Neste Dia

Dedé Santana

Ator brasileiro

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Manfried Sant'Anna OMC, mais conhecido como Dedé Santana (Niterói, 29 de abril de 1936), é um comediante, ator, apresentador, roteirista, produtor e cineasta brasileiro. Reconhecido como um dos principais nomes do humor televisivo no Brasil e uma figura central na história do entretenimento nacional. Tornou-se nacionalmente conhecido por sua atuação no grupo Os Trapalhões (1964–1995), no qual desempenhou papel fundamental como escada cômica, contribuindo para a dinâmica humorística do quarteto por meio de sua versatilidade interpretativa e domínio do tempo de cena, ao mesmo tempo em que consolidava personagens próprios de grande apelo popular.

Oriundo de uma tradicional família circense de ascendência cigana, iniciou sua carreira ainda na infância em espetáculos de circo e companhias itinerantes, desenvolvendo habilidades que abrangeram atuação, acrobacia, trapézio e improvisação. Essa formação contribuiu diretamente para sua atuação no cinema e na televisão, onde, além de atuar, também exerceu funções criativas nos bastidores, incluindo a roteirização e direção de diversos filmes ligados ao grupo d'Os Trapalhões, como A Filha dos Trapalhões (1984) e Os Trapalhões no Reino da Fantasia (1985), ampliando sua participação no processo de produção artística. Foi trabalhar na TV Tupi, formando ao lado do irmão Dino Santana a dupla cômica Maloca e Bonitão, com quem estrelou três filmes e um programa de televisão. Em 1964, conhece Aragão, formando uma das maiores duplas de comédia do Brasil, Didi & Dedé, com quem trabalhou em diversas emissoras como Rede Excelsior e Record, até ingressarem na Rede Globo ao lado de Mussum e Zacarias no final dos anos 1970, tornando-se uma das maiores audiências da emissora durante três décadas.

Paralelamente à televisão, destacou-se no cinema brasileiro ao participar de produções de grande sucesso de bilheteria, muitas das quais figuram entre as mais assistidas da história do país; além de atuar em outros projetos cinematográficos fora do contexto do grupo, evidenciando sua versatilidade como intérprete.

Após o fim das atividades regulares do grupo, Santana manteve-se ativo em diferentes frentes do entretenimento, com participações em programas televisivos, espetáculos ao vivo e projetos ligados ao circo, área com a qual manteve vínculo ao longo de toda a sua trajetória. Nas décadas mais recentes, continuou realizando aparições na mídia e em eventos relacionados à memória da televisão brasileira, além de participar de iniciativas culturais e entrevistas, preservando sua relevância como um dos principais representantes do humor clássico nacional.

Oriundo de uma família de artistas circenses e ciganos, Dedé nasceu em São Gonçalo no dia 29 de abril de 1936, filho de Oscar Santana, o "Palhaço Picolino", e da contorcionista Ondina Santana. Segundo o próprio, seu nome de batismo, Manfried, foi uma homenagem de seus pais a um alemão que doou sangue para sua mãe pouco antes do seu nascimento. Como seu irmão caçula, Dino, não conseguia pronunciar seu nome, ganhou dele o apelido "Dedé".

Estreou em seu primeiro espetáculo com apenas três meses de vida, atuando ao lado sua mãe na peça A Cabana do Pai Tomás. Nos picadeiros, Dedé fez de tudo, tendo atuado como palhaço, acrobata, trapezista, domador de elefantes e chegando até a estrelar o "Globo da morte". Nesta fase, chegou a interpretar o palhaço Arrelia no próprio circo do palhaço, que ocupava-se gravando seu programa, o Circo do Arrelia.

Chegou a trabalhar numa confecção pela manhã e interpretava Arrelia na matinê à noite. Com habilidade para fazer o público rir, certa vez chegou atrasado para o espetáculo e esqueceu de pintar o rosto, levando o público ao delírio e ganhando a alcunha de "Palhaço de Cara Limpa". Dedé também chegou a trabalhar como engraxate, verdureiro, ajudante de mecânico, além de ter estudado contabilidade.

Era sobrinho do falecido ator e comediante Colé Santana.

O início da carreira artística foi extremamente difícil para Dedé. Quando jovem, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro tentar a sorte no cinema, chegando a passar fome em vários momentos.

Ficou aproximadamente seis meses dormindo nas calçadas de Copacabana durante o dia, e andando à noite para que a policia não o prendesse. Suportou essas privações, pelo simples fato de não querer voltar para a casa derrotado. Como não conseguia entrar para o cinema, acabou por aceitar um emprego de faxineiro em um teatro.

Na primeira oportunidade, passou a trabalhar como contrarregra. Certo dia, o ator principal de uma peça faltou e não havia ninguém para substituí-lo. Como havia comentado no teatro que já havia trabalhado em circo, o diretor propôs a ele que tentasse interpretar o personagem.

Em decorrência de seu talento, sua atuação foi considerada excelente, tornando-o ator fixo da peça. O espetáculo fez um enorme sucesso e foi agraciado com o prêmio de "Melhor Comediante de Teatro" em 1961. Nesse mesmo ano, iniciou sua carreira cinematográfica no filme Rio à Noite.

A convite do comediante Arnaud Rodrigues, resolveu entrar para a televisão, mais precisamente na extinta Tupi. Formou, com o ator e irmão Dino Santana, a dupla Maloca e Bonitão. No filme Na Onda do Iê-iê-iê, de 1966, já na companhia de Renato Aragão, Dedé e Didi vão à delegacia para salvar o personagem César Silva, vivido pelo cantor Silvio César, que estava preso injustamente e tinha que sair da cadeia para participar de um festival, o guarda reconheceu Dedé perguntando: "Você não é o Maloca da televisão? Me conta uma piada!", então Dedé ficou entretendo o guarda para que Didi abrisse o cadeado da prisão para a fuga do personagem César Silva.

Foi com Renato Aragão, na Excelsior, que iniciou o grupo de comediantes e humoristas que lhe viria a dar fama, Os Trapalhões. Como Dedé é de formação circense, ensinou muitas piruetas e movimentos de circo a Didi na época que eram uma dupla.

Ao lado de Mussum, Didi e Zacarias e de diversos artistas do elenco da Globo, como Roberto Guilherme, Tião Macalé e Carlos Kurt, participou de várias edições do Criança Esperança, de 1986 até 1996. Criado em 1986, foi ao ar exibido ao vivo direto do antigo Teatro Fênix, durante o especial que comemorou os 20 anos d'Os Trapalhões, em 28 de dezembro de 1986, na Rede Globo. Também comemorou os 25 anos de Os Trapalhões com Mussum e os 30 anos de Os Trapalhões com Didi no Criança Esperança.

Com a perda dos amigos e parceiros Zacarias, morto em 1990, e Mussum, em 1994, a Rede Globo deixou de produzir episódios inéditos de "Os Trapalhões" e, em 1995, Dedé e Didi são contratados pela SIC, de Portugal, e levam a magia trapalhônica ao velho continente com o programa Os Trapalhões em Portugal. O programa ficou no ar por 4 anos, encerrando as atividades em 1998. Em 1999, foi escalado para ser um dos professores do programa humorístico Escolinha do Barulho da Rede Record.

Em 2004, após uma longa separação e diversos desentendimentos (alguns devido a declarações que dava em entrevistas à imprensa), se reconciliou com o parceiro Renato Aragão em uma participação no programa Criança Esperança daquele ano, exibido pela Rede Globo.

Em 2005, voltou à televisão com o programa Dedé e o Comando Maluco, em associação com o empresário e comediante Beto Carrero, transmitido pelo SBT. O programa chegou a ser exibido no mesmo horário do programa A Turma do Didi e de acordo com o Ibope, o programa no SBT chegou a vencer A Turma do Didi em algumas ocasiões. Dedé e o Comando Maluco foi cancelado após o falecimento de Beto Carrero, em fevereiro de 2008.

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