Dietrich Bonhoeffer (Wrocław, 4 de fevereiro de 1906 — Flossenbürg, 9 de abril de 1945) foi um teólogo e filósofo, pastor luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista.
Bonhoeffer envolveu-se na trama da Abwehr para assassinar Hitler. Em março de 1943 foi preso e acabou sendo enforcado semanas antes do próprio Hitler cometer suicídio e exatamente um mês antes do fim da II Guerra Mundial.
Nascido em Breslau em 4 de Fevereiro 1906, foi o sexto de oito filhos de um psiquiatra de classe média alta. Quando jovem, decidiu seguir a carreira pastoral na Igreja Luterana.
Fez os primeiros estudos de teologia na Universidade de Tübingen, mas, em 1924, mudou-se para Berlin onde, em 1927, doutorou-se em teologia na Universidade de Berlim, onde apresentou uma dissertação sobre a "Comunhão dos Santos", orientado por Reinhold Seebeerg. Trata-se de um trabalho que recebeu influencias de Karl Barth, Hegel, Max Weber e Ernst Troeltsch.
Sua dissertação é um texto difícil, digno da tradição germânica de rigor acadêmico. A partir de um diálogo com a filosofia idealista alemã, Bonhoeffer defende que a Igreja se manifesta na criação de uma comunidade de crentes, que tem não só uma densidade teológica como também sociológica.
Durante o período que esteve em Berlin, teve contato com Adolf von Harnack, que o influenciaria.
Em 1928, foi enviado para Barcelona, onde se tornou vigário na paróquia protestante alemã.
Quando voltou à Alemanha, concluiu sua tese de pós-doutorado (Habilitationsschrift), intitulada “Akt und Sein”, tarefa que era um requisito para lecionar em universidades. Nessa obra, utilizou elementos do pensamento de Kant para explicar a realidade da condição pecador do homem, do relacionamento com Deus e com a necessidade da cruz. Segundo Bonhoeffer, quando o ser humano está em sintonia como “Adão”, o homem vive em uma condição de “coração voltado para si mesmo” e que a única solução para essa crise seria entrar em sintonia com Jesus Cristo.
Entre 1930 e 1931, estudou por um ano no Union Theological Seminary em Nova York. Lá, conheceu Frank Fisher, um seminarista afro-americano que o convidou para a Igreja Batista Abissínia no Harlem. Ouviu Adam Clayton Powell Sr. pregar a justiça social e se sensibilizou com as injustiças sofridas pelas minorias raciais e étnicas nos Estados Unidos, bem como com a incompetência das igrejas brancas em promover a integração racial. Depois de algumas semanas, ele já estava dando aulas na escola dominical para crianças. Incentivado pelas perguntas críticas dos norte-americanos e pelo rigoroso pacifismo de seu colega francês Jean Lasserre, Bonhoeffer, que até então havia sido cauteloso com as questões políticas, começou a se debater com o tema da paz.
começou a ensinar na Faculdade de Teologia de Berlim;
foi ordenado no dia 15 de novembro;
foi eleito como secretário juvenil da União Mundial para a Colaboração entre as Igrejas.
Em 1933, passou a fazer parte do Conselho Cristão Universal "Life and Work", do qual nasceria, depois, o Conselho Mundial de Igrejas.
No início de 1933, com a ascensão de Hitler ao poder, teve início uma disputa no seio da Igreja Evangélica Alemã, a qual Bonhoeffer pertencia.
Ainda no dia 1º de fevereiro de 1933, proferiu uma palestra no rádio, onde criticou "líderes" que se deificam, razão pela qual a transmissão foi interrompida.
Entretanto, muitos evangélicos acolheram favoravelmente o advento do nazismo e, no verão de 1933, alguns propuseram uma resolução (Parágrafo Ariano) que impediria que os "não arianos" se tornassem ministros de culto ou professores de religião. Bonhoeffer se opôs a essa tese, afirmando que a sua ratificação submeteria os ensinamentos cristãos à ideologia política: se aos "não arianos" fosse impedido o acesso ao ministério, então os pastores teriam que renunciar em sinal de solidariedade, também sob o custo de fundar uma nova Igreja, livre da influência do regime.
Em um artigo publicado em abril de 1933 intitulado como: “Die Kirche vor der Judenfrage” (“A igreja e a questão judaica”), abordou o tema da relação entre a Igreja e a ditadura nazista, defendendo fortemente que a Igreja tinha o dever de se opor à injustiça política, inclusive chegando a afirmar que se o Estado agir com injustiça, cabe à Igreja “a obrigação incondicional para com as vítimas, mesmo que elas não pertençam à comunidade cristã”.
Entre os dias 15 e 20 de setembro de 1933, participou da conferência da World Alliance, entidade do mundo ecumênico (precursora do Conselho Mundial de Igrejas), em Sofia (Bulgária).