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Dulcina de Moraes

Atriz brasileira

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Dulcina Mynssen de Moraes (Valença, 3 de fevereiro de 1908 – Brasília, 28 de agosto de 1996) foi uma atriz de teatro brasileira, criadora da Fundação Brasileira de Teatro (FBT) depois transformada na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília.

Filha de atores, é considerada uma das grandes damas do teatro nacional. Em 1939, foi agraciada com a medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) como melhor atriz do ano pelo conjunto da obra.

Década de 1910 e 1920: juventude e estreia no teatro

Dulcina nasceu em 1908, em Valença, no interior do Rio de Janeiro. Era filha de dois grandes atores da época: Átila Galaor de Moraes e a cubana naturalizada brasileira Conchita de Moraes. O seu nome é uma homenagem a sua avó materna Dulcina Bernard de Los Rios, que também era atriz.

Seu nascimento aconteceu durante uma turnê da companhia de teatro onde seus pais se apresentavam. Eles estavam hospedados em um hotel em Valença, quando Conchita entrou em trabalho de parto. O dono do hotel, ao ver que Dulcina iria nascer, proibiu que os pais dela ficassem lá. Diante da situação, o elenco se revoltou e se recusou a continuar hospedado no local. A Condessa de Valença soube do ocorrido e rapidamente disponibilizou uma casa desabitada para Conchita dar a luz. A população local se solidarizou, levando mantimentos para Conchita até que, finalmente, Dulcina nasceu.

Com um mês de vida, Dulcina já estava em cena nas apresentações mambembes, ocupando o lugar de uma boneca em um berço utilizado na peça.

Na década de 1920, começa sua carreira com a Companhia Brasileira de Comédia, de Viriato Corrêa. Aos 15 anos estreou o espetáculo Travessuras de Berta, pela Companhia Brasileira de Comédia no Teatro Trianon e aos 17 anos ingressa na companhia teatral de Leopoldo Fróes, a mais importante do início do século passado.

Mesmo em começo de carreira, era bastante elogiada, chamando a atenção de público e crítica pela naturalidade e temperamento nos palcos, muitas vezes criticados negativamente por sua impetuosidade na atuação.

Foi a atriz principal de Lua Cheia, de André Birabeau. Atuou em diversos papéis, muitos de comédia, mas também em dramas e montagens históricas e peças clássicas da dramaturgia mundial. Os autores nacionais também tiveram sua vez no repertório de Dulcina, como Viriato Correia (A Marquesa de Santos), Raimundo Magalhães Júnior (O Imperador Galante) e Maria Jacintha (Convite à Vida, Conflito, Já é Manhã no Mar), entre muitos outros.

Década de 1930 e 1940: casamento e sucesso teatral

Em 4 de julho de 1930, casa-se com o empresário e também ator Odilon Azevedo e em 1935, junto de Odilon, funda a Companhia Teatral Dulcina-Odilon, responsável por várias peças de sucesso nos palcos nacionais. A companhia foi a primeira a trazer para o público brasileiro peças de autores como García Lorca (Bodas de Sangue), D’Annunzio (A Filha de Iório), Bernard Shaw (César e Cleópatra, Santa Joana, Pigmaleão) e Jean Giraudoux (Anfitrião 38). A Companhia Dulcina-Odilon também mudou a forma de fazer teatro no Brasil. Na companhia, Dulcina acabou com o "ponto" (uma pessoa que ficava no palco em uma caixa escondida, dizendo o texto para os atores) e instituiu o descanso semanal para os artistas às segundas-feiras, outra novidade da época.

Alguns dos trabalhos de maior sucesso de Dulcina foram as peças Amor, em 1933 e A Chuva, em 1945. Ambas as peças permaneceram anos em cartaz e percorreram todo o país. A atuação da atriz nas duas peças foi muito aclamada, a tal ponto que Dulcina passou a ser considerada a principal atriz de teatro brasileira da primeira metade do século XX. Além disso, os figurinos usados por Dulcina em A Chuva fizeram tanto sucesso que muitas pessoas passaram a querer usá-los, até mesmo da alta sociedade. Com isso, as roupas de Dulcina viraram modelo de elegância e sofisticação e a atriz também passou a ditar moda.

Em 1939, recebeu a medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) como melhor atriz do ano pelo conjunto da obra.

Em 1941, Dulcina atuou no filme 24 Horas de Sonho, em que fez a protagonista Clarice, uma mulher decidida a aproveitar a vida até o último minuto. No filme, Dulcina atuou ao lado de outros grandes atores do país, entre eles os seus pais, Átila e Conchita de Moraes. O filme, porém, não chegou a ser um grande sucesso na época e Dulcina não voltou a atuar no cinema, preferindo se dedicar ao teatro. Em depoimento para Sérgio Viotti, Dulcina revelou que precisou vender algumas de suas propriedades para pagar os custos do filme.

Em 1946 e 1947, Dulcina realizou uma turnê na Argentina e no Uruguai apresentando uma versão espanhola da peça A Chuva, um de seus grandes sucessos. Quando esteve em Buenos Aires, encontrou na cidade um centro de apoio e gerenciamento de carreira de artistas. A partir daí, Dulcina começou a ter o desejo de criar algo similar no Brasil. Já nessa época, a atriz criou, junto com seu marido Odilon, a Associação Brasileira de Teatro, embrião do que viria a se tornar a Fundação Brasileira de Teatro anos depois.

Em 1949, ganhou novamente o prêmio da ABCT, desta vez por sua direção na peça Mulheres.

Década de 1950 até 1995: Fundação Brasileira de Teatro

Em 1953, Dulcina atuou no programa Grande Teatro Tupi, sua única experiência na televisão. O programa, idealizado e dirigido por Sérgio Britto, exibia famosas peças de teatro adaptadas. A atriz continuou a se dedicar principalmente ao teatro.

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