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Di Melo

Músico, pintor, escultor, ator, escritor e poeta brasileiro

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Roberto de Melo Santos, mais conhecido como Di Melo (Recife, 22 de abril de 1949), é um músico, pintor, escultor, ator, escritor e poeta brasileiro. Seus álbuns são caracterizados pela variedade de gêneros musicais, incluindo a mistura de elementos da música soul e do funk com a psicodelia. Lançou seu primeiro álbum em 1975, num período em que diversos membros da black music brasileira iniciaram carreira, tendo canções gravadas por Wando e Jair Rodrigues.

Após desistir da visibilidade pública, entrou em ostracismo, apresentando-se em bares e cantinas. Iniciou uma parceria musical com Geraldo Vandré na década de 1980, que rendeu doze canções. No início da década seguinte, sofreu um grave acidente de motocicleta, que deu origem a boatos sobre uma suposta morte do artista. Contudo, em 1997, uma de suas canções entrou na coletânea Blue Brazil 2, fazendo com que DJs ingleses redescobrissem seu trabalho.

No decorrer da década de 2000, lançou uma série de discos independentes. Mais tarde, foi objeto de dois documentários e um curta-metragem ficcional. Atualmente, também trabalha com pinturas, esculturas e poemas, tendo ainda escrito dois livros e atuado em uma peça teatral. Seu primeiro álbum teve uma aparição no clipe da canção "Don't Stop the Party", do grupo The Black Eyed Peas. Desde 2000, é casado com a baiana Jô Abade, com quem possui uma filha, Gabriela, também cantora.

Em 2022, seu primeiro álbum foi considerado um dos 500 maiores discos da música brasileira, em votação do podcast Discoteca Básica.

Di Melo é filho de Artur Napoleão de Melo Carneiro Filho, violonista e taxista e de Gabriela Dativa dos Santos, cantora, que o inspirou de modo significativo em seu gosto musical.

Primeiras experiências musicais

Seu padrinho, nascido em Portugal, era dono de uma das maiores casas de ferragem de Pernambuco. Quando criança, cotado para trabalhar no local, permaneceu durante apenas oito dias, devido ao frequente contato com o violão. Aos 13 anos de idade, compôs sua primeira canção. Durante sua adolescência, guardava e lavava carros, entalhava madeira, pintava quadros e se apresentava nos bares do Aroeira e Bumba Meu Bar. Após missas, costumava organizar concertos improvisados com seus amigos.

Em 1965, o então organista de Roberto Carlos, Vanderlei, ouviu as canções do artista e sugeriu-o que fosse a São Paulo. Acompanhado por ele, Di Melo viajou à cidade, porém não se adaptou ao frio, logo voltando à terra-natal Recife e atuando na peça teatral O Arame Farpado no Continente Perdido. Em 1968, apresentou algumas composições para Jorge Ben Jor, que lhe deu o cartão do empresário Roberto Colossi. Partindo outra vez para São Paulo, foi apadrinhado por ele.

No começo da década de 1970, o artista era conhecido, intimamente, como Boby d'Melo, chegando a assinar suas primeiras composições com o apelido. Colossi conduziu-o para a realização de shows na caravana da rede de lojas Ducal Roupas. Naquele período, era muito comum entre os músicos brasileiros a realização desse tipo de evento para gravadoras, rádios, teatros, entre outros. Entre 1973 e 1974, viveu em Tóquio, no Japão, onde frequentava o bar Saci Pererê. Na cidade, compôs canções que mais tarde seriam lançadas oficialmente. Posteriormente, Di Melo viajaria à França e à Alemanha.

Em meados da década, Roberto Colossi adoeceu e morreu pouco tempo depois. De volta ao Brasil, o artista começa a se apresentar em bares paulistanos. Certa vez, a cantora Alaíde Costa organizou uma competição no bar Jogral, Rua Augusta, um dos frequentados por Di Melo à época. Alaíde gostou da performance e decidiu apresentá-lo ao diretor da EMI-Odeon, Moacir Meneghini Machado, que o contratou após ouvir algumas de suas composições.

Em oito dias, finalizou a gravação de seu primeiro álbum, que foi lançado em 1975 e contou com participações instrumentais de Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte. Foram feitas três mil cópias do long-play para divulgação nas rádios, que reproduziram frequentemente as canções contidas nele. Esgotado em sua primeira tiragem, foi elogiado pelos críticos musicais da época.

Os cantores Wando e Jair Rodrigues gravaram, respectivamente, as canções "Volta" e "Paspalho", de Di Melo. Mesmo com as altas vendagens, o artista recebeu, ao final do trimestre, onze cruzeiros pelos royalties. Sentiu-se, ainda, contrariado por seu produtor, que segundo ele o impediu de fazer músicas de cunho político, já que o país estava sob uma ditadura militar. Indignado, pediu rescisão da gravadora EMI-Odeon e voltou a cantar em bares e cantinas, principalmente na Camorra, onde eram apresentadas músicas italianas.

Nas palavras de Di Melo, iniciou-se na época uma "onda de despeito" para consigo. Em uma entrevista, ele disse que não recebe dinheiro com direitos autorais e que muitas pessoas utilizam seu trabalho sem autorização. Apesar dos diversos problemas pessoais, nunca parou de compor. Durante a década de 1980, percorreu várias regiões da América do Sul com Geraldo Vandré. A dupla possui doze canções em parceria.

No início da década de 1990, em certa noite, Di Melo dirigia sua motocicleta em Pinheiros, São Paulo, saindo do bar Avenida, quando dois caminhões foram em direção ao seu veículo, que andava na contramão. Alcoolizado, o artista viu que não conseguiria atravessá-los pelo centro e pulou da ponte, caindo em cheio no rio. O acidente deixou-o com grandes dificuldades de locomoção durante seis meses, tendo sido necessária uma fisioterapia para sua recuperação completa. Iniciaram-se, então, boatos duradouros envolvendo uma suposta morte do artista, surgindo assim seu apelido "imorrível".

Ele soube dos boatos quando, em 1999, um amigo seu, jornalista em Londres, ligou-o informando que havia sido feita uma pesquisa a nível mundial, indicando que sua voz era uma das dez maiores do planeta e que, em contrapartida, constava-se que ele havia morrido em um desastre de motocicleta. Espantado, Di Melo brincou que havia morrido e "esqueceram de [lhe] avisar". Dois anos antes, as músicas de seu primeiro álbum haviam voltado a tocar nas pistas de dança. A redescoberta se deu através de DJs ingleses, quando a música "A Vida em Seus Métodos Diz Calma" foi incluída na coletânea Blue Brazil 2.

Ao final da década, lançou o álbum Distando Estava, acompanhado pela banda do músico Belchior, pela extinta gravadora Camerati. Em 2000, o artista conheceu sua atual mulher, a baiana Jô Abade, puxando o bloco carnavalesco do "Vai Quem Quer". Hoje, ela é responsável pela agenda profissional do marido. O casal tem uma filha, Gabriela, de nome artístico Gabi di Abade, que faz participações em shows e discos do pai. No decorrer da década de 2000, Di Melo lançou oito discos independentes. Em 2002, seu primeiro álbum foi relançado dentro da coleção Odeon 100 Anos, coordenada por Charles Gavin.Esse disco é realmente incrível. Ele tem uma coisa rara por aqui, que é o clavinete, instrumento usado por Stevie Wonder e outros astros do soul e funk dos anos 1970. Ele dá um balanço todo especial ao disco. E deve ser destacado o fato de ele ter sido muito bem gravado para a época. O som é ótimo.

Di Melo retornou aos grandes palcos quando, em 2009, um jornalista pernambucano encontrou o enteado do artista na rede social Orkut. O jornalista decidiu ir à cidade de São Paulo para buscar contato com o músico que, nesse ponto, decidiu se apresentar na 19ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns. Na viagem a Pernambuco, reencontrou seus familiares, que desconheciam o paradeiro dele. O reaparecimento de Di Melo ganhou ampla atenção da mídia e de promotores de eventos.

Em 2011, o primeiro álbum do artista ganhou uma rápida aparição no videoclipe da canção "Don't Stop The Party" do grupo The Black Eyed Peas. No mesmo ano, ele se apresentou na Virada Cultural e em 2012, além das pinturas, passou a trabalhar também com esculturas e poemas. Em 2014, afirmou que já escreveu dois livros que ainda não foram publicados: A Mini Crônica da Mulher Instrumento e O Bicho Voador, este último inspirado na paixão do artista por aviões.

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