Neste Dia

Edmar Morel

Jornalista brasileiro

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Edmar Morel (Fortaleza, 17 de março de 1912 — Rio de Janeiro, 14 de novembro de 1989) foi um jornalista e escritor brasileiro.

Foi autor de grandes reportagens e vários livros, um dos quais sobre a rebelião do marinheiro João Cândido, que Morel cognominou Almirante Negro (inicialmente "Almirante da Ralé"). A partir da publicação do livro, a revolta passou a ser identificada como Revolta da Chibata, publicado em 1959.

Autodidata, Morel teve uma infância pobre. Seu pai faleceu em 1931, quando Morel tinha vinte anos, deixando a viúva com seis filhos. Começou a trabalhar cedo, em uma casa comercial. Em seguida, trabalhou nos jornais O Ceará e A Rua, como corretor de anúncios, auxiliar de revisor e auxiliar de repórter.

Em 1932, Morel foi para o Rio de Janeiro. Passou fome e dormiu na rua, até encontrar o jornalista Maurício de Lacerda, pai de Carlos, que conhecera em Fortaleza. Maurício, importante articulista do Jornal do Brasil, levou-o a trabalhar no jornal, na sessão de anúncios fúnebres.

Em 1937, Edmar Morel ingressou no jornal O Globo. Posteriormente trabalhou também em A Tarde, no Diário da Noite e na revista O Cruzeiro, de 1938 a 1947.

Jornalista do Diário da Noite acabou ganhando destaque no “Caso da égua Farpa”. A história é que ficou sabendo que os cavalos do Jóquei Clube não sofriam racionamento de leite e açúcar imposto a população do Rio de Janeiro. O racionamento de setembro de 1944 foi o mais rigoroso da história da cidade. O próprio jornalista sofria para alimentar sua filha recém-nascida, que posteriormente viria a morrer.

Acompanhado do fotógrafo Celso Muniz foi ao Hipódromo da Gávea, e lá constatou que os cavalos mais bem tratados pertenciam aos herdeiros de Lineu de Paula Machado. Depois de cinco dias conseguiu uma foto da égua Farpa tomando leite em um balde de dez litros, e também conseguiu que o tratador a levasse para passear no Jardim Botânico onde foi fotografada ao lado de longas filas de mães que esperavam pela distribuição do leite.

A reportagem “Farpa não entra em fila” rodou no dia 9 de setembro de 1944, e diante da revolta popular obrigou o DIP a proibir o assunto.

Os Campos de Concentração Paraguaios

Jornalista da revista O Cruzeiro foi para o Paraguai para checar os rumores da existência de campos de concentração mantidos pelo ditador Higinio Morínigo. O ditador o ocupou durante dez dias com festas e recepções até que foi autorizado a percorrer o país. O que o ditador não sabia é que antes o jornalista já havia obtido informações de jornalistas paraguaios exilados. O piloto da força área paraguaia que o acompanhava era filho de um desses jornalistas exilados.

Os campos foram localizados, e não encontraram ninguém. Os presos haviam sido removidos, porém, deixaram para trás documentos e relatos escritos que permitiram concluir a reportagem. O material foi encaminhado para publicação através da embaixada brasileira. A revelação dos campos levou a uma onda de indignação mundial que acabaram por apear o ditador do poder no Paraguai.

O dono de jornais Assis Chateubriand determinou que o jornalista localizasse o paradeiro de Fawcett em Mato Grosso, e ele saiu do escritório direto para a casa de Cândido Rondon, que o ajudou. Chegou em Mato Grosso com 300 kg de presente para os índios, e contou com a Judá dos indianistas Thomaz Young, Emílio Halverson e dos inspetores do SPI João Clímaco, Otaviano Calmo e Álvaro Duarte.

A equipe foi composta pelo total de 25 pessoas que seguiram a trilha de Fawcett, e pelo caminho foram encontrando vestígios do explorador inglês como roupas, fotos ou objetos pessoais. O que a equipe de reportagem acabou encontrando foi o suposto neto de Fawcett o índio bacaeri Dulepé, e o índio Izariri, que confessou o assassinato de Fawcett, do seu filho Jack e de Rimell.

O material jornalístico consistia também em filmagens e que posteriormente foram vendidos para a BBC de Londres pelo equivalente hoje a R$ 200 mil. O documentário também foi exibido no Rio de Janeiro, e todo o dinheiro gerado, de bilheteria aos direitos de exibição, foram doados a Cândido Rondon para os Bacaeris. O custo total da expedição da revista O Cruzeiro foi de R$ 600 mil.

A Ordem dos Cavaleiros de São Sebastião

Jornalista do Ultima Hora em fevereiro de 1957 soube de um caso em que um embaixador estava processando Gabriel Ineles, que se apresentava como príncipe de Cazomene e Rodosto, por ter vendido a comenda Ordem dos Cavaleiros de São Sebastião e Guilherme, e não entregue. O “príncipe” foi ex-porteiro de um hotel antes de começar a vender as comendas. O valor poderia ser parcelado e custava o equivalente a R$ 40 mil. Acabou vendendo duas mil para personalidades da época, políticos, funcionários públicos do alto escalão e pessoas ricas em geral.

A reportagem rendeu oito processos contra o jornalista, e todos foram arquivadas posteriormente. Apesar do escândalo a Câmara de Vereadores de São Paulo estava prestes a conceder o título de cidadão paulistano a Gabriel Inelas caso o jornalista não encaminhasse a documentação baseada em história e heráldica para os vereadores.

Segundo CARVALHO (2001), Morel foi também funcionário do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), durante a Era Vargas.

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