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Dorothy Stratten

Dorothy Stratten (nome de batismo: Dorothy Ruth Hoogstraten; Vancouver, 28 de fevereiro de 1960 – Los Angeles, 14 de ago

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Dorothy Stratten (nome de batismo: Dorothy Ruth Hoogstraten; Vancouver, 28 de fevereiro de 1960 – Los Angeles, 14 de agosto de 1980) foi uma modelo canadense, Playmate of the Year da revista Playboy, assassinada por seu marido e descobridor Paul Snider, que suicidou-se após o crime. Protegida de Hugh Hefner, que a via como a primeira playmate na história de sua revista capaz de se transformar numa grande estrela de cinema e televisão, foi morta aos 20 anos de idade, quando começava uma carreira como atriz.

Sua história foi levada ao cinema em 1983, no filme Star 80, de Bob Fosse, onde foi interpretada pela atriz Mariel Hemingway e contada num telefilme, Death of a Centerfold: The Dorothy Stratten Story, em 1981, interpretada por Jamie Lee Curtis. Também sobre ela, o cineasta Peter Bogdanovich, com quem Stratten manteve um relacionamento durante as filmagens de They All Laughed – filme do diretor que deveria lançá-la ao estrelato em Hollywood –, escreveu o livro The Killing of the Unicorn.

Stratten nasceu num hospital do Exército da Salvação em Vancouver, Canadá, filha de um casal de imigrantes holandeses, Simon e Nelly Hoogstraten, e tinha dois irmãos menores, John Arthur e Louise, esta de um segundo casamento da mãe e oito anos mais nova. A família foi abandonada pelo pai quando ela era ainda muito jovem, deixando a mãe responsável por criar os filhos e trabalhar para sustentá-los. Aos 17 anos, quando cursava o ensino secundário em Coquitlam e trabalhava como garçonete numa lanchonete da rede Dairy Queen para ajudar nas despesas de casa, conheceu Paul Snider, de 26 anos, um promotor de clubes noturnos, vigarista e cafetão que ansiava por reconhecimento público e a vida no mundo das celebridades, com quem começou um relacionamento. Snider tinha sonhos de grandeza como agente no meio artístico de Hollywood onde já tinha vivido por alguns meses e cobiçava aquele estilo de vida, e viu na beleza de Dorothy uma oportunidade de sucesso para os dois nos Estados Unidos.

Em 1978, a revista Playboy promovia a Great Playmate Hunt, na América do Norte, onde procurava descobrir uma nova modelo para se tornar sua estrela anual. Fotógrafos enviavam centenas de fotos de mulheres jovens para a revista na esperança de ganharem o prêmio em dinheiro oferecido para quem descobrisse uma anônima que se tornasse a nova Playmate, e Snider levou Dorothy até um fotógrafo conhecido, Uwe Meyer, para que fizesse algumas fotos sensuais da namorada para enviar à revista. Não satisfeito com o material, ele fez novas fotos de Dorothy com outro fotógrafo da região que tinha ligações com a Playboy, Ken Honey, que não quis fotografá-la nua pois Stratten ainda era menor de idade, já que apesar de ter 18 anos, no Canadá a maioridade só era legalmente reconhecida aos 19 anos. Dorothy foi à mãe para que assinasse a autorização. Com a negativa de Nelly, Snider falsificou a assinatura e levou a autorização a Honey. As fotos foram aprovadas pela Playboy, que enviou ao fotógrafo os U$1000 dólares pela descoberta e convidou Dorothy para ir até Los Angeles, fazer um teste com os fotógrafos da revista. As fotos ficaram ótimas e ela ficou entre as finalistas para ser a coelhinha dos 25 anos da Playboy que se comemorava naquele ano. Apesar de perder para outra modelo, Monique St. Pierre, como Playmate do Ano, acabou saindo na capa da revista como playmate de agosto de 1979.

Stratten e Snider mudaram-se para Los Angeles, alugando uma casa-apartamento em 10881 W. Clarkson Rd., West Los Angeles, que dividiam com um médico amigo de Snider. Como este médico após o trabalho geralmente dormia na casa da namorada, o casal praticamente tinha a casa só para eles. Ela começou a trabalhar como coelhinha no Playboy Club de Century City, bairro na zona oeste da cidade e onde se encontram os estúdios da 20th Century Fox. Dorothy passou a frequentar as festas e atividades na Playboy Mansion e Hugh Hefner, dono e editor da revista, viu nela alguém em condições de se tornar realmente uma estrela no mundo do entretenimento pela beleza, jeito suave e casto, e capacidade de atuar, além do corpo perfeito, sem necessidade de qualquer retoque ou plástica. Hefner perseguia a ambição de tornar uma de suas playmates uma grande estrela do cinema mas suas apostas anteriores, especialmente Barbi Benton e Sondra Theodore, haviam terminado em fracasso. Stratten, vista como um talento especial, capaz de fazer a transição de modelo para atriz de sucesso, foi colocada sob sua proteção direta.

