David Hume (Edimburgo, 7 de maio (ou 26 de abril-Antigo) de 1711 – Edimburgo, 25 de Agosto de 1776) foi um filósofo, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia, que se tornou célebre pelo seu empirismo radical e ceticismo filosófico. Ao lado de John Locke e George Berkeley, David Hume compõe a famosa tríade do empirismo britânico, sendo considerado um dos mais importantes pensadores do chamado iluminismo escocês e da própria história da filosofia.
David Hume elaborou um pensamento crítico ao cartesianismo e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico-metafísico. Assim David Hume abriu caminho à aplicação do método experimental aos fenômenos mentais. A sua importância no desenvolvimento do pensamento contemporâneo é considerável. Teve profunda influência sobre Kant, sobre a filosofia analítica do início do século XX e sobre a fenomenologia.
O estudo da sua obra tem oscilado entre aqueles que colocam ênfase no lado cético (tais como Reid, Greene, e os positivistas lógicos) e aqueles que enfatizam o lado naturalista (como Kemp Smith, Stroud e Galen Strawson). Por muito tempo apenas se destacou através do seu pensamento o ceticismo destrutivo. Somente no fim do século XX os comentadores se empenharam em mostrar o caráter positivo e construtivo do seu projeto filosófico.
David Hume foi um leitor voraz. Entre as suas fontes, incluem-se tanto a Filosofia antiga como o pensamento científico de sua época, ilustrado pela física e pela filosofia empirista. Fortemente influenciado por Locke e Berkeley mas também por vários filósofos franceses, como Pierre Bayle e Nicolas Malebranche, e diversas figuras dos círculos intelectuais ingleses, como Samuel Clarke, Francis Hutcheson (seu professor) e Joseph Butler (a quem ele enviou o seu primeiro trabalho para apreciação), é entretanto a Newton que Hume deve o seu método de análise, conforme assinalado no subtítulo do Tratado da Natureza Humana – Uma Tentativa de Introduzir o Método Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais.
Seguindo atentamente os acontecimentos nas colônias americanas, tomou partido da independência americana. Em 1775, disse a Benjamin Franklin: "sou americano nos meus princípios".
Nasceu em Edimburgo, em 26 de abril de 1711. Passou sua infância numa casa da família na vila de Chirnside, não muito distante de Berwickshire. Filho de Joseph Hume de Chirnside, advogado, e de Katherine Falconer. Seu pai faleceu quando tinha apenas dois anos, deixando o pequeno David Hume, seu irmão mais velho e sua irmã sob os cuidados exclusivos de sua mãe. A família, apesar de não ser rica, teve condições de pagar por tutores particulares para David e John. Estudaram, nesse período, latim e literatura, e provavelmente também a língua francesa. Já no outono de 1721, com 10 anos, partiu, junto com seu irmão, 12 anos, para o Colégio de Edimburgo. Lá, Hume seguiu o curso ordinário de artes, e não se graduou. Nessa época, sua família decidiu que ele deveria se tornar um advogado, como seu pai. Assim, o autor passou algum tempo lendo livros de direito, e frequentando as aulas da faculdade de direito de Edimburgo. Porém, não se interessou pela área. Em 1742, Hume descreveu o direito como uma 'ocupação trabalhosa' e 'incompatível com qualquer outro estudo ou profissão'.
Hume não ficou impressionado com a educação que recebeu em Edimburgo, não obstante, além de seu contato com línguas e literaturas clássicas, foi também exposto à cultura da filosofia natural experimental e à jurisprudência moderna e protestante, que se tornariam influências constantes no seu pensamento. Seu encontro com a obra de Shaftesbury, logo após sua saída da universidade, foi igualmente marcante na orientação que o Hume tomaria, especialmente a obra Characteristicks of Men, Manners, Opinions, Times (Características dos Homens, Costumes, Opiniões, Épocas). O projeto de renovação da filosofia moral estoica elaborado pelo conde de Shaftesbury seria compartilhado por Hume, que leu extensamente a literatura estoica disponível naquele momento, como Cicero, Sêneca e Plutarco, tomando desses pensadores uma inspiração para a educar a mente a as paixões. Esse ideal moral teria, porém, influência na dedicação excessiva que Hume exerceu no período, e no colapso emocional que se seguiu, o que lhe despertou, também, uma reação crítica.
