Vladém Lázaro Ruiz Quevedo, mais conhecido como Delém (São Paulo, 15 de abril de 1935 — Buenos Aires, 28 de março de 2007) foi um futebolista e técnico de futebol brasileiro radicado na Argentina.
Delém é um dos grandes nomes da história do River Plate, como jogador e, principalmente, como descobridor de talentos, em seu trabalho nas categorias inferiores do time. Chegou, inclusive, a ser o segundo estrangeiro com mais gols pelo clube. Em 2011, foi considerado um de seus cem maiores ídolos, em lista da revista El Gráfico.
Chegou ao River após destacar-se com quatro gols em três partidas pela seleção brasileira contra a seleção argentina em 1960, ainda como jogador do Vasco da Gama. No país vizinho, também teve trabalhos reconhecidos sobretudo no Huracán, como vice-campeão argentino em 1975, e no Argentinos Juniors em 1979, passagem que fez de Delém o único brasileiro a ter sido técnico de Diego Maradona.
Embora nascido em São Paulo, jamais atuou no futebol paulista. A carreira começou no Rio Grande do Sul, no Grêmio, no qual ingressou ainda nas categorias de base. Teve uma primeira oportunidade em 1954 no time adulto, mas à altura de 1957 ainda era considerado jogador mais presente na equipe de aspirantes - apesar de bons momentos, como uma assistência que abriu vitória de 3-1 sobre o Estrela Vermelha em 1955 e gol que abriu outro 3-1, sobre o Racing, em 1956 (ambos amistosos). Contudo, nunca chegou a marcar gols no Grenal.
Mesmo sem ter se firmado na equipe gaúcha, foi transferido em 1958 ao Vasco da Gama, em negociação que envolveu a troca por Ortunho, por sua vez cedido pelos cruzmaltinos aos tricolores. Delém integrou a campanha campeã naquele ano do Torneio Início do Rio de Janeiro e do "supersuper" campeonato carioca. Naquele ano, marcou um gol cada no clássico com o Botafogo|clássicos com o Botafogo (1-1 amistoso em 14 de junho) e com o Flamengo (1-1 pelo estadual, em 14 de setembro). Contra o Botafogo, fez ainda dois gols em 2-0 pelo Torneio Rio-São Paulo de 1959, ano em que também marcou em vitória de 5-4 sobre o Atlético de Madrid em junho, e em clássico com o Fluminense (vencedor por 3-1 pelo estadual).
Também em 1959, o Vasco foi semifinalista da primeira edição da Taça Brasil. O Vasco vinha embalado após vitória categórica de 4-2 sobre o Botafogo, mas foi derrotado em pleno estádio do Maracanã por 1-0 pelo Bahia no primeiro duelo. Delém fez o gol da vitória por 2-1 na revanche, na Fonte Nova, resultado que pelo regulamento de então apenas forçou um terceiro jogo, no mesmo local. Futuro campeão, o adversário venceu por 1-0 e assim avançou à decisão. Em 1960, Delém já era considerado no Vasco como o sucessor de Almir Pernambuquinho. Pelo Torneio Rio-Sâo Paulo daquele ano, no primeiro semestre, fez gols sobre o America, o futuro campeão carioca de 1960, além de dois cada em 5-0 sobre Portuguesa e em 3-0 sobre o Palmeiras e outros no 1-1 contra o Corinthians e em clássicos contra Botafogo (1-1) e Fluminense (derrota de 3-2).
A boa fase propiciou jogos pela seleção brasileira, sobretudo ao fim do primeiro semestre 1960. Foi precisamente enfrentando pelo Brasil a seleção da Argentina que Delém começou a atraiu atenção do país vizinho. Primeiramente, nos duelos válidos pela Copa Roca de 1960, ambos realizados em maio no estádio Monumental de Núñez, do River Plate. No primeiro, marcou gol em derrota por 4-2 - recebendo passe de Julinho Botelho, fez o segundo gol brasileiro, diminuindo provisoriamente a derrota para 3-2; no segundo, fez os dois gols da vitória por 2-0 ao longo dos 90 minutos. Primeiramente, aproveitando cruzamento de Julinho Botelho e, no segundo, um rebote do goleiro adversário. O resultado forçou uma prorrogação resultada em vitória brasileira por 4-1, para a qual Delém foi especialmente importante também no terceiro gol: tabelou com Julinho, cujo arremate desviou em zagueiro adversário e enganou o goleiro. A vitória brasileira por 4-1 é o triunfo mais elástico já conseguido pelo Brasil em clássicos contra a Argentina na casa adversária.