Entre este período e os primeiros meses de 1980, Stratten fez pequenos papéis em séries e televisão como Ilha da Fantasia, Buck Rogers in the 25th Century, uma ponta na comédia Skatetown, U.S.A. e estrelou um filme B de ficção científica, Galaxina, além de ser enviada para representar a Playboy em diversos eventos da revista pelo país. Mesmo atuando em filmes de baixa qualidade artística, pequeno orçamento e pontas em seriados de televisão, ela conseguia críticas positivas isoladas devido ao carisma que tinha sua presença diante das câmeras, tornando-se uma das poucas modelos com chances de escapar do estigma de coelhinhas da Playboy que passavam ao cinema fazendo apenas trabalhos de baixa qualidade, sendo alguém que parecia capaz de dar o salto para grandes trabalhos. Em abril de 1980 Hefner a escolheu como Playmate of the Year – a primeira canadense a conseguir este destaque – o que a transformou numa celebridade, convidada para uma entrevista no Tonight Show, do apresentador Johnny Carson, o mais popular talk-show da tv norte-americana. Neste meio tempo, em 1 de junho de 1979, casou-se em Las Vegas com Paul Snider, que até então havia lhe servido como descobridor, namorado, amante e agente.

Snider, porém, não era bem visto por Hefner, que o considerava apenas um "aproveitador e cafetão" e tentou dissuadi-la do casamento pois se via como uma "figura paternal" para Stratten, numa relação com sua playmate completamente diferente das que normalmente tinha com suas modelos, muitas das quais suas amantes e namoradas eventuais ou constantes, nem pelos novos amigos, técnicos, professores de interpretação, promotores de publicidade e agentes que começavam a cercar Dorothy na indústria. Apesar da obsessão dele com a carreira da mulher, em que se colocava junto em busca do sucesso – chegou a comprar uma Mercedes-Benz com as placas 'Star 80', em homenagem a ela e à nova década que se avizinhava e que, em seus planos de grandeza, seria a década de Dorothy (e dele) no mundo de Hollywood – aos poucos ele começou a sentir que estava sendo colocado de lado e que suas opiniões, sua tentativa de controle financeiro da carreira e de última palavra na escolha das ofertas profissionais que ela começava a receber não mais estavam sendo levados em consideração pelos agentes e advogados que começavam a cercar a esposa, depois que Hefner contratou um grupo de profissionais para cuidar da carreira da protegida. Sua visão de que "ele e Dorothy haviam entrado num foguete para a Lua" começava a se desvanecer, sentindo que havia lugar nisso apenas para Dorothy. As brigas entre o casal começaram a ocorrer com mais frequência e Stratten chegou a pedir a Snider que abandonassem Los Angeles e voltassem para o Canadá, o que ele recusou, completamente fixado em seu plano de obter sucesso em Hollywood de qualquer maneira. Hefner e a equipe da Playboy então o consideravam como um simples "embaraço" para Stratten.

Em janeiro de 1980, numa das festas diurnas na Playboy Mansion, em que os convidados faziam uma competição de patins com as coelhinhas de biquíni, Stratten conheceu um dos amigos de Hefner, o cineasta Peter Bogdanovich, um dos integrantes da nova geração de diretores chamada de Nova Hollywood, ao lado de nomes como Martin Scorcese, Francis Ford Coppola, Woody Allen e George Lucas, então com a reputação em alta por filmes como Lua de Papel e a A Última Sessão de Cinema. Impressionado com a beleza e o jeito angelical dela, sabendo que Dorothy já havia feito algumas pequenas participações em filmes para televisão, Bogdanovich a convidou para duas sessões de leitura de texto em sua casa, em que foi acompanhada de Davis Wilder, seu agente providenciado por Hefner, e após os testes a convidou para um papel coadjuvante em seu próximo filme, uma comédia romântica chamada They All Laughed, para entusiasmo de Hugh Hefner que a incentivou a aceitar, pois via ali a oportunidade de Stratten entrar para o mundo do cinema de elite americano, trabalhando com um diretor de renome ao lado de estrelas como Audrey Hepburn e Ben Gazzara, os atores principais do filme.

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