Após abandonar o curso sem muita resistência da família, Hume teve um período de tempo livre, durante o qual leu vigorosamente, e formou a vontade de seguir uma carreira literária. No início de 1729, já havia decidido que iria se dedicar inteiramente a leitura e a escrita. Entretanto, seis meses depois, entrou num estado de colapso, sentindo-se fatigado após dedicar-se demais nos estudos, e incapaz de continuar no mesmo ritmo, desgostoso do trabalho de ler, faltando-lhe a concentração necessária. Passou dois anos para recuperar seu vigor, enquanto aprendia à equilibrar melhor seu esforço intelectual com atividades físicas e períodos de socialização.
No verão de 1731, novamente autoconfiante, Hume começou à cultivar um novo projeto intelectual, em que pretendia tomar a natureza humana como foco de estudo, abordando-a de maneira original em relação aos antigos, por favorecer acima de tudo a investigação através da experiência. Pretendia, assim, oferecer perspectivas independentes das teses moralistas e religiosas prevalentes. Passou os três anos seguintes desenvolvendo seu projeto de uma nova ciência da natureza humana, durante os quais falhou e recomeçou diversas vezes.
Na primavera de 1734, Hume relatou a um médico de Londres que ainda sentia os efeitos de seu colapso nervoso, e solicitou auxílio diante da sua atual dificuldade de se concentrar e organizar seus pensamentos. Decidiu então dar uma pausa em seu trabalho intelectual e dedicar-se a outras atividades. Arrumou um trabalho com um comerciante de açúcar em Bristol. Não obstante, alguns meses depois Hume já declarava que descobriu ser totalmente incompatível com aquele ambiente. Logo viajou para a França, buscando continuar seus estudos. Lá escreveria o primeiro núcleo de sua obra Tratado da Natureza Humana.
Em 1737, Hume retorna à Inglaterra e trabalha diligentemente para publicar o seu livro. Em 1739, consegue publicar os dois primeiros volumes de seu Tratado, e em 1740 é publicado o terceiro e último volume. Apesar de ser hoje considerado a sua principal obra e um dos livros mais importantes da história da filosofia, o Tratado não causou impressão à época de sua publicação. Hume tinha esperado um ataque às ideias apresentadas no livro e preparava uma defesa apaixonada. Para sua surpresa, a publicação do livro passou quase despercebida; e, recordando a indiferença do público, Hume escreveu que "nenhuma tentativa literária foi mais desafortunada que meu Tratado da Natureza Humana", na verdade, "saiu da gráfica natimorto, sem alcançar sequer a distinção de estimular os murmúrios dos fanáticos". Diante da reclamação de que o livro era "abstrato e ininteligível", Hume recorreu ao artifício, ainda em 1740, de publicar uma sinopse anônima, na qual apresentava de forma mais clara e direta algumas das ideias fundamentais do Tratado. No entanto, embora já permitisse antever os elegantes argumentos da Investigação sobre o entendimento Humano, a sinopse de pouco serviu para mudar a consideração geral em relação ao Tratado.
Em 1742 é publicada em Edimburgo a primeira parte de seus Ensaios, que mereceram considerável atenção do público e, segundo o próprio Hume, fizeram-no esquecer a decepção provocada pelo Tratado. Em 1744, concorre à cátedra de Filosofia Pneumática e Moral da Universidade de Edimburgo, mas sua candidatura enfrenta forte oposição devido à sua fama de ateísta e acaba por ser rejeitada.
Depois dessa conturbada candidatura a um posto acadêmico e de uma experiência infeliz como tutor de um jovem inglês, de linhagem nobre e mente desajustada, Hume é convidado pelo general James St. Clair a ser seu secretário numa expedição militar. Inicialmente a expedição tinha como alvo o Canadá, mas terminou por realizar uma incursão à costa da França. Hume também acompanhou o general St. Clair em missões diplomáticas a Viena e Turim. Tendo retornado da Itália, Hume muda-se para a propriedade rural de sua família em 1749, e aí permanece por dois anos. Em 1751, vai morar na cidade, "o verdadeiro cenário de um homem de letras", e faz uma nova tentativa de obter um cargo acadêmico: a cátedra de Lógica da Universidade de Glasgow. Mas, novamente, sua candidatura é rejeitada.