Dennis Lynn Rader (9 de março de 1945) é um assassino em série norte-americano conhecido como BTK (um apelido que ele deu a si mesmo, abreviatura de "bind, torture, kill", ou, em português, "amarrar, torturar, matar") ou "Estrangulador BTK". Entre 1974 e 1991, Rader matou cerca de dez pessoas nas cidades de Wichita e Park City, no estado do Kansas, e enviou cartas provocadoras à polícia e jornais locais descrevendo os detalhes dos crimes por si cometidos. Após um hiato de um pouco mais de uma década, Rader voltou a mandar cartas, em 2004, cuja investigação levou à sua prisão no ano seguinte. Pouco tempo após ser preso, Rader confessou diversos crimes e se declarou culpado perante um juiz. Foi condenado a dez sentenças de prisão perpétua pelos homicídios que cometeu, sendo encarcerado na Instituição Correcional El Dorado, em Prospect Township, no Condado de Butler, no Kansas.
Dennis Lynn Rader nasceu em 9 de março de 1945, filho de Dorothea Mae Rader (nascida Cook) e William Elvin Rader, sendo um de quatro filhos. Seus irmãos eram Paul, Bill e Jeff Rader. Nascido em Pittsburg, Kansas, ele cresceu na cidade de Wichita. Seus pais trabalhavam muito e prestavam pouca atenção aos filhos em casa; Rader, mais tarde, lembraria com especificidade o sentimento de ser ignorado por sua mãe e o ressentimento que isso gerou contra ela por causa isso.
Desde muito jovem, Rader nutria várias fantasias sexuais sádicas que envolviam torturar mulheres "presas e indefesas". Ele também mostrava sinais de zoossadismo ao torturar, matar e enforcar pequenos animais. Rader buscava satisfazer seus fetiches sexuais por voyeurismo, asfixia autoerótica e cross-dressing; ele costumava espionar as vizinhas enquanto se vestia com roupas de mulher, incluindo roupas íntimas femininas que ele havia roubado, e então se masturbava com cordas ou outras amarras nos braços e pescoço. Anos mais tarde, durante um período de pausa nos seus assassinatos, Rader tiraria fotos de si mesmo vestido em roupas de mulher e uma máscara feminina enquanto amarrado. Mais tarde, ele admitiria que fingia ser suas vítimas como parte de uma fantasia sexual. Rader manteve suas inclinações sexuais bem escondidas, contudo, e era amplamente considerado em sua comunidade como "normal", "cortês" e "educado".
Depois de se formar na escola, Rader estudou na Kansas Wesleyan University, mas tinha notas medíocres e largou a faculdade após um ano. Ingressou na Força Aérea dos Estados Unidos, servindo de 1966 a 1970. Após ser dispensado do serviço ativo, ele se mudou para Park City, onde começou a trabalhar no departamento de carnes na rede de supermercados IGA, onde sua mãe trabalhava como escriturária. Em 22 de maio de 1971, Rader se casou com Paula Dietz e eles teriam dois filhos juntos, Kerri e Brian. Dennis foi então estudar na Butler Community College, em El Dorado, Kansas, conseguindo uma graduação em eletrônica em 1973. Ele então se matriculou na Universidade Estadual de Wichita, se formando em 1979 com um diploma em administração de justiça.
Rader inicialmente trabalhou como montador para a Coleman Company, uma empresa que fabrica artigos para campismo. Ele depois trabalhou para o escritório de Wichita da empresa ADT Inc., de 1974 a 1988, onde trabalhou especificamente na instalação de alarmes de segurança, cujos pedidos haviam aumentado exponencialmente após os assassinatos do BTK terem começado. Rader foi o supervisor de campo operacional do censo para a área de Wichita em 1989, antes do censo federal de 1990.
Em maio de 1991, Rader se tornou um apanhador de cães e oficial de conformidade em Park City. Nesta posição, vizinhos se lembram dele como, as vezes, sendo excessivamente zeloso e extremamente rígido, além de sentir um prazer especial em intimidar e assediar mulheres solteiras. Uma vizinha reclamou que Rader teria matado o seu cachorro sem qualquer motivo.
Rader foi membro da Igreja Luterana de Cristo e foi eleito como presidente do conselho de sua congregação. Ele também foi líder dos escoteiros mirins do Kansas.
Em 26 de julho de 2005, após a prisão de Rader, sua esposa requisitou e conseguiu na justiça um "divórcio de emergência" (que excluiu o período normal de espera e agilizou o processo).
