyn. Descobriu-se depois, que os crimes iniciaram ao ter ciência da adoção.
David serviu ao exército norte-americano, atuando na Coreia do Sul, ao retornar começou a trabalhar em uma agência de correspondência. Ao ser preso trabalhava como carteiro.
Após sua admissão na prisão de Sullivan, Berkowitz alega juntar-se a uma seita satânica na primavera de 1975. Inicialmente, conforme seu relato, o grupo se envolveu em atividades tais como comunicação com os espíritos e previsões do futuro. Posteriormente, contudo, Berkowitz disse que o grupo começou a consumir drogas, pornografia sádica e a cometer crimes violentos.
Berkowitz declarou que o primeiro ataque a uma mulher ocorreu em 1975, esfaqueando uma religiosa. Essa vítima nunca foi identificada mas uma outra, Michelle Forman, foi seriamente machucada e teve que ser internada em um hospital. Pouco depois, Berkowitz mudou para um apartamento na cidade norte-americana de Yonkers.
Por volta da uma da manhã de 29 de julho de 1976, Mike e Rose Lauria retornavam para o seu apartamento em Pelham Bay após jantarem fora. A filha Donna, 18, e a amiga dela Jody Valenti, 19, estavam no veículo dos Valenti, um Oldsmobile, estacionado do lado de fora da residência. Mike Lauria concordou que o cachorro poodle da família ficasse com elas. Ele teria visto um homem dormindo num carro amarelo estacionado do outro lado da rua. Os vizinhos também avisaram a polícia sobre um carro dessa cor rondando a área, horas antes dos disparos.
Depois que seus pais entraram, Donna Lauria abriu a porta do carro e viu um homem se aproximando rapidamente. De um saco de papel que carregava, ele tirou um revólver e o disparou por três vezes. Donna recebeu uma bala que a matou quase instantaneamente, Valenti levou um tiro na perna e a terceira bala se perdeu. O atirador fugiu.
Valenti, que sobreviveria aos ferimentos, disse que não reconhecera o assassino. Ela o descreveu como um homem branco de 30 anos, de cabelo curto. Essa descrição batia com a de Mike Lauria do homem que estava no carro amarelo.
Detetives da Oitava Delegacia de Homicídos de Nova Iorque recolheram poucas pistas. A mais importante foi a de que a arma usada era uma Charter Arms Bulldog calibre .44, um revólver poderoso de cinco tiros para ser usado a curta distância.
A polícia seguiria duas hipóteses: a de que o atirador fosse um admirador secreto da popular Donna ou que o atirador se enganara e atingira a pessoa errada. Os vizinhos tinham visto recentes atividades mafiosas e a polícia achava que Mike Lauria tivesse algum envolvimento com o crime organizado.
Berkowitz disse que deu os tiros e que os membros do culto participaram do crime, vigiando e seguindo as vítimas.