Edmund Andros (Londres, 6 de dezembro de 1637 — Londres, 24 de fevereiro de 1714) foi um administrador colonial inglês na América do Norte. Andros ficou conhecido principalmente por seu governo do Domínio da Nova Inglaterra durante a maior parte de sua existência de três anos. Em outras ocasiões, Andros serviu como governador das províncias de Nova York, Jersey Leste e Oeste, Virgínia, e Maryland. Antes de seus serviços na América do Norte, Andros serviu como bailio de Guernsey. O exercício do cargo de Andros na Nova Inglaterra foi autoritário e turbulento, uma vez que suas ações eram vistas como pró-anglicanas, uma crítica nociva em uma região cuja população era de maioria puritana. Suas ações na Nova Inglaterra resultaram em sua derrubada durante a Revolta de Boston em 1689.
Andros foi considerado um governador mais eficaz em Nova York e Virgínia, embora tenha se tornado inimigo de figuras proeminentes em ambas as colônias, muitas das quais conspiraram para removê-lo do cargo. Apesar dessas inimizades, Andros conseguiu negociar uma série de alianças e tratados com os iroqueses, estabelecendo uma paz de longa duração envolvendo as colônias e outras tribos que interagiram com aquela confederação. Suas ações e governança em geral seguiram as instruções que lhe eram esperadas no exercício de suas funções, e receberam a aprovação dos monarcas e dos governos que o nomearam para tal.
Andros foi chamado de volta à Inglaterra quando exercia seu cargo na Virgínia em 1698, e retomou o título de bailio de Guernsey. Embora não residisse mais integralmente em Guernsey já há muito tempo, foi nomeado vice-governador da ilha, e serviu nessa posição durante quatro anos. Andros morreu em 1714.
Andros nasceu em Londres em 6 de dezembro de 1637. Amice Andros, seu pai, era bailio de Guernsey e um ardente defensor de Carlos I. Sua mãe era Elizabeth Stone, cuja irmã era uma cortesã da irmã do rei, Rainha Elizabeth da Boêmia. Embora se tenha afirmado que Andros esteve presente na rendição em 1651 do Castelo Cornet de Guernsey, o último reduto monarquista a render-se na Guerra civil inglesa, não há nenhuma forte evidência que sustente isto. É possível que Andros tenha fugido de Guernsey com sua mãe em 1645. Em 1656, foi aprendiz de seu tio, Sir Robert Stone, capitão de uma companhia de cavalaria. Andros, em seguida, serviu nas duas campanhas de inverno na Dinamarca, incluindo a ajuda a Copenhague em 1659. Como resultado dessas experiências, adquiriu fluência em francês, sueco e holandês. Permaneceu um firme defensor dos Stuarts, enquanto eles estavam no exílio. Carlos II, depois de sua restituição ao trono, especificamente elogiou a família Andros por seu apoio.
Andros serviu como cortesão de Elizabeth da Boêmia de 1660 até sua morte em 1662. Em 1671, casou com Mary Craven, filha de Thomas Craven de Burnsall no West Riding of Yorkshire (hoje North Yorkshire), filho de um primo do Conde de Craven, um dos assessores mais próximos da rainha, e amigo, que serviu como seu patrono por muitos anos. Durante a década de 1660 Andros serviu no exército inglês contra os holandeses. Foi em seguida destacado como major para servir no regimento de Sir Tobias Bridge, que o enviou para Barbados em 1666. Retornou à Inglaterra dois anos depois, portando despachos e cartas.
Depois que seu pai morreu em 1674, Andros foi nomeado para sucedê-lo como bailio de Guernsey. Foi também nomeado pelo Duque de York para ser o primeiro governador proprietário da Província de Nova York. O território da província incluía os antigos territórios de Nova Holanda, cedida à Inglaterra pelo Tratado de Westminster, incluindo todos os do atual Nova Jersey, as explorações agrícolas holandesas situadas às margens do rio Hudson desde Nova Amsterdã (renomeado Nova York) até Albany, bem como Long Island, Martha's Vineyard e Nantucket. Em 1664 Carlos II havia concedeu a Jaime todo este território, bem como toda a terra do atual Maine entre os rios Kennebec e Saint Croix, mas devido à interferência holandesa na retomada do território, Carlos emitiu uma nova licença para Jaime. Andros chegou ao porto de Nova York no final de outubro, e negociou a entrega dos territórios holandeses com representantes locais e o governador holandês Anthony Colve, que ocorreu em 10 de novembro de 1674. Andros concordou em confirmar as participações das propriedades já existentes e permitir que os habitantes holandeses do território mantivessem a sua religião protestante.