Em 15 de janeiro de 1974, quatro membros da família Otero foram assassinados na cidade de Wichita, no Kansas. As vítimas foram Joseph Otero (38 anos de idade), Julie Otero (33 anos de idade), Joseph Otero Jr (9 anos de idade) e Josephine Otero (11 anos de idade). Os corpos foram encontrados pelo filho mais velho da família. Quando foi preso em 2005, Rader confessou ter assassinado a família Otero e descreveu o crime em detalhes para o tribunal. Descrevendo aos acontecimentos ao juíz, ele afirmou que contou inicialmente aos Otero que era um "homem procurado" na Califórnia antes de ordenar que eles se deitassem no chão da sala sob a mira de uma arma. Então, ele levou a família para um quarto e os amarrou com uma corda que havia preparado. Joseph e Joey estavam no chão, enquanto Julie e Josie estavam na cama. Os pulsos e pés de Joseph e Julie estavam presos. A cabeça de Joseph estava coberta por um saco plástico, que Rader então prendeu com cordas. Depois que Joseph mastigou um buraco no saco, outro saco foi apertado sobre sua cabeça, fazendo-o sufocar lentamente até a morte. Rader tentou estrangular Julie. Ele afirmou: "a senhora Otero acordou. Ela estava bem abalada com o que estava acontecendo e me pediu para salvar seu filho, então eu tirei a sacola [de sua cabeça]. Ela gritou, 'Você matou meu filho! Você matou meu filho!' Após a realização inicial e o choque, ela comunicou, 'Deus tenha misericórdia de sua alma,' antes de eu neutraliza-la, permanentemente." Rader estrangulou Julie até a morte com uma corda. Com ambos os pais mortos, Rader então colocou outra sacola plástica, seguida por duas camisetas e uma sacola adicional, sobre a cabeça de Joey, observando enquanto ele se debatia e sufocava. Depois, Rader levou Josie para o porão, onde a pendurou com uma corda presa a um cano. Pouco depois, Rader escreveu uma carta onde assumiu a autoria dos homicídios e a colocou dentro de um livro de engenharia na biblioteca pública de Wichita, em outubro de 1974, e depois mandou uma mensagem para um jornal para eles recuperarem a carta, onde Rader descreveu como matou a família Otero.
O modus operandi de Dennis Rader era "perseguir" a vítima, que era alguém aleatório que ele encontrava pelas ruas, até invadir a sua casa quando a vítima não estava lá e ficava à espera da pessoa (normalmente Rader cortava a linha telefônica da casa que pretendia atacar). Mas no caso da família Otero, como fez em alguns outros casos, ele invadiu a casa com uma arma e afirmou que era um assalto ou que estava fugindo da lei e precisava de dinheiro ou alguma outra coisa. Para tentar tranquilizar as vítimas, Rader afirmava que iria amarrá-las apenas para que não causassem problemas e que ele logo iria embora, mas então as torturava e matava (na maioria dos casos por asfixia), e depois tirava alguma lembrança para si (uma foto do corpo ou pertence pessoal da vítima). Depois ia para casa, às vezes detalhando o que havia feito em suas anotações ou escrevendo um poema sobre o ocorrido. Para satisfazer seu sadismo sexual, ele costumava asfixiar algumas das vítimas até quase o ponto de inconsciência e depois a via retomar a consciência para então enforcá-la de novo. No momento do assassinato da família Otero, a polícia não tinha ideia que estava lidando com um assassino em série e pareciam nem estar perto de encontrar o responsável. Rader era metódico nos seus crimes e evitava ao máximo deixar provas para trás, sendo bem sucedido nisso. As evidências de DNA que ele deixava nas cenas do crime eram, na época, inúteis para a polícia devido a ausência de teste de DNA (que só surgiu nos anos 90).
Em 4 de abril de 1974, Rader invadiu a casa de Kathryn Doreen Bright (21) em Wichita pela porta de tela, mas ficou surpreso ao descobrir que seu irmão de 19 anos, Kevin Bright, também estava presente na propriedade. Ele transportou Kathryn para outro quarto e a amarrou depois de forçar Kevin, que estava sendo mantido sob a mira de uma arma, a conter sua irmã com uma corda que Rader havia fornecido. Rader tentou estrangular Kathryn antes de esfaqueá-la três vezes nas costas e no abdômen inferior com uma faca quando ela lutou muito. Kevin também foi estrangulado e baleado na cabeça, mas sobreviveu fingindo-se de morto e depois escapou.