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Eduardo Kobra

Artista brasileiro

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Eduardo Kobra, nome artístico de Carlos Eduardo Fernandes Leo (São Paulo, 27 de agosto de 1975), é um artista brasileiro.

Nascido na Zona Sul de São Paulo, Kobra tornou-se um dos mais reconhecidos muralistas da atualidade, com obras em cinco continentes.

Desde os Jogos Olímpicos de Verão de 2016 no Rio de Janeiro, Kobra detém o recorde de maior mural grafitado do mundo – primeiro com ‘Etnias’, pintado para celebrar o evento, com 2,5 mil metros quadrados; marca superada por ele mesmo em 2017, com uma obra que retrata um trabalhador simples de uma fazenda de cacau e que ocupa um paredão de 5.742 metros quadrados às margens da rodovia Castelo Branco, na Região Metropolitana de São Paulo.

Uma de suas obras mais famosas é O Beijo, executada em 2012 na High Line, em Nova York, e apagada quatro anos mais tarde.

Em 2022, a convite da Organização das Nações Unidas, ele criou um painel de quase 400 metros quadrados exibido na sede da entidade, nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o interior do prédio abrigou uma mostra com seus trabalhos.

Em agosto de 2023, preparou um trabalho especialmente para exibição no FAMA Museu, um dos maiores museus privados da América Latina, localizado em Itu, no interior de São Paulo.

Durante as comemorações pelos 100 anos da Semana de Arte Moderna, Kobra integrou espetáculo artístico realizado pelo Teatro Municipal de São Paulo, com uma intervenção realizada ao vivo, simultaneamente à apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.

No segundo semestre de 2022 foi lançado o documentário ‘Kobra – Auto Retrato’, uma obra da cineasta Lina Chamie sobre a vida do artista. O filme foi bem recebido por público e crítica e, depois de uma trajetória nos cinemas, está disponível em diversas plataformas de streaming. Em agosto de 2023, ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, mais importante reconhecimento da categoria no país.

Kobra começou a desenhar em muros na clandestinidade, como pichador, ainda durante a adolescência. O gosto pela espontânea arte de rua já era visível no garoto, que colecionava advertências por intervenções não autorizadas na escola e chegou a ser detido três vezes por crime ambiental – justamente por conta do uso irregular de sprays em muros das redondezas.

Nos anos 1990, trabalhou fazendo cartazes, pintando cenários de brinquedos e criando imagens decorativas para eventos no maior parque de diversões do Brasil. Era a primeira vez que ele, filho de um tapeceiro e de uma dona de casa, ganhava dinheiro com suas imagens. O trabalho foi bem-sucedido, tanto que lhe rendeu convites para atuar também em outras empresas e junto a agências de publicidade.

Sua arte urbana começou a ganhar visibilidade na década seguinte. Em 2007, apareceu com destaque na mídia pela primeira vez por causa do projeto Muro das Memórias, em que mergulhou no universo das fotos antigas de São Paulo e passou a reproduzi-las nas ruas em tons de sépia ou em preto e branco, apresentando um estilo de grafite diverso

Kobra passou a ser um obstinado pesquisador de imagens históricas. Autodidata, o muralista admite que aprendeu e desenvolveu sua arte ao observar a obra de artistas que admira – do misterioso expoente da street art Banksy, britânico cuja identidade jamais foi revelada, a nomes como o norte-americano Eric Grohe (1944- ), o também norte-americano Keith Haring (1958-1990) e o mexicano Diego Rivera (1886-1957).

Em Greenpincel, Kobra demonstra preocupação com causas ambientais. Esses painéis, compostos por uma imagem e uma frase de protesto, são fortes panfletos em prol de causas ecológicas. Os temas vão desde o combate à pesca predatória até o veto à exploração de animais em eventos como o rodeio. Aquecimento global, poluição da água e do ar edesmatamento também aparecem em seus murais.

Em 2009, Kobra se deparou com pinturas de street art tridimensionais e decidiu que também poderia fazê-las. Realizou testes diversos e, em seguida, colocou sua arte na rua. Primeiro na Avenida Paulista. Depois, em exposições ao redor do mundo, de festivais em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a eventos nos Estados Unidos.

Já no projeto Olhar a Paz, Kobra retrata personalidades históricas que tenham lutado contra a violência, pela disseminação de uma cultura de paz pelo mundo. É quando a arte do brasileiro endossa – e muitas vezes ecoa – mensagens de fraternidade e não-violência. Ele já estampou em muros o ativista indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), a vítima do Holocausto Anne Frank (1929-1945), a ativista paquistanesa Malala Yousafzai (1997- ) e o cientista alemão Albert Einstein (1879-1955), entre outros exemplos.

Em Coexistência, o artista criou uma série de obras dedicadas a demonstrar que a amizade e a fraternidade entre os povos é um sonho possível e necessário para um futuro melhor. Destacando a diversidade, em que cabem todas as crenças e culturas, murais com a temática já foram realizados de São Paulo a Cotonou, no Benin.

A herança de seu passado no hip-hop é revivida no estilo mais marcante de sua arte: imagens impactantes, muitas vezes baseadas em fotografias de personalidades, como o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer (1907-2012), o artista espanhol Salvador Dalí (1904-1989) e o músico brasileiro Chico Buarque (1944- ), cobertas com cores fortes e contrastantes. Essas cores acabaram se tornando seu principal cartão de visitas ao redor do mundo, o estilo marcante de sua obra.

Seu primeiro mural fora do Brasil foi em Lyon, na França, em 2011. Na época, havia sido convidado para ilustrar um paredão de um bairro que passava por processo de revitalização. Ali, lançou mão de sua vertente Muros da Memória para ajudar na valorização histórica da região. De lá para cá, já pintou em países como Espanha, Itália, Noruega, Inglaterra, Malaui, Índia, Japão, Emirados Árabes Unidos, além de diversas cidades norte-americanas.

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