A disputa de fronteira de Connecticut
Andros também se envolveu em disputas de fronteira com a vizinha colônia de Connecticut. As reivindicações holandesas originalmente se estendiam até o leste do rio Connecticut, mas estas reivindicações não foram atendidas em 1650 pelo Tratado de Hartford, e reduzidas a uma linha de fronteira 32 km a leste do rio Hudson em 1664. A reivindicação territorial da província de Nova York não reconheceu isso, e Andros anunciou às autoridades de Connecticut suas intenções de recuperar esse território (que incluía a capital de Connecticut, Hartford) no início de 1675. Os líderes de Connecticut apontaram as últimas revisões dos limites de Connecticut, mas Andros manteve sua reivindicação, argumentando que essas revisões tinham sido substituídas pela concessão à Inglaterra do território da província de Nova York. Andros aproveitou os acontecimentos da Guerra do Rei Filipe em julho de 1675 como desculpa para seguir de navio para Connecticut com uma pequena força militar para fazer valer as reivindicações do duque. Quando chegou na colônia de Saybrook, na foz do rio em 8 de julho, encontrou o forte local ocupado pela milícia de Connecticut, que tinha hasteado a bandeira inglesa. Andros desembarcou, teve uma breve conversa com o comandante da fortaleza, leu suas ordens, e retornou para Nova York. Esta foi a participação total de Andros na tentativa de reivindicar o território, mas ela seria lembrada em Connecticut, quando as tentativas posteriores foram feitas para afirmar a autoridade de Nova York.
Depois de sua expedição a Connecticut, Andros viajou para o território dos iroqueses a fim de estabelecer relações com eles. Foi bem recebido, e concordaram em dar continuidade à prática holandesa de fornecimento de armas de fogo para os iroqueses. Esta ação bem sucedida prejudicou os avanços diplomáticos franceses junto aos iroqueses. Ela também deu origem às acusações na Nova Inglaterra, de que Andros fornecia armas aos índios aliados do rei Filipe (como o líder wampanoag Metacom era conhecido pelos ingleses); de fato, Andros forneceu pólvora para Rhode Island que foi utilizada na Luta de Great Swamp contra os narrangasett em dezembro de 1675, e especificamente proibiu a venda de munições para as tribos conhecidas serem aliadas de Filipe. As acusações envenenaram o clima entre Andros e os líderes de Massachusetts, apesar de acharem que a conduta de Andros contava com a aprovação de Londres.
No encontro com os iroqueses, Andros recebeu o nome de "Corlaer", que foi usado posteriormente pelos iroqueses para se referirem ao governador de Nova York (da mesma forma o governador francês foi apelidado de "Onontio"). Outra consequência foi a criação, em Albany, de um departamento colonial para assuntos indígenas, com Robert Livingston como seu primeiro chefe.
Sabia-se que naquele inverno Filipe estaria nos montes Berkshires, no oeste de Massachusetts, e os habitantes da Nova Inglaterra acusaram Andros de dar abrigo a ele. O historiador John Fiske sugere que a intenção de Filipe não era a de chamar os iroqueses para o conflito, mas a de atrair os moicanos para o conflito com vistas a atacar Albany. Uma oferta feita por Andros para enviar tropas de Nova York para Massachusetts com a finalidade de atacar Filipe foi rejeitada, baseada na suposição de que seria um truque secreto para mais uma vez afirmar sua autoridade sobre a região do rio Connecticut. Em vez disso, os moicanos da área de Albany entraram em luta contra Filipe, obrigando-o a retornar para o leste. Quando as autoridades de Connecticut mais tarde apelaram pela assistência de Andros, este respondeu que era "estranho" eles lhe pedirem isso, considerando seus comportamentos anteriores, e se recusou a ajudá-los.