Neste Dia

Dercy Gonçalves

Atriz, humorista e cantora brasileira

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Dolores "Dercy" Gonçalves Costa (Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907 – Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008), foi uma atriz, humorista e cantora brasileira. Oriunda dos espetáculos circenses, tornou-se uma das maiores estrelas do auge do teatro de revista na década de 1930 e da produção cinematográfica brasileira a partir da década de 1940. Foi reconhecida pelo Guinness Book como a atriz com maior tempo de carreira na história mundial, totalizando 86 anos.

Celebrada por suas entrevistas irreverentes, bom humor e emprego constante de "palavrões", foi uma das maiores expoentes do teatro de improviso no Brasil.

Dercy veio de uma família miscigenada: a avó era negra africana, de Dacar, e o avô, português de Coimbra. Uma outra avó era “quase índia”. Originária de família pobre, nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro. Sua irmã Cecília, segundo o registro, difere de seis meses do seu nascimento. Na época, era muito comum registrar os filhos mais tarde, pela falta de acesso a cartórios e informações acerca da importância de um registro civil.

Era filha de um alfaiate, chamado Manuel Gonçalves Costa e de uma lavadeira, chamada Margarida Gonçalves Costa. Sua mãe abandonou o lar e os sete filhos ao descobrir a infidelidade do marido. Dercy, abandonada pela mãe ainda pequena, foi criada pelo pai alcoólatra. A menina, que foi crescendo, teve que conviver com um pai bêbado e violento em casa e sofreu muito com o abandono da mãe, que foi embora para o Rio de Janeiro para trabalhar como empregada doméstica e que anos mais tarde faleceu durante a Gripe espanhola.

Sofria preconceitos na infância, sendo constantemente chamada de "negrinha", por ser neta de uma negra.

Para ajudar nas despesas de casa junto aos irmãos, Dercy trabalhou em uma bilheteria de cinema, no Cinema Ideal. Assistindo aos filmes nas horas de expediente do serviço, aprendeu a se maquiar e atuar como as artistas da época Pola Negri e Theda Bara. Seu grande sonho era seguir carreira artística. Mesmo não sendo ainda atriz profissional, apresentava-se em teatros improvisados para hóspedes dos hotéis em sua cidade natal.

Aos dezessete anos, fugiu de casa para Macaé embaixo do vagão de um trem, pois queria se juntar a uma trupe de teatro mambembe que lá estava, com diversos atores de circo experientes, na qual ela poderia trabalhar, a Companhia de Maria Castro.

Após um tempo morando em Macaé e trabalhando no teatro circense, o circo teve que partir para se fixar em outra cidade e fazer apresentações novas. Então, ela foi junto com a Companhia de Circo para Minas Gerais, onde estreou em Leopoldina, integrando o elenco da Companhia Maria Castro.

Fazendo teatro itinerante, formou dupla com Eugênio Pascoal em 1930, com quem se apresentou por cidades do interior de alguns estados, sob o nome de "Os Pascoalinos", exibindo-se em circos ou integrando temporariamente outras companhias ambulantes, como as de João Rios, de Silva Filho, dentre outras. No final de 1931, Pascoal deixa Dercy sozinha na capital, indo para Atibaia tratar tuberculose. Considerada sua inexperiência, ela não teve êxito. Para sobreviver, foi cantora de números românticos e regionais na Companhia de Genésio Arruda.

Em 1932, Os Pascoalinos chegou à "Casa de Caboclo", na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro. Maior sucesso de Dercy, chegou a ter seu nome escrito nas portas, juntando-se a Jararaca & Ratinho e outros, então estrelas máximas da casa. Com um repertório musical cantava "A Casinha aonde eu nasci", "Malandrinha", " A Serra da Mantiqueira". Num desses espetáculos, substituindo a atriz Durvalina Duarte, que apresentava o número principal, em que atendia ao telefone e em seguida anunciava a entrada de Jararaca e Ratinho, a cantora se descobriu como atriz cômica.

Aos 25 anos, Dercy se apaixonou por Eugênio Pascoal, que foi seu primeiro namorado. Dercy dissera uma vez em entrevista que, fora enganada por seu primeiro namorado, Pascoal, que a violentou sexualmente. Dercy conta que na noite em que perdeu a virgindade, usava uma camisola feita de saco de arroz: "Tinha escrito no peito: Indústria Brasileira de Arroz Agulhinha, arroz de primeira". Anos depois, a atriz disse que não sabia o que estava acontecendo e não entendeu por que estava sangrando. Ela foi coagida a fazer sexo, mediante ameaça de término do namoro, e não sabia que o ato configurava-se como estupro. Após alguns anos convivendo juntos, Eugênio ficou tuberculoso e foi internado em um sanatório, vindo a falecer.

Enquanto excursionava com a trupe pelo interior de Minas Gerais, Dercy descobriu estar com tuberculose, que contraíra de seu parceiro, tendo que se afastar do trabalho e sendo internada em Santos Dumont. Um exportador de café mineiro chamado Ademar Martins Senra a conheceu quando passava próximo à tenda do circo e se compadeceu com sua situação e se encantou por ela. Por vontade própria, pagou todas as contas do sanatório para a internação da atriz, que não tinha dinheiro suficiente para custear o tratamento. Em 1936, já curada da tuberculose, com uma filha pequena e com dificuldades financeiras, começou a fabricar perfumes e a vender na Praça Tiradentes.

Em 1941, Dercy já estava trabalhando na Companhia de Revista Paradise, de Jardel Jércolis, trabalhando ainda na Companhia de Variedades do pai de Walter Pinto e na Companhia de Chianca de Garcia. Em 1947, monta sua própria Companhia.

Especializando-se na comédia e no improviso, participou do auge do Teatro de revista brasileiro, nos anos 1930 e 1940, estrelando em algumas delas, como "Rei Momo na Guerra", em 1943, de autoria de Freire Júnior e Assis Valente, e na companhia do empresário Walter Pinto.

Na década de 1960, iniciou sua carreira solo. Suas apresentações, em diversos teatros brasileiros, conquistavam um público cheio de moralismo. Nesses espetáculos, gradativamente introduziu um monólogo, no qual relatava fatos autobiográficos. Paralelamente a estas apresentações, atuou em diversos filmes do gênero chanchada e comédias nacionais.

Na televisão, chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior em 1963, na qual também conheceu o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Depois passou para a TV Rio e, já na TV Globo, convenceu Boni a trabalhar na emissora, junto de Walter Clark.

De 1966 a 1969, apresentou na TV Globo um programa de auditório de muito sucesso, Dercy de Verdade (1966-1969), que acabou saindo do ar com a intensificação da censura no país após o AI-5. Em 22 de Setembro de 1969, o programa foi suspenso pela Censura Federal por 15 dias.

Anos 1970: Problemas com a Censura

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