No mesmo ano, pela Taça do Atlântico de 1960, Delém participou em julho de 5-1 no estádio do Maracanã, segunda vitória mais elástica do Brasil em qualquer estádio sobre a arquirrival. Substituiu Coutinho no decorrer de jogo polêmico, vencido de virada na qual Pelé atuou apenas no primeiro tempo, que se encerrava com o placar de 3-1 quando uma confusão generalizada surgiu quando o que seria o quarto gol brasileiro terminou anulado. Nela, Pelé agrediu um dos três adversários que o cercaram - Néstor Cardoso - e, por precaução, foi poupado para a segunda etapa. Delém havia sido precisamente o único jogador que não se envolveu na briga campal e marcou, aos 15 minutos do segundo tempo, o quarto gol efetivamente validado. Na jogada, driblou dois adversários antes do chute final.
O protagonismo de quatro gols em três clássicos contra a Argentina foi decisivo para ser contratado pelo River, para a temporada de 1961, embora essa transferência também viesse a afastar para sempre Delém da seleção brasileira, que não convocava ainda quem atuasse no exterior. Inicialmente, Delém foi observado por um gerente riverplatense que acompanhou jogos seguintes do Vasco, clube que Delém ainda defendia o à altura de abril de 1961. Ainda viria a marcar gols em agosto de 1960 sobre o Botafogo, em vitória de 2-0 pelo estadual, em vitória de 2-1 sobre o próprio River em amistoso em janeiro de 1961 e em alguns clássicos pelo Torneio Rio-São Paulo de 1961 - 4-1 sobre o America, dois em 4-1 sobre o Fluminense e em derrota de 2-1 para o Flamengo.
Delém chegou ao River em um contexto de bastante valorização de jogadores brasileiros após o título na Copa do Mundo FIFA de 1958, a ponto dos compatriotas Moacir (membro do título mundial), Roberto Frojuello (outro presente na conquista da Copa Roca de 1960), Salvador (adquirido junto ao Peñarol) e Décio de Castro serem adquiridos no mesmo período. O clube chegou a formar um ataque com três brasileiros juntos e, no início do ano, teve sucesso em amistosos na Europa. Delém marcou gols em vitórias de 3-2 sobre o Real Madrid (convertendo um pênalti), resultado que encerrou oito anos de invencibilidade absoluta da equipe de Alfredo Di Stéfano contra equipes estrangeiras no estádio Santiago Bernabéu, e de 3-1 sobre o Napoli.
Moacir e Roberto também tiveram bom desempenho na excursão, mas apenas Delém manteria uma regularidade de boas partidas no regresso à Argentina. Em 1961, o clube acabou aquém do esperado, terminando o campeonato argentino em uma terceira colocação a nove pontos do campeão Racing, em tempos nos quais vitórias só valiam dois pontos e não três. Delém marcou seis gols em dezesseis partidas, incluindo um no Superclásico, em derrota de 3-1 na qual os outros gols foram também brasileiros - todos de Paulo Valentim.
Em janeiro de 1962, o River venceria festejado amistoso contra o Santos de Pelé e ao longo dano efetivamente lutaria pelo título argentino, que não conquistava desde 1957. Delém, formando boa dupla ofensiva com Luis Artime, terminou em terceiro na artilharia do campeonato, com 19 gols. Um deles, em chute a 35 metros de distância no Superclásico válido pelo primeiro turno. Essa partida foi histórica pelos três gols da vitória de virada do River por 3-1 terem saído no espaço de três minutos.
O clube, contudo, permaneceria em jejum até 1975, sendo Delém considerado precisamente um dos grandes ídolos que o River teve a despeito do longo período sem troféus - apesar do próprio brasileiro acabar responsabilizado pela derrocada do torneio argentino de 1962. Naquele contexto, o arquirrival Boca vivia jejum ainda maior, desde 1954. O Gimnasia y Esgrima La Plata foi líder em boa parte do campeonato, mas fraquejou na reta final, na qual a disputa se concentrou como raras vezes entre a dupla principal. Boca e River duelaram na penúltima rodada estando igualados na liderança, um Superclásico histórico novamente sob protagonismo de Valentim e de Delém; o oponente, por ter convertido o único gol, de pênalti, ao passo que Delém acabou como destaque negativo justamente por perder um pênalti que poderia ter empatado o jogo a cinco minutos do fim. A despeito do goleiro boquense Antonio Roma ter se adiantado clamorosamente na defesa, o árbitro, receoso contra a própria segurança, negou-se a ordenar que a cobrança fosse repetida.