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Desastre de Texas City

O Desastre de Texas City (Texas City Disaster) foi uma gigantesca explosão ocorrida na manhã de 16 de abril de 1947, no

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O Desastre de Texas City (Texas City Disaster) foi uma gigantesca explosão ocorrida na manhã de 16 de abril de 1947, no porto de Texas City, Estados Unidos, a qual causou a morte de 581 pessoas e devastou grande parte da cidade.

A explosão sucedeu-se a partir de um incêndio a bordo do cargueiro francês, SS Grandcamp, atracado no porto, o qual estava carregado com 2 300 toneladas de nitrato de amônio que entraram em combustão pelo calor. Outro navio que se encontrava próximo, o SS High Flyer, igualmente carregado com aquele produto, também explodiu, gerando uma reação em cadeia de incêndios e explosões pelas várias refinarias e plantas petroquímicas situadas na área portuária da cidade.

A magnitude da explosão, ouvida a centenas de quilômetros de distância, foi tamanha que praticamente desintegrou os dois navios, danificou outros que se encontravam no porto, destruiu grande parte da cidade, principalmente a planta industrial da petroquímica Monsanto, bem como derrubou dois pequenos aviões que sobrevoavam a área.

Foi o mais mortífero acidente industrial a ocorrer na história norte-americana.

Texas City está localizada na costa sudoeste da Baía de Galveston, no Condado de Galveston, cerca de 14 quilômetros ao norte da cidade que dá nome ao condado e 40 quilômetros ao sul de Houston. Fundada na década de 1830 e elevada à categoria de cidade em 1911, tornou-se durante a Segunda Guerra Mundial, um importante porto de águas profundas, servido por linhas férreas que escoavam grande parte da produção do centro-oeste americano.

Ainda durante a guerra, foram construídas cinco plantas de refinarias e petroquímicas para produzir materiais necessários ao esforço bélico, incluindo combustível para a aviação de alta octanagem, estireno e borracha sintética. Nessa época, a população triplicou, passando de pouco mais de 5 mil, em 1940, para aproximadamente 15 mil pessoas por ocasião do desastre.

Segundo o censo norte-americano de 2000, a sua população era de 41.521 habitantes, sendo estimada, em 2006, uma população de 45.070 pessoas.

O SS Grandcamp foi um cargueiro da Classe Liberty com 7.176 toneladas de arqueção bruta, 134,6 metros de comprimento, 17,3 metros de largura, movido a turbinas a vapor.

Construído em 1942, era originalmente denominado SS Benjamin R. Curtis, com registro no porto de Los Angeles, sendo que, naquele mesmo ano, foi enviado ao teatro do Pacífico. Após a guerra, o governo norte-americano ofereceu o navio ao governo francês para ajudar na reconstrução da Europa, tendo sido renomeado Grandcamp.

Antes de chegar em Texas City, o Grandcamp havia feito várias escalas, incluindo uma na Bélgica, onde foi embarcada uma carga de munição para armas pequenas, bem como maquinários diversos, equipamentos de perfuração, os quais foram dispostos no convés. Depois de cruzar o Atlântico, atracou em Cuba e em Houston para carregar e descarregar produtos ordinários como barbantes de fibras de sisal e amendoim, antes de atracar no pier norte (Pier “A”), em frente ao armazém "O" do porto de Texas City, para carregar uma carga de nitrato de amônio, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes.

Ancorado a cerca de 200 metros do Grandcamp, estava o SS High Flyer, carregado com 961 toneladas de nitrato de amônio e 1 800 toneladas de enxofre. O nitrato de amônio nos dois navios e o que ainda estava depositado no armazém adjacente seria embarcado à Europa, para a utilização como fertilizante.

O composto de fertilizantes a bordo dos navios tinha sido originalmente produzido em unidades do Departamento de Guerra, em Iowa e Nebraska. Havia sido embalado em sacos de papel de 100 quilos, misturado com uma resina para evitar o endurecimento, e, então, despachado por trem até Texas City. A temperatura relativamente alta ao longo do caminho pode ter aumentado a reatividade da substância.

Alguns estivadores lembraram que os sacos já estavam quentes quando da sua chegada no porto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o nitrato de amônio foi utilizado para fazer TNT, mas depois da guerra era frequentemente diluído (a 38%) e utilizado como fertilizante para a lavouras. Em sua forma mais pura, o nitrato de amônio não é inflamável, mas deve ser mantido em temperaturas frescas. Torna-se perigoso se combinado com um agente explosivo ou com substâncias voláteis, como enxofre, zinco e cobre.

À época do desastre, alguns procedimentos estabelecidos em regulamentos federais estavam sendo cumpridos relativamente ao manuseio do nitrato de amônio, porém, muitas práticas modernas de segurança ainda não existiam no setor químico. Além disso, muito pouco tinha sido investido em questões de segurança e de emergência, como no caso de contaminação química em grande escala. Em um relatório detalhado após a catástrofe, o vice-presidente da Texas City Railway Co afirmou que o manuseio do composto de nitrato de amônio era relativamente seguro, da mesma forma que o era com cimento, e que não tinha considerado todas as precauções para a transferência de carga.

É de se observar que não foi permitido o carregamento do nitrato de amônio pela autoridades portuárias de Houston.

No dia do desastre, uma quarta-feira, o tempo estava excepcionalmente frio (13° Celsius), com um vento de 20 mph soprando da direção norte-noroeste.

O restante da carga do navio era composta por grandes bolas de corda de sisal, amendoim, equipamentos de perfuração, fumo, algodão, e as caixas de munições para armas de pequeno porte.

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