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Dona Ivone Lara

Cantora e compositora brasileira (1922–2018)

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Yvonne Lara da Costa OMC, mais conhecida como Dona Ivone Lara (Rio de Janeiro, 13 de abril de 1921 – Rio de Janeiro, 16 de abril de 2018), foi uma cantora e compositora brasileira. Conhecida como Rainha do Samba e Grande Dama do Samba ela foi a primeira mulher a assinar um samba-enredo e a fazer parte da ala de compositores de uma escola, o Império Serrano.

Formada em Enfermagem e Serviço Social, consagrou-se como cantora e compositora, desempenhando importante papel como enfermeira na reforma psiquiátrica no Brasil, ao lado da médica Nise da Silveira, dedicando-se a essa atividade durante mais de trinta anos, antes de se aposentar e dedicar-se exclusivamente à carreira artística.

Em homenagem à Dona Ivone Lara, o dia 13 de abril foi instituído como Dia Nacional da Mulher Sambista.

Dona Ivone Lara nasceu em 13 de abril de 1921, na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Foi a primeira filha da união entre a costureira Emerentina Bento da Silva e João da Silva Lara. Paralelamente ao trabalho, ambos tinham intensa vida musical: ele era violonista de sete cordas e desfilava no Bloco dos Africanos; ela era ótima cantora e emprestava sua voz de soprano a ranchos carnavalescos tradicionais do Rio de Janeiro, como o Flor do Abacate e o Ameno Resedá – nos quais seu João também se apresentava. Formada em enfermagem e serviço social, foi uma profissional na área de saúde durante mais de trinta anos até se aposentar em 1977.

Com a morte do pai, com menos de três anos de idade, e da mãe aos dezesseis, foi criada pelos tios, e com eles aprendeu a tocar cavaquinho e a ouvir samba, ao lado do primo Mestre Fuleiro; teve aulas de canto com Lucília Guimarães e recebeu elogios do marido desta, o maestro Villa-Lobos.

Casou-se em 4 de dezembro de 1947 com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, com quem teve dois filhos, Alfredo e Odir. Foram casados durante 28 anos, até a morte de Oscar. Foi no Prazer da Serrinha onde conheceu alguns compositores que viriam a ser seus parceiros em algumas composições, como Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira. Em 2008 ela perde seu filho Odir, vítima de complicações decorrentes da diabetes.

Carreira como profissional de Saúde

Aos dezessete anos, Ivone entrou para a faculdade de enfermagem da atual Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde se graduou enfermeira. Aos 21 anos, prestou concurso público para o Ministério da Saúde e aos 25 foi contratada pelo Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro. Lá, especializou-se em terapia ocupacional com a médica psiquiatra Nise da Silveira, área em que desempenhou um papel fundamental na reforma psiquiátrica no Brasil a partir da década de 1970. Durante mais de três décadas ela atuou na Colônia Juliano Moreira, com pacientes de doenças mentais.

Ivone Lara se formou em Serviço Social, sendo uma das primeiras assistentes sociais do Brasil e uma das primeiras mulheres negras a se formarem em um curso superior no país. Seu trabalho nessa área foi tão importante que em 2016, a professora da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Graziela Scheffer, publicou o artigo acadêmico "Serviço Social e Dona Ivone Lara: o lado negro e laico da nossa história profissional".

Em uma época em que pacientes de doenças mentais eram institucionalizados e abandonados pela família, Ivone se deslocava para os municípios do Rio e de estados vizinhos, localizando parentes dos internos para apresentar uma visão diferente da maioria dos diagnósticos médicos, que desacreditavam da condição mental dessas pessoas. Tudo isso fazia parte de uma rotina terapêutica e de uma visão completamente nova que humanizava o tratamento da saúde mental. Além disso, Ivone trouxe a terapia musical para seus pacientes no Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro. Usando seus contatos, conseguia patrocínio para os instrumentos e a criação de uma oficina de música, que passou a apoiar festas e eventos de socialização entre os pacientes, seus familiares e os funcionários do hospital. Essa oficina mais tarde deu origem ao bloco de carnaval "Loucura Suburbana", que existe até hoje. Em 1977, Ivone se aposentou da carreira em enfermagem e assistência social para se dedicar integralmente à sua carreira musical.

Carreira como cantora e compositora

Ivone Lara compôs sua primeira música, Tiê, aos 12 anos, sobre um pássaro tiê-sangue que havia ganhado de seus primos, Hélio e Antônio dos Santos. Antônio, que era conhecido como Mestre Fuleiro, recebia os créditos pela maioria das primeiras composições de Ivone Lara, quando na época essa atribuição era tradicionalmente desempenhada por homens.

Compôs o samba Nasci para Sofrer, que se tornou o hino da escola de samba Prazer da Serrinha, fundada na década de 40 e extinta em 1952. Com a fundação da escola de samba Império Serrano em 1947, passou a desfilar na ala das baianas. Em um ardil premeditado entre os dois, de inicio Fuleiro apresentou na ala dos compositores da Império Serrano os sambas compostos por Dona Ivone como se fossem de autoria dele, e somente alguns tempos depois, quando as canções tiveram ampla aceitação, foi que ele revelou como sendo de sua prima a autoria de tais composições. Ivone Lara foi anunciada como integrante da ala de compositores do Império Serrano somente em 1963, após 11 anos contribuindo com a escola. A historiadora Rachel Valença atribui que este reconhecimento demorou para ocorrer pois Ivone Lara não assinava suas próprias composições devido ao machismo que sofria entre os compositores de samba, frequentemente dando os créditos a Mestre Fuleiro.

Em 1965, passou a assinar sambas enredo com seu próprio nome como principal autora, com Os Cinco Bailes da História do Rio. Assim sendo, Dona Ivone teve a primazia de se tornar na primeira mulher a assinar um samba-enredo.

Em 1970, após se apresentar em programas como Amigo da Madrugada, apresentado por Adelzon Alves, Ivone Lara gravou seu primeiro disco, "Sambão '70", produzido por Alves e Osvaldo Sargentelli.

Em 1975, seu filho Odir sofreu um acidente de carro, e por causa disso seu marido Oscar Costa teve um infarto fulminante e morreu. Apesar de seu marido nunca ter nada contra sua carreira, ele não gostava das rodas de samba.[carece de fontes?]

Em 1986, compôs um jingle para a campanha de Wellington Moreira Franco nas eleições para o governo do Rio de Janeiro naquele ano. O sucesso da canção foi apontado como um dos fatores responsáveis pela vitória de Moreira Franco sobre o antropólogo Darcy Ribeiro.

Dona Ivone também teve trabalhos como atriz, com participação em filmes, e foi a Tia Nastácia em especiais do programa Sítio do Pica-Pau Amarelo. Em 2008, interpretou a canção Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço no projeto Samba Social Clube. A faixa foi incluída, no ano seguinte, em uma coletânea com as melhores performances do projeto